Como a psicanálise cristã pode te ajudar

QUAL É O OBJETIVO DA VIDA?

Psicanálise CristãEssa é a grande pergunta que se faz hoje em dia, mas não sabemos mais a resposta. Digo que não sabemos mais, pois a noção de espiritualidade está sendo arrancada de dentro de nós. Estamos em um processo claro de descristianização, e com isso, todas as respostas óbvias que o cristianismo nos dava, se esvairam. O objetivo da vida, é nos preparar para quando a hora da nossa morte chegar, sermos capazes de aceitar uma realidade espiritual onde só o bem existe. Se não conseguirmos isso, seremos descartados para um lugar onde nenhum bem existe, que é puro sofrimento, pois não teremos mais como vivenciar o bem. Temos que aprender a enxergar as nossas falhas, e a partir dessa consciência, construir um caráter ou personalidade digno de Deus. Isso se consegue anulando a nossa vontade, e a substituindo pela vontade divina. Fazemos isso através da oração, rituais, e da eucaristia, que tem como único objetivo diminuir a nossa arrogância diante do divino, nos trazendo para o amor de Deus.

O OBJETIVO DA PSICANÁLISE CRISTÃ.

Por isso, a psicanálise cristã, tem esse objetivo. O de ajudar a igreja católica cristã, na sua missão de orientar as pessoas nesse objetivo de salvação. A linguagem psicanalítica pode ser útil no esclarecimento da percepção da nossa consciência sobre as nossas falhas. Por exemplo, a psicanálise pode explicar o processo de projeção que as pessoas fazem, ao ver no próximo os problemas que são dele. Isso a igreja não tem como fazer, e essa percepção ajuda as pessoas a se tornarem cientes de seus problemas e a resolvê-los. Mas essa consciência só tem valor real, se unida ao cristianismo e à igreja católica. Essa afirmação se mostra verdadeira, pois apesar da pretensão da psicanálise afirmar que cura ou melhora a vida das pessoas, essa cura ou melhora de uma pessoa, só se dá através da prática religiosa séria. A psicanálise pode mostrar vários defeitos e problemas que uma pessoa apresenta, mas ela não reúne forças suficiente, como o próprio Freud afirmava, para vencer a má vontade, ou vontade deturpada de uma pessoa, pois essa atitude envolve uma espirtualidade negativa muito forte. Nós só conseguimos melhorar a nossa atitude, através de um envolvimento com uma espirutalidade positiva, que aos poucos, nos vai tirando de nossas atitudes patológicas, e vai clareando a nossa compreensão sobre a vida, e essa é a verdadeira consciência, aquela que só surge quando praticamos o verdadeiro amor, e percebemos na alma os nossos verdadeiros problemas diante de Deus. Por isso, o nome de psicanálise cristã.É a união da linguagem psicanalítica e sua compreensão dos processos patológicos que nos afetam, com a atitude religiosa séria, que vai tirar a pessoa dos seus sofrimentos.É diferente do que já se fez no passado, onde psicanalistas se utilizam das noções cristãs para interpretar os seus pacientes, mas não colocam a cura no desenvolvimento da espiritualidade, através de uma atitude religiosa séria. Eles colocam a cura no próprio processo psicanalítico, o que é uma falácia. O psicanalista indica o caminho, aproxima o paciente do espirtual, mas a espirtualidade só se consegue da forma que Cristo indicou, e não da forma como a psicanálise desenvolveu.

É através do auto conhecimento e da busca da humildade diante de Deus, que conseguimos construir em nós mesmos, um ser realmente digno. Precisamos saber primeiro como somos realmente, pois não sabemos, para depois nos modelar de acordo com a vontade divina.A religião não precisa da psicanálise, mas a psicanálise precisa da religião para ajudar as pessoas a tomarem um caminho correto para a realidade. A psicanálise aqui, é usada como uma forma de facilitar a compreensão dos nossos problemas, e ajudar as pessoas em seu caminho direto ao bem, ou à sanidade ou à santidade. Ela se torna útil, ao mostrar a atitude negativa que uma pessoa está tomando em sua vida, e a induzir a ter uma vida religiosa séria. A psicanálise deve induzir as pessoas a se preocuparem com a sua vida espiritual, mas em nenhum momento ela é capaz de curar as pessoas. Ela torna as pessoas cientes de seus problemas, mas isso não é o suficiente.

Nesta página, faremos um apanhado de como devemos encarar nossos erros de atitude, e com isso, ganhar uma paz espiritual muito grande. Tudo o que eu estou escrevendo aqui, é baseado no cristianismo, que tem como fonte a bíblia, a igreja católica que é uma igreja séria, na psicanálise desenvolvida pelo professor Norberto Keppe, que tem como base a psicagoglogia e as aparições de Nossa Senhora ao longo da história. Ela já apareceu inúmeras vezes, aqui na terra, e deixou milhares de conselhos e advertências que nos dão um caminho a ser seguido. E em todos os meus escritos, procuro sempre basear minhas idéias em suas sentenças, que não são poucas, para que eu possa errar o mínimo possível. Nós humanos, somos passíveis de errar, mas para ela errar é impossível.

A psicanálise integral foi desenvolvida pelo professor Norberto Keppe, onde faz uma interpretação da psiquê humana, como reflexo direto da espiritualidade humana. Ele afirma em seus trabalhos, que todos os problemas psíquicos começam no espiritual e terminam no material. Ele teve o mérito de trilhar o caminho inverso feito por Freud, e introduzir a espiritualidade na psicanálise, junto com outros pioneiros. Enquanto Freud afastou suas interpretações o máximo possível da idéia de espirtualidade, e afirmava que somos movidos por impulsos, o professor Norberto Keppe, introduziu toda a doutrina cristã na psicanálise, e com isso conseguiu bons resultados. O professor possuía uma incrível intuição no seu trabalho de análise, percebendo quais as interpretações que realmente ajudavam o ser humano, e baseando-se no cristianismo e na filosofia em geral, fez um corpo teórico muito interessante.O grande defeito de seu trabalho, é ter se afastado da religião e subtituí-la pelo método científico. Esse é o gande defeito das psicoterapias em geral. Ele é um dos homens mais inteligentes que conheci, e possuía uma disciplina científica fora do comum. Mas o que lhe faltou foi uma cultura mais ampla, onde colocou a igreja católica como uma coisa a ser superada. Quando vemos seus livros afirmarem que a igreja católica matou milhões de pessoas, que a era das trevas foi provocada pela igreja, e que o iluminismo veio salvar a humanidade, mostra aonde seu trabalho pecou. A mortandade da igreja católica em cinco séculos, em vários episódios, foi de 30000 a 50000 pessoas. Um grande equívoco com certeza, e é um pecado que a igreja deve se penitenciar eternamente. Mas temos que ter em conta, que a igreja se misturava com o governo, ela era governo também, e muitas decisões foram tomadas em nome do estado, e não em nome da igreja. O período de trevas que é atribuído à igreja, na verdade deve ser colocado a culpa nas invasões tanto bárbaras como árabes. Se não fosse a igreja, não existirianem a sociedade ocidental, que protegeu a bíblia, e desenvolveu as bases de toda a sociedade do ocidente. Quando se abandonou a filosofia escolástica, em nome de uma filosofia mais moderna, começou um processo de decadência filosófica, que desembocou na nossa filosofia moderna, onde não identificamos mais a realidade. Então ao contrário que o professor defende, cadaceu1houve um processo de decadência, com os iluministas, e falar que a ciência surgiu com eles, também é uma grande mentira. Os maiores matemáticos, astrônomos e pesquisadores, grandes invenções foram feitas todas dentro da igreja. Como ela perdeu a importância com o passar do tempo, os cientistas substituíram os religiosos pesquisadores, e passaram a ter a autoridade, que antes era dos religiosos. Mas quem quer ter sua vida comandada por um cientista? eu pelo menos não quero. E esse foi o grande erro do professor, e acabou montando uma psicanálise com bases no cristianismo, sem a presença da religião, acabou montando um processo psicanalítico intolerável, onde os erros das pessoas são apontados a cada segundo, e as pessoas acabam se sentindo acuadas, é acabou montado o próprio inferno aqui na terra. E o pior de tudo, é que não adianta nada.

Ele adotou, e toda a psicanálise é baseada nisso, em uma espécie de pelagianismo. Pelágio afirmava que Cristo deu o exemplo, e que nós somos capazes de resolver nossos problemas sozinhos, sem a ajuda de Deus. Basta conhecer, para mudarmos de atitude, ou vencendo a censura da consciência, todos os problemas psicológicos são resolvidos. Mas não é isso que se verifica. E através dessa libertação, o paraíso seria restaurado aqui na terra.Mas quem sempre promete a felicidade absoluta aqui na terra, é o demônio e não deus. Nós vivemos em um mundo angustiante e imperfeito, mas como não suportamos isso, buscamos a felicidade aqui na terra mesmo, nos afastando do conforto de deus. Trocamos deus por uma ilusão de paraíso, mas nunca conseguimos alcançá-lo pelo fato de ser impossível. Então quando vemos seus livros, vemos que eles passam uma idéia de que as doenças, o problema econômico e acidentes serão resolvidos, bastando para isso conhecer a verdade. A verdade o libertará. Mas é a liberdade integral, ou seja, saber do problema, do quanto contribuímos para nos destruir é importante, mas precisamos desesperadamente da ajuda de Deus para resolvê-lo. O mal é mais forte do que nós. Por isso, você lê na capa dos seus livros, que muitas pessoas sararam de doenças físicas somente lendo o livro. A idéia é que ao ler o seu livro, você tomará consciência da verdade, e se livrará do mal. Pobre pretenção. Com essa idéia, que é baseada na arrogância humana diante de deus, é óbvio que ele descartou a religião. Para ele, o processo que ele criou, superou a religião, e por isso, ela se torna, na mente dele, um processo desnecessário. Satanás deve ter adorado a teoria dele. Segundo ele, não é mais Cristo que salva através da igreja, mas é o psicanalista que salva através da psicanálise. Dava para se mais herege? Impossível.

Para se melhorar a atitude de uma pessoa, ela tem que viver o bem, por isso a religião é fundamental para que uma pessoa melhore de atitude. Viver somente os seus erros 24 horas por dia como propões a psicanálise integral, leva a pessoa a uma espécie de psicose, onde ela só pensa nisso, e vive o mal o tempo todo e esquece que o importante é tentar se aproximar do amor de Deus. As pessoas que fazem essa psicanálise que são mais sãs acabam saindo, ficando somente pessoas maníacas dependentes. Os erros devem ser apontados, mas de forma leve e a preocupação da pessoa deve ser viver o bem de Deus através da religião. Cristo mostrou o caminho para atingi-lo, que é através da igreja e da procura do amor. A história da igreja, é antes de mais nada, a história do amor de Deus. E querer inventar um processo que substitua a igreja, é atender os desejos de satanás. Se o professor tivesse percebido o seu equívoco, e usado o seu trabalho para unir a percepção psicanalítica com a igreja, ele teria executado um trabalho perfeito.

O que diferencia o meu trabalho do dele, é a metodologia de aplicação da teoria, em que ao meu ver, ele se equivocou completamente. Ele como psicanalista puro, aplicou o método freudiano de análise, do divã, olhando para a parede, onde ao longo de anos a fio, teoricamente você conseguiria expandir a sua consciência sobre si mesmo, até um ponto onde você se tornaria senhor de si mesmo, controlando todos os seus problemas. Mas não é esse o resultado que se consegue. A prática mostrou que isso não se verifica. As psicoterapias, não conseguem vencer sozinhas a censura das pessoas. A idéia de que vencendo a censura que o paciente faz sobre a visão de seus erros a pessoa melhora, é falsa, e o processo terapêutico não tem essa capacidade.Vencer a censura do paciente é somente o primeiro passo. Quantas vezes, escutamos de pessoas que fazem análise por muito tempo, afirmar que sabem quais são seus problemas, mas não conseguem mudar de atitude. Quer dizer que estão conscientes de sua patologia, mas não conseguem reunir forças para um mudança de atitude. Isso acontece pelo fato de a análise ser teórica, e só na prática do amor puro, que se consegue mudar de atitude. Quando adotamos uma atitude religiosa, nós estamos praticando o amor, nos envolvendo com ele na realidade, e isso nos aproxima do amor divino, nos preenchendo com ele, nos dando forças para sairmos de nossas fantasias e e loucuras. Por isso, Freud não curou ninguém, e por isso, até hoje, a melhora de atitude que se consegue dentro da análise é sempre pífia.A cura sempre termina em uma prática religiosa HONESTA. Quem vai à igreja para se achar santo, e se louvar, em vez de louvar o amor divino, só piora a sua situação. Vai na igreja para reforçar a sua arrogância, e não a sua humildade. Vejam o que Nossa senhora fala em uma de suas aparições :

“” O arrependimento é o primeiro passo a ser dado no caminho da conversão.” – Nossa senhora, Anguera, Bahia, Brasil.

Nessa frase, nossa senhora mostra que só perceber os erros, não é o suficiente, como faz a psicoterapia. O processo para a conversão se inicia na percepção dos erros, passa pelo arrependimento, depois tem que caminhar para uma troca de atitude, que é a verdadeira conversão. Se converter, passa por um processo interior, que tem necessariamente, desembocar em uma atitude exterior, de mudança de atitude, e isso só se consegue com uma prática religiosa intensa, para que a sua espiritualidade vá melhorando, a sua censura vá diminuindo, e você consiga se sentir melhor, e o seu vazio interior vá se preenchendo com o amor divino.

A ARROGÂNCIA HUMANA DIANTE DE DEUS.
São tomás de Aquino, teólogo cristão do século XIII, afirmou que a mãe de todos os erros, é a arrogância. É dessa atitude, que todos os erros que cometemos, surgem. É dessa atitude, que o mal se instala dentro de nós, e nos leva à perdição. Nós seres humanos, vivemos em um mundo material, mas vivemos inseridos também em uma mundo espiritual incrível. A mesma energia que cria o material, é a mesma que cria o espiritual. E essa espiritualidade aparece em todos os aspectos da nossa vida, e se manifesta de várias formas. E a principal manifestação espiritual é o sentimento de amor. Amor é a base que sustenta todo o universo, e se manifesta dentro de nós. Podemos defini-lo como um sentimento de bem querer, de desejar o melhor, de bondade. Mas se prestarmos atenção, veremos que não existe palavras suficientes para compreendê-lo. Deus é o sentimento de amor, e não um ser que tem amor. Amar, antes de mais nada, é agir no bem, é praticar a virtude, é agir virtuosamente. Não tem como separar ação virtuosa de amor. Por isso, as pessoas que acreditam em Cristo, mas acham que não precisam praticar a virtude, estão se enganando. Elas vivem o ódio, e não o amor.

Quando tomamos uma atitude de arrogância em relação a deus, nós nos recusamos a nos submeter à vontade dele, a de nos sujeitar a esse amor, que incute uma vontade de bem querer dentro de nós. Deus é a propria realidade, quanto mais próximo de Deus mais sãos nos tornamos. Quando vemos a realidade, que já vem pronta, com seus valores já impregnados em nós através do amor divino, em nosso espírito, e não aceitamos esses valores se manifestando dentro de nós, estamos desafiando a realidade, ou seja, Deus. Então a arrogância que nos destrói, é essa rejeição direta que fazemos a deus em nosso interior, e que posteriormente se manifesta nas nossas atitudes sociais. É o nosso NÃO a deus e a seus valores. Por exemplo, todos nós sabemos como é importante o trabalho, e como ele nos preenche a nossa alma. Esse valor do trabalho é intrínseco a nós, e nasce com a gente. É um valor auto evidente. Mas através da nossa atitude de arrogância, nós recusamos a aceitar o valor do trabalho, e começamos a achá-lo cansativo, chato ou coisa de gente bitolada e sem graça. O que eu acabei de mostrar, é como nós recusamos o valores divinos que se manifestam em nós, ou melhor, a vontade divina e através da nossa arrogância, recusamos esse valor e o trocamos pela atitude de preguiça. E assim, nós nos distanciamos de deus ou da realidade.

O melhor antídoto para a nossa arrogância, sem dúvida nenhuma é a prática da humildade, e não há melhor lugar para você praticar a sua humildade, do que na igreja católica. Quando nós procuramos nos aproximar dele, da forma que cristo explicou, orando, jejuando, lendo a bíblia, indo à missa, praticando o amor, comungando, nós estamos justamente lutando contra a nossa arrogânica. Por isso, a humildade é, ou deveria ser, a marca da igreja católica. É lá que você luta contra a própria arrogância, e se aproxima da realidade, se tornando uma pessoa mais sã. Quanto mais próximos de Deus, mais sãos nós ficamos. Qualquer coisa fora disso, como psicoterapias alienantes, relaxamentos, repetir mantras, isensos, entre outras atitudes, só desvia a pessoa da chance de se aproximar da realidade.

Temos que perceber, que a igreja é feita e conduzida com pessoas iguais a nós, que agem de forma tão erráticas quanto nós. Então quando formos à igreja, devemos procurar deus dentro dela, e entender e perdoar os defeitos de quem a conduz. Não podemos cair no conto do vigário de satanás, onde ele se aproveita os escândalos que as pessoas cometem dentro das igrejas, para destruí-la. Se concordarmos com isso, nós estamos nos condenando também, pois cristo disse, que a única forma de nos salvarmos é através dela, e a salvação fora dela, se torna muito difícil. Se a condenarmos, e não quisermos mais frequentá-la, estamos nos condenando também.

Então podemos perceber, que a cura para qualquer mal estar que temos psicológico, ou espiritual, é sempre buscar a prática do amor. Temos que praticar o amor no dia a dia, através de atitudes virtuosas, como bondade, leveza de espírito, honestidade, esforço, temperança, temos que carregar o perdão dentro de nós, sempre dispostos a ajudar. E temos que praticar a humildade, na igreja como Cristo nos ensinou.

A INVEJA DE DEUS.
Quando nós tomamos uma atitude de arrogância, nós automaticamente entramos em uma atitude de ódio, pois se deus é o amor puro e o rejeitamos, estamos rejeitando o sentimento de amor, e entramos em uma atitude de ódio automaticamente. E nada nos cega mais, do que o ódio. Ele pode ser definido como uma rejeição a deus, devido à arrogância. A partir daí, começamos a querer destruir todos os valores que enxergamos, relacionados a deus.Isso se chama inveja. Como começamos a não aceitar os valores auto evidentes para nós, começamos a substituí-los por outros, que não são os dados por deus. Então em vez de ver honestidade como algo valoroso, começamos a enxergá-lo como algo que nos prejudica, ou coisa de otário. Substituímos a temperança pela gula, a bondade pela raiva, o trabalho pela preguiça, a calma pela raiva, a generosidade pela ganância, a alegria pela tristeza.Não suportamos nada de bom, como por exemplo, quando queremos destruir uma pessoa, ou ficamos com raiva quando ela consegue coisas boas e você não, na verdade nós não estamos suportando o bem que estamos enxergando, e intimamente nós identificamos o bem divino. Esse processo foi chamado de inversão de valores. Através da arrogância negamos os valores intrínsecos das atitudes, e as invertemos, e passamos a atacar o bem.

Então começamos a ver no trabalho algo chato, no honestidade um fraqueza, na alegria algo prejudicial, na bondade um ato de fragilidade, na temprança algo sem graça, e vemos no consumo de substânicias algo divertido, na preguiça algo engraçado, na desonestidade algo muito positivo e sem consequencias, e agressividade algo poderoso, e assim vai. É assim que o mal se instala dentro de nós, e à medida que vamos cultuando essas atitudes, fica cada vez mais difícil sair delas, até não suportarmos mais a presença divina.

O exemplo que podemos dar da bíblia, é de Cristo que chegou perto de um ser que foi possesso por espíritos, e quando o louco o vê, se contorce todo e pergunta para Cristo porque ele o torturava daquele jeito? Mas a resposta é bastante simples. Não é Cristo que o estava torturando, mas os demônios que estavam dentro daquele ser, inverteram tanto os seus valores internos devido à sua extrema arrogância, que viam em Cristo, algo que os prejudiva imensamente. E todos nós, sem excessão, temos esse tipo de atitude em relação a Cristo. Em maior ou menor grau.

O NARCISISMO.
Depois de negarmos a autoridade de deus, e entrarmos em um ódio pessoal contra Deus, nós negamos todo o valor dele, e começamos a atribuir todo o valor dele a nós mesmos. É a suprema inversão de valores. E isso se chama narcisismo. Não é só uma adoração ao corpo, mas um adoração a si mesmo, como divindade. E esse é o processo da loucura humana. Todos os processos humanos envolvem arrogância, inveja e narcisismo. Esse processo nos leva a uma decadência como seres humanos, se tornando um círculo vicioso. Primeiro nós tomamos uma atitude de arrogância contra deus, essa arrogância nos leva ao ódio a ele, pois ele é o amor puro, desse ódio nós invertemos todos os valores auto-evidentes para nós. Após isso, nós começamos a atacar o bem, em um atitude de inveja, destruindo tudo de bom em nossas vidas e na dos outros. E a suprema inversão, é quando deixamos de enxergar deus como deus, e começamos a nos exergar como uma espécie de deus. E esse narcisimo, só reforça a nossa arrogância, nos fazendo entrar em um círculo vicioso sem fim. E à medida que nos aprofundamos nessa atitude, chegamos a um ponto em que não conseguimos sair de tanto ódio a deus, nos condenando eternamente.É assim que o mal se instala em nós.

Muitas revoltas humanas, são calcadas nesse processo. Por exemplo, o comunismo, que pretende estabelecer uma sociedade sem Deus, onde o homem é o centro da sociedade, está calcada nesse processo. Ele surge da arrogância contra deus, E NÃO ACEITA se submeter à sua vontade, e quer impor a própria vontade, com valores próprios diferentes do de Deus. Depois descamba na inveja que é a destruição dos valores cristãos e foi onde surgiu o marxismo cultural, e termina no narcisismo, onde coloca o homem(estado) como centro da sociedade, assumindo um papel de substituto de Deus.

A partir desse processo de decadência, todas as patologias e sociopatologias humanas surgem. Compulsões alimentares e sexuais, obsessões, delírios, neuroses, psicoses, pensamentos obsessivos, stress, manias, timidez, agressividade, comunismo, falências, socialismo, revoltas, ditaduras e tantas outras atitudes que nos atormentam. Mas podemos resumir todas elas em uma, que é a tentativa do ser humano destruir Deus. Somos semelhantes aos demônios, que optaram pelo mal absoluto, e com isso, o único resultado que conseguimos, é o nosso próprio sofrimento. Por isso, a nossa sociedade sofre uma incrível influência de lúcifer e de seus seguidores. Eles que mandam no mundo, e não deus, como ele mesmo afirmava.

Recapitulando, devido à arrogância, nós invertemos os valores da vida. Vemos no mal um bem, e no bem um mal. Por exemplo, preferimos ficar na preguiça ao trabalhar ou estudar. Preferimos fantasiar, a ficarmos concentrados na realidade. Preferimos agredir, a sermos humildes. Preferimos trair ao invés de sermos francos ou honestos. Preferimos coisas que sabidamente nos prejudicam, ao invés de buscarmos coisas saudáveis para a nossa vida. Essa inversão de valores, vem diretamente da arrogância que temos em relação a deus. Queremos que a realidade seja como nós a imaginamos, e não aceitamos a realidade como ela é. Ela já vem pronta, e não precisamos criá-la, mas não aceitamos isso. E para desinvertermos as nossas percepções, precisamos perceber nossos erros diante de deus. O começo da conversão(que nada mais é do que uma desinversão de valores) passa pela percepção e arrependimento dos nossos erro. Depois devemos agir sobre o erro, tomando atitudes contrárias às que você tomou até àquele dia. Por exemplo, se eu sou agressivo, devo perceber primeiro que sou agressivo, e tentar sentir a culpa por essas atitudes. Depois devemos tomar atitudes de mais tranquilidade e amor, e aí sim, você se converteu. Só assim atingiremos um alto grau de sanidade.A partir daí podemos concluir :
– Só ama a Deus, quem percebe que o odeia.
– Só trabalha, quem percebe a própria preguiça.
– Só é honesto, quem porcura dentro de si, a própria desonestidade.
– Só é bom, quem percebe que é mal.
– Só é algre, quem percebe o quanto luta para se entristecer.
– Só vive bem, quem vê que gosta de dstruir tudo que tem de bom em sua vida.

Resumindo, só vive bem, quem busca dentro de si a consciência de seus erros ou pecados, sente o remorso, e vai em busca da conversão, através de uma atitude mais amorosa, com uma prática religiosa verdadeira. Então a suprema prática do bem, se dá na prática religiosa, e que acaba se refletindo em toda a sua vida. QUEM PRATICA O BEM AO PRÓXIMO, MAS NÃO TEM UMA PRÁTICA RELIGIOSA, SE TORNA UM SER SEM AMOR, POIS A MENOR DISTÂNCIA DO AMOR DIVINO, ESTÁ NA IGREJA.

A PSICANÁLISE CRISTÃ.
A idéia de que a psicanálise pode resolver todos os problemas do ser humano, é uma grande falácia. Ela não consegue tal façanha, apesar das afirmações dos psicoterapeutas. Ao contrário do eles pensam, ela atua de uma forma muito superficial no ser humano, e só consegue mudar alguns leves aspectos sobre a personalidade das pessoas,e isso só depois de muita análise. Nós temos de perceber, que a psicoterapia em geral deixa muito a desejar, e está faltando um elemento essencial, para que se consiga tal mudança. E esse elemento é a religião. Psicoterapia sem religião, é o mesmo que nada. A terapia seria a teoria, onde mostra os nossos defeitos perante deus, nos dá consciência e nos indica o caminho a ser tomado. A religião é a prática do amor. É onde você pode expressar e praticar todo o seu amor a deus. Quando você faz isso, se esforçando para amar a deus, mostrando seus erros diante dele, procurando tomar uma atitude melhor perante ele, você se enche de amor. Quando você só faz a psicoterapia, você está se informando, mas não está se enchendo de amor. Na religião, quando você aprende a amar Cristo, você na verdade, está aprendendo a amar o amor. Está se enchendo desse sentimento, e está se curando espiritualmente. Quando você busca o amor em Cristo, você também tem consciência de seus enganos, e começa a se corrigir. A psicoterapia, como o próprio Freud reconheceu, não reúne forças para vencer a censura que o paciente tem, em ver seus próprios problemas. Isso acontece, porque estamos cercados por uma espiritualidade negativa atuante, que impede que vejamos os nossos erros. Isso só acontece, porque nos permitimos envolver nessa espiritualidade negativa, pois vemos vantagens nela.Mas para sairmos dela, precisamos de uma ajuda externa, que só se consegue através da religião. Á medida que nos envolvemos com ela, com a maior honestidade possível, a visão dos nossos erros, vão se tornando leves, e com uma maior consciência ou epiritualidade, sua vida melhora e muito.

Hoje, se busca no terapeuta, o que só se consegue através de deus. É uma incrível pretensão do ser humano, querer ajudar o outro, sem incluir deus. E os terapeutas acreditam tanto nisso, que buscam cercar o paciente, como se o terapeuta fosse dar o conforto, que só deus pode dar. Hoje se escuta muito, pessoas que não estão se sentindo bem consigo mesmas, falarem que vão procurar um psicólogo. Não façam isso. Primeiro busquem a deus, e depois busquem uma ajuda de um profissional bom, por mais raro que seja.

Os defeitos mais graves que podemos visualizar nas psicoterapias, podem ser inumeradas da seguinte forma :
– a psicologia moderna aboliu qualquer forma de espiritualidade. Afirmam que religião e deus são meras crendices sociais, que só servem para dar algum conforto. Uma invenção, sem base na realidade.Eles se utilizam de um materialismo absoluto. E a arrogância humana aparece como nunca nesses psicoterapeutas, pois não é mais quem nos criou, mas somos nós que criou deus em nossas mentes.Assim, eles tiram qualquer chance da pessoa se sentir melhor. E para justificar tal asneira, eles inventaram vários corpos teóricos, um pior que o outro.
– também tem a psicologia espiritualista, que utiliza da auto-religião, e afirmam que o universo vai fazer o que você quer, que é você que cria a realidade à sua volta, e para isso tem que usar técnicas como pensamento positivo, repetir frases positivas, entre outras asneiras. Mas a linguagem e o pensamento, fazem parte da realidade. Eles não criam a realidade, mas estão inseridas na realidade. Então você está com mil problemas, e fica repetindo frases positivas, imaginando uma luz positiva em torno de si,e o resultado é simplesmente nulo. O único que pode mudar a sua realidade, e o único que tem poder para isso, é deus. Na verdade, essa religião da nova era, nada mais é, que um desafio direto a deus,onde atribuímos a nós, um poder que só deus tem. E isso é satanismo.

– As psicoterapias que tentam ser mais honestas com a realidade, ainda não conseguem resolver o problema humano. Elas viciam as pessoas na própria psicoterapia, e induzem as pessoas a entrar em um estado de interpretose crônica. Os pacientes se alienam, se interpretando e interpretando os outros. O analista se sente importante, pois o procuram, mediante pagamento, para resolver os seus problemas. Os analistas normalmente são muito ciumentos. Possuem um narcisismo incrível, e uma arrogância à prova de balas. Eles começam a acreditar na própria fantasia de que eles são os doadores do bem, e não admitem nada além do que eles próprio falam. Quando os alunos de Freud alertaram ele de que estava exagerando na questão sexual, ele não quis saber. O duro, é ver gente defendendo as primeiras idéias de Freud, sem nenhuma espécie de revisão.

– Quando o analista acha que pode curar todos os problemas do outro, e alimenta a dependência de seus pacientes em relação a ele, como se ele fosse um substituto de cristo, na verdade, está impedindo de que o paciente se aproxime de deus, e tenha uma mudança significativa em sua vida. Nossa senhora, avisa que quando falarmos de deus, temos que fazer o possível para não chamar-mos a atenção para nós mesmos. Quando fazemos isso, atrapalhamos a percepção das pessoas para deus. O oposto que os analistas fazem.

– O que nós seres humanos podemos fazer pelo próximo é muito pouco, mas o que deus pode fazer por nós, é infinito.

– O grande problema de toda psicoterapia, como o próprio Freud reconhecia, é que ela não reúne as forças necessárias para superar as resistências à visão dos erros diante de Deus(pecados) dos pacientes.E sem essa percepção, não existe uma melhora. Melhorar, é tomar uma atitude mais próxima do amor divino. Lógico que Freud não conseguiu curar ninguém, com a sua teoria sobre a sexualidade, que alguns imbecis ainda conseguem adotar em seus tratamentos. O que ele não percebeu, já que ele era materialista, é que essa censura, vem DIRETAMENTE da espiritualidade humana, como nossa senhora deixa bem claro. Não temos como vencê-la sem a intervenção dela. Por isso, psicoterapia adiantam muito pouco. Por isso o ser humano pode fazer muito pouco pelos seus semelhantes, e a diminuição da censura da visão dos nossos erros, só se dá através de um envolvimento em uma espiritualidade boa, através dela.

– A análise com o tempo, e sua mania interpretativa, seca o amor das pessoas, destruindo todo o sentimento que existia nela. Como ela se vê como um substituto científico para a religião, coloca na cabeça dos seus pacientes que através do tratamento psicanalítico, vai resolver todos os seus problemas. Com essa atitude, onde as pessoas são induzidas a procurar o analista em vez da religião, as pessoas vão perdendo contato com a vivência do amor, que só se encontra na religião, e se tornam maníacos dependentes. As pessoas que fazem análise, e não são muito desequilibradas, logo percebem a arapuca em que estão se metendo, logo saem do tratamente. E não pense que isso é fácil. O analista o acusará de todas as doenças possíveis, afirmará que você está rejeitando o tratamento, que sem ele, qualquer resquício de sanidade sumirá de dentro de você, que sem ele, a sua vida estará perdida. Os psicanalistas, são a prova viva, de que o ser humano, é desequilibrado demais para ser analista de outro. No começo até ajuda, mas não demora muito, para ele despeje toda a sua raiva e loucura em cima do paciente. O máximo que um analista consegue, é transformar o paciente num louco igual a ele.

– A interpretose psicanalítica se torna mais importante que a indução da pessoa à prática de ATOS ligados ao amor(afeto). É óbvio, que para se praticar o bem, temos que ter um contato direto com os nossos erros, não tem como separar os dois. Mas é no tratamento psicanalítico que isso peca. O psicanalista se encanta tanto com o seu método de cura, que esquece que a intenção de mostrar os erros ao seu paciente, é induzi-lo a praticar o bem. E aos poucos vai levando suas pobres vítimas à uma arapuca interpretativa, que NÃO RESOLVE NADA. Com isso, percebemos que não precisamos de grandes teorias interpretativas, que já existe aos milhares. Basta usar seu bom senso, e ver atitudes não condizentes com a MORAL CRISTÃ, e mostrar para a pessoa o que ela está fazendo, que devido à censura dela, não percebe, e induzi-la à uma atitude moralmente elevada. É exatamente o que a religião honesta faz.

É nesse pequeno detalhe, e aí vemos a importância relativa de se mostrar todos os problemas de uma pessoa, que uma psicanálise científica pode ajudar. Resumindo : não está se sentindo bem, vá fazer algo produtivo e bom. Veja o caso famoso de uma paciente de Freud, Ana O.. Ela fez análise de interpretação freudiana, com o próprio Freud, durante anos. Sofria de histeria, e era uma pessoa bastante perturbada. Freud propagandeou, para todo mundo, que ele a havia curado. Mas foi uma grande mentira dele. Na verdade, depois que ela abandonou o tratamento, ela foi internada em santatórios mais tres vezes. Alguns anos depois, ela começou a se preocupar com trabalhos sociais, e acabou se tornando ativa e produtiva. Aí seus sintomas melhoraram. Quer dizer, quem curou ela, foi ELA MESMA, ao PRATICAR A VIRTUDE. As interpretações, foram uma incrível perda de tempo, pois não a induziam à virtude e nem ao amor.Quando praticamos a virtude, estamos nos ligando a deus, ao seus amor, e nos sentimos melhor. Interpretar, só se for para melhorar a sua atitude. Então a moral cristã, antes de mais nada, é a cura para os nossos males.

Mas podemos praticar o bem sem o amor devido. Por isso, a ação virtuosa, tem que vir cheia de sentimento de amor, que só conseguimos através de cristo, e só nos conectamos a ele através da religião. Conheço pessoas que trabalham o dia inteiro em um estado de raiva incrível. Está sendo virtuoso, mas está agindo sem amor, dentro de uma visão invertida do trabalho. Se torna uma casca de nós, vazia por dentro.Socialmente ela é até legal, mas por dentro ela está sofrendo. Nesse caso, a pessoa não está usufruindo do bem que pratica, tem uma atitude espiritual melhor, mas está longe de ser feliz. E conheço pessoas que vão sempre à igreja, mas não fazem nada de bom. Essa pessoa é muito pior, pois não vai à igreja para louvar a deus, mas vai lá, para louvar a si mesmo. É a famosa pessoa hipócrita, que cristo tanto rejeitava. Essa sofre muito mais, que a pessoa virtuosa sem deus.

resumindo, todas as teorias malucas psicanalíticas criadas pelo homem, são um desvio da verdadeira cura. Acredite, ninguém tem inveja de pênis, e não somos como ratos de laboratório. Você conhece algum rato, que morreria por amor ao próximo?

Por que se chama psicanálise cristã ? Essa psicanálise, é uma tentativa de repetir a atitude de Nossa Senhora, com os nossos semelhantes. Ela quando aparece para nós sempre busca :

– Mostrar os erros que cometemos, diante de deus.

– Sempre pede para buscarmos deus na igreja, e respeitar os sacramentos da igreja.

– Sempre mostra um amor incondicional a nós.

– Não cobra nada para fazer isso.

– Nos alerta que depois da morte, podemos ser condenados. Isso cria em nós, um temor saudável, nos obrigando a pensar nos nossos erros. Bem diferente da idéia que se tem hoje, de que o inferno não existe.

– Nos explica as verdades de deus. Nos mostra a importância de se ter deus no coração.

– Nos induz à uma atitude virtuosa, de santidade.

– Pede incessantemente para que rezemos. Todo mundo quer fazer o bem, mas se esquecem que a atitude de maior amor que podemos ter, é a da oração.Quando oramos, percebemos a nós mesmos, aliviando a nossa censura à visão dos nossos erros, e aos poucos, a consciência do amor universal nos invade, e devagar, vamos melhorando a nossa atitude espiritual.

– O mais importante, que a Nossa Senhora não cansa de repetir, é que os problemas que nós temos, é devido à grande influência do mundo espirtual em torno de nós. Vivemos muito mais no espiritual do que no material, mas não percebemos esse processo claramente.Somos cercados por uma espiritualidade negativa muito forte em torno de nós. Ela chega a afirmar que qualquer dúvida em relação a deus, que nós temos, vem diretamente do maligno. Para resolvermos os nossos problemas, precisamos nos envolver com uma espiritualidade boa, e através dessa influência, nós conseguimos melhorar a nossa atitude. E quem propicia uma espiritualidade boa, é somente deus, e não os psicoterapeutas.(apesar deles não saberem disso).

Resumindo, a verdadeira psicóloga da humanidade é a Nossa Senhora, e se nós, quisermos realmente ajudar o próximo, temos que repetir a sua atitude em todos os aspectos, com os nossos semelhantes.

MAS QUAL SERIA A PROPOSTA DE TRATAMENTO?

Como vimos, o ser humano não tem sanidade suficiente para ser analista de outro. Quem estuda a verdadeira história de Freud, só para dar um exemplo, vê o desequilíbrio de sua personalidade. E não se iluda, todos, em maior ou menor grau, fazem o mesmo. Eu, para não ter medo de errar, encampo mais uma vez a atitude que Nossa senhora tem conosco, e proponho para melhorar a felicidade de uma pessoa, o que ela mesma propõe para nós.

1 – TEMOS QUE PERCEBER NOSSOS ERROS DIANTE DE DEUS.
Nossa senhora, frisa bem esse aspecto. Temos que perceber nossos erros, para podermos ter uma atitude verdadeira de arrependimento, e melhora de espiritualidade. Perceber as nossas atitudes, é fundamental para melhorarmos espiritualmente. Como ela diz, sem uma verdadeira confissão, não temos como entrar no reino do céu. Em suas previsões tanto em Anguera, Bahia, como em Garabandal, Espanha, ela declarou que nós, no final de toda a tribulação, seríamos obrigados a encarar os nossos erros diante de Deus, de forma individual, em uma espécie de tela mental, ou um espelho como ela fala, para sentir o mal de nossos pecados. Sem isso, é impossível a melhora espiritual. E esse é o grande problema das missas. Não tem como fazer uma missa, e individualizar os problemas de cada pessoa. Mesmo porque os nossos padres, não tem capacidade para fazer isso.
Nossa senhora, em função desse problema, pede para que nos confessemos diante do padre. Não para dar satisfação da sua vida a ninguém, mas para que a pessoa tenha momentos de reflexão sobre os seus problemas, e possa percebê-los. Mas, como a igreja virou um balaio de gatos, e não sabemos mais se o padre é um ser bom, mau, comunista ou pedófilo, Nossa senhora nos deu uma alternativa, e pede para confessarmos diante da cruz também. Nessa confissão sincera, onde você busca a visão dos seus erros, COM A LEVEZA DO AMOR DE CRISTO, aos poucos a pessoa vai se descobrindo e aprendendo a pedir perdão a deus por seus erros. O importante, é tentar enxergar os seus erros, como cristo os enxerga, com leveza e amor. Se cedermos aos nossos instintos e à espiritualidade negativa que nos cerca, vamos ver os nossos erros com muita raiva. E aí não adianta. Esse massacre que fazemos e a censura que criamos à percepção dos nossos erros, só serve aos demônios. Não precisamos ficar nos chicoteando, como alguns santos faziam antigamente. Os seres malignos que nos cercam, não querem que percebamos nada, pois se assim o fizermos, nós nos aproximamos de deus. Essa atitude que os analistas tem de ficar massacrando o paciente com seus erros, só serve ao demônio. Ver os nossos erros diante de deus, nos eleva como seres humanos, pois nos aproximamos do divino. Nos deixa leve em espírito, e nos aproxima do amor de deus. Aumenta o nosso amor, e nos conduz rumo a uma atitude espiritual correta, nos tornando seres felizes.
Para ajudar na confissão individual de cada ser humano, a psicanálise cristã vai expor o máximo de erros que cometemos internamente, em artigos, textos, e a pessoa que realmente procura deus, e quer fazer uma boa confissão, possa perceber seus pecados. Não adianta agendar análise, esse encontro não resolve praticamente nada, e com o tempo, só prejudica. Pode-se também fazer reuniões, onde atitudes doentias são explicadas, tentando levar as pessoas a uma atitude mais sã, como trabalhar e estudar, em vez de ficar assistindo tv em casa, ser afetivo com os amigos, em vez de desejar todo o mal, toda vez que é provocado, não ser tão materialista, buscar a bondade divina em tudo o que faz, e assim por diante. Talvez, nesses encontros, pode-se falar alguns defeitos pessoalmente de uma ou outra pessoa, mas de forma leve e rápida, exatamente como Nossa senhora falou que seria, na nossa conscietnização forçada, no final das grandes tribulações. Mas ela mesmo afirma que isso não é o suficiente. Tem que haver esse encontro com Deus, na igreja, para essa vivência do amor, onde percebemos a infinita bondade de Deus, para que nos conforte e nos cure.

O que é Psicanálise ???

Psicanálise é um método desenvolvido pelo médico neurologista alemão Sigmund Freud, para tratar de distúrbios psíquicos a partir da investigação do inconsciente.


Conceituação

A psicanálise surgiu na década de 1890, com Sigmund Freud, um médico interessado em achar um tratamento efetivo para pacientes com sintomas neuróticos ou histéricos. Conversando com os pacientes, Freud acreditava que seus problemas se originaram da inaceitação cultural, sendo assim reprimidos seus desejos inconscientes e suas fantasias de natureza sexual. Desde Freud, a psicanálise se desenvolveu de muitas maneiras e, atualmente, há diversas escolas.

O método básico da Psicanálise é a interpretação da transferência e da resistência com a análise da livre associação. O analisado, numa postura relaxada, é solicitado a dizer tudo o que lhe vem à mente. Sonhos, esperanças, desejos e fantasias são de interesse, como também as experiências vividas nos primeiros anos de vida em família. Geralmente, o analista simplesmente escuta, fazendo comentários somente quando no seu julgamento profissional visualiza uma crescente oportunidade para que o analisante torne consciente os conteúdos reprimidos que são supostos, a partir de suas associações. Escutando o analisado, o analista tenta manter uma atitude empática de neutralidade. Uma postura de não-julgamento, visando a criar um ambiente seguro.psicanalise

O conceito de inconsciente fora usado por Leibniz 200 anos antes de Freud, também sendo usado por Hegel para construir sua dialética hegeliana.

A originalidade do conceito de Inconsciente introduzido por Freud deve-se à proposição de uma realidade psíquica, característica dos processos inconscientes. É preciso diferenciar inconsciente, sem consciência, de Inconsciente, conforme elaborado por Freud, que diz respeito a uma instância psíquica basilar na constituição da personalidade.

Muitos colocam a questão de como observar o Inconsciente. Se a Freud se deve o mérito do termo “inconsciente”, pode-se perguntar como foi possível a ele, Freud, ter tido acesso a seu inconsciente para poder ter tido a oportunidade de verificar seu mecanismo, já que não é justamente o inconsciente que dá as coordenadas da ação do homem na sua vida diária. É nesse sentido que Freud formulou a expressão Psicopatologia da vida cotidiana. Como observá-la senão pelos efeitos inconscientes?

A pergunta por uma causa ou origem pode ser respondida com uma reflexão sobre a eficácia do inconsciente, eficácia que se dá em um processo temporal que não é cronológico, mas lógico. Não é possível abordar diretamente o Inconsciente, o conhecemos somente por suas formações: atos falhos, sonhos, chistes e sintomas.

Outro ponto a ser levado em conta sobre o inconsciente é que ele introduz na dimensão da consciência uma opacidade. Isto indica um modelo no qual a consciência aparece, não como instituidora de significatividade, mas sim como receptora de toda significação desde o inconsciente. Pode-se perguntar: de que modo o inconsciente poderia estar informado sobre os progressos da investigação psicanalítica a menos que fosse, precisamente, uma consciência?

Correntes, dissensões e críticas
Diversas dissidências da matriz freudiana foram sendo verificadas ao longo do século XX, tendo a psicanálise encontrado seu apogeu nos anos 50 e 60.

Entre as principais dissensões, registra-se a de Reich, em 1930, e de Fromm, um pouco depois, preconizando este psicanalista que o estudo do amor deveria superar a visão sexista vigente.

A visão da Psicanálise de Sigmund Freud trouxe avanços principalmente nos estudos mais atuais. Podemos observá-los na aprendizagem, cura de fobias e traumas, medos, estado emocional e outras contribuições de mecanismos e de problemas transderivacionais do cérebro.

Sua contribuição para o conhecimento humano e sua psicologia é inegável. O verdadeiro choque moral provocado pelas idéias de Freud serviu para que a humanidade rompesse seus tabus e preconceitos na compreensão da sexualidade. … Sendo assim, a psicanálise estuda de forma aleatória a mente do ser humano baseado em seus relatos.

Centenário
Em 1995 a Psicanálise completou um século como a ciência do Inconsciente. A Psicanálise, além de ciência, é também um método de tratamento de doenças psíquicas e, inclusive, um método de pesquisa. A fonte teórica inicial da Psicanálise é a Neuropatologia. Após Freud, muitos outros psicanalistas contribuiram para o crescimento do corpo teórico da Psicanálise, pois todo o conhecimento científico é acumulativo e progressivo.

A formação de um psicanalista é um processo lento, longo e difícil. É feita em Institutos de Psicanálise de Instituições Psicanalíticas. Entretanto é comum confundirem psicólogos com psicanalistas.

A sexualidade humana, berço da vida e do amor, pode ser ao mesmo tempo o berço de neuroses, psicoses, desvios narcísicos de personalidade e é também a nascente inicial da Psicanálise. A sexualidade em Freud deve ser entendida em seu sentido amplo e não restrito, ou seja, a sexualidade como manifestação do prazer no organismo.

A cura psicanalítica (segundo os psicanalistas) é um processo lento e gradativo. Quando uma pessoa precisar de um psicanalista, deve recorrer a uma Instituição Psicanalítica que lhe indicará alguns nomes para a sua escolha.

Um dos grandes empecilhos para o tratamento psicanalítico é o alto custo das consultas e do tratamento por consequência, o que faz da psicanálise algo restrito às classes mais abastadas. Essa situação ocorre mesmo em países de alto padrão de vida.


Autores importantes

. Alfred Adler
. Sigmund Freud
. Erich Fromm
. Carl Jung
. Lacan
. Melanie Klein
. J.-B.Pontalis
. Wilfred Bion
. Donald Winnicott
. Jean Laplanche

Jacques Derrida

Da infância pobre na Argélia até consagração e polêmicas, vida do filósofo é narrada em livro de Benoît Peeters, que vem ao Brasil para palestras em São Paulo, Rio de Janeiro e Juiz de Fora

 


Na noite de 14 de agosto de 2004, exatamente um ano e três meses após receber o diagnóstico de um câncer no pâncreas, o filósofo franco-argelino Jacques Derrida embarcava em um voo com destino ao Rio de Janeiro. Dois dias depois, para um auditório lotado de brasileiros e estrangeiros, Derrida proferiu a sua última conferência: “O perdão, a verdade, a reconciliação: qual gênero?”. O ponto de partida era a África do Sul pós-apartheid e o estabelecimento da Comissão da Verdade e Reconciliação. A participação no colóquio “Derrida: pensar a desconstrução” foi sua última palestra. Ele morreria apenas dois meses depois.

Debilitado, um mês antes da viagem Derrida confidenciou ao organizador do evento e seu amigo pessoal, Evando Nascimento, que talvez não conseguisse comparecer. Nascimento, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e seu ex-aluno, o deixou à vontade, mas o filósofo decidiu comparecer. É o que conta o escritor e crítico Benoît Peeters na biografia “Derrida” (Civilização Brasileira), publicada na França em 2010 e que será lançada em uma série de eventos em São Paulo (dia 13), no Rio de Janeiro e em Juiz de Fora (dia 16)) a partir de segunda-feira. No Rio, Peeters fará uma palestra na midiateca da Maison de France, no Centro, quarta-feira, dia 15, às 18h.

Para o biógrafo, a viagem foi a forma encontrada pelo maior pensador do desconstrucionismo de se sentir vivo.

— Ele estava muito doente, mas acho que Derrida se sentiria morto quando deixasse de ser ativo. Mesmo muito doente, com um câncer em fase terminal e sofrendo bastante, o fato de vir ao Brasil, participar de um colóquio inteiro, proferir uma longa conferência, responder aos debatedores, tudo isso foi a forma dele de se sentir vivo e esquecer da doença num primeiro momento. Outra coisa foi o respeito pela palavra dada — conta Peeters, em entrevista por telefone.

Arquivador obsessivo

Na biografia, Peeters descreve com riqueza de detalhes todas as etapas da vida de Derrida, desde a infância humilde na família judaica na Argélia, a chegada à França, o bloqueio sofrido na academia francesa, a consagração mundial a partir dos Estados Unidos e sua não menos intensa vida após a descoberta do câncer. Para reconstruir todos esses passos, Peeters entrevistou mais de cem pessoas que conviveram com o filósofo, reuniu todas as suas entrevistas e textos publicados na imprensa e realizou uma minuciosa pesquisa nos arquivos pessoais do pensador, divididos entre a Universidade da Califórnia, em Irvine, e o Instituto Memória das Edições Contemporâneas (IMEC), na França. Além de fazer uma busca obstinada pelas cartas trocadas pelo filósofo com amigos, jornalistas e editores espalhadas pelo mundo.

O trabalho foi recompensador pela própria relação obsessiva que Derrida mantinha com os seus arquivos, segundo o biógrafo, pois guardava até os bilhetes deixados em sua sala na École Normale Supérieure (ENS), em Paris, onde lecionou entre 1964 e 1984. Com o advento dos computadores, ele começou a produzir diversas cópias dos seus arquivos e tinha um medo terrível de perdê-los. Para Peeters, ao guardar esse rico material e mantê-lo aberto ao público, ele antecipou sua futura biografia.

— A biografia era irrepresentável para ele, pois a biografia coloca a morte. É a morte que confere sentido a uma vida e permite que esta seja considerada como um todo. Imaginar a sua biografia seria imaginar o seu próprio fim, imaginar o momento em que os outros entrarão naquilo que é mais íntimo, eventualmente com respeito, mas também com indiscrição e brutalidade.

A biografia permite compreender como a infância e a juventude no norte da África influenciaram toda a sua produção intelectual, mais notadamente a partir do final da década de 1980. O antissemitismo na colônia foi muito mais forte do que na metrópole, e Derrida e os irmãos ficaram anos proibidos de frequentar a escola.

Para Peeters, o que o marca é a falta de uma sensação de pertencimento, principalmente quando ele, aos 19 anos, é enviado a Paris para cursar o preparatório do liceu Louis-le-Grand, conhecido pelo grande índice de aprovação na ENS. No liceu, Derrida dividiu bancos e corredores com Michel Serres, Michel Deguy e Pierre Bourdieu, então jovens aspirantes como ele.

Os retornos durante as férias à Argélia foram duros. Sem se sentir francês, ele também não era mais argelino. Derrida era sempre um estrangeiro. Esse sentimento se reflete em seus trabalhos e é potencializado pelas dificuldades institucionais que enfrentou. De acordo com o biógrafo, seu pensamento radical e seu estilo de fazer filosofia, que beirava a literatura, não foram bem recebidos na academia francesa. A difusão do seu pensamento explode a partir de suas viagens a universidades americanas, onde teve calorosa recepção nos departamentos de Literatura, e depois de Direito e Belas-Artes. Apesar de preterido na sucessão de Paul Ricoeur na Universidade de Paris X-Nanterre e ter a entrada recusada no Collège de France, Derrida alcançou o posto de diretor da École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS).

A intensa vida intelectual do filósofo é contada no livro, incluindo as várias polêmicas com Michel Foucault, Claude Lévi-Strauss, Jürgen Habermas, entre outros. Peeters recusa, entretanto, o termo “biografia intelectual”, algo considerado impossível pelo próprio Derrida, notoriamente fascinado pela vida privada dos grandes filósofos. O autor explica que quis contar “a história de um homem inserida no seu contexto e de suas ideias em movimento”, sem mimetizar o peculiar estilo derridiano.

Derrida sempre manteve uma relação tensa com a morte, que sentia como “um espanto incansável diante daquilo que nunca compreenderei ou aceitarei”. No entanto, escreveu homenagens póstumas a amigos como Roland Barthes, Gilles Deleuze, entre vários outros. Os textos foram editados no livro “The work of mourning” (“A obra do luto”, em uma tradução livre), organizado por Pascale-Anne Brault e Michael Naas e lançado nos Estados Unidos em setembro de 2003, quatro meses após a descoberta do câncer. O filósofo cedeu farto material inédito, inclusive o que leu na cremação de Maurice Blanchot, em fevereiro daquele ano. Para amigos, Derrida apontava o dia da cerimônia como a origem simbólica da doença que o mataria.

Jacques Lacan

Biografia – Jacques Lacan (1901-1981)

     Filósofo e psicanalista francês. Suas idéias de fundo estruturalista abalaram o cenário psicanalítico da França a partir da década de 1960.

     A influência de Lacan, tido como intérprete original da obra de Freud, estendeu-se além do campo da psicanálise e fez dele uma das figuras dominantes na vida cultural francesa na década de 1970.

     Jacques Marie Lacan nasceu em Paris, em 13 de abril de 1901, de família burguesa e católica. Formou-se em medicina, especializando-se em psiquiatria, e foi interno de Gaétean de Clérambaut, a quem considerava seu único mestre no campo psiquiátrico. Com a tese de doutorado La Psychose paranoïaque dans ses rapports avec la personnalité (1932; A psicose paranóica em suas relações com a personalidade), mostrou impressionante erudição e simpatia pela psicanálise, numa época em que preconceitos obstavam sua disseminação na França.

     Lacan buscou a companhia dos artistas do surrealismo, atraídos pelo caráter revolucionário das teses freudianas. Acompanhou o famoso seminário de Alexandre Kojève sobre Hegel e se ligou a intelectuais de ponta do pensamento francês, entre eles Raymond Aron, Maurice Merleau-Ponty e Georges Bataille. Em 1934, entrou para a Sociedade Psicanalítica de Paris. Em 1936, apresentou num congresso seu trabalho sobre o “estágio do espelho”. A partir daí, sua história se confunde com a da própria psicanálise.

     Conhecedor profundo da obra de Freud, Lacan empreendeu ao mesmo tempo um retorno e uma revolução em direção a uma psicanálise que para ele havia perdido o sentido original. O retorno visou resgatar os fundamentos psicanalíticos, que para Lacan se encontram no próprio conceito de inconsciente. Para empreender sua grande crítica às vertentes americana e francesa da psicanálise, cujo tema central é a discussão sobre o imaginário, pesquisou a linguagem e deduziu que é ela a condição de existência do inconsciente, que só existe no sujeito falante.

     Numa retomada crítica dos conceitos saussurianos de “significante” e “significado”, Lacan afirmou a autonomia do significante e o inseriu na origem simbólica, constituída pela linguagem. Afirmou que o significante preexiste ao sujeito e sobrevive a ele, faz do sujeito homem ou mulher, traça seu destino e o priva de qualquer relação natural com o mundo.

     Lacan não é um autor simples nem fácil. Seus conceitos demandam, além de uma carga exaustiva de leitura, uma inversão do pensamento racional e linear a que está habituada a cultura ocidental. Em seus Écrits (1966; Escritos) e vinte seminários abordou temas tão complexos quanto polêmicos, como a ética da psicanálise, a transferência, o princípio do prazer e conceitos fundamentais da psicanálise, entre outros.

     Em 1980, dissolveu a Escola Freudiana de Paris, que fundara em 1964, e criou a Escola da Causa Freudiana. Lacan faleceu em Paris, em 9 de setembro de 1981.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

Outra Biografia

     Nasceu em París em 13 de abril de 1901, sendo um dos quatro filhos de um comerciante de vinagres . Durante a primeira guerra mundial, o colegio a que asistia se transformou em uma especie de hospital de campanha, e é provavel que esta experiencia tenha arraigado nele o desejo futuro de uma carrera médica. No entanto, tambem por aquela época, Jacques-Marie era definido por quem o conheceu como altaneiro e distante, incapaz de organizar seu tempo e de comportar-se como os demais.

     A agitada vida intelectual de sua época, na qual figuras como André Breton, André Gide, Jules Romains, James Joyce atraíam cada vez mais sua atenção, é vivida por ele de forma tal que rechaça os valores familiares e cristãos nos quais havia sido educado. Em 1929, sofre uma profunda decepção pela partida de seu irmão Marc para a Abadia de Hautecombe. Havia decidido ordenar-se sacerdote e Jacques, que sempre havia sido seu protetor, não havia podido evita-lo.

Ao iniciar sua carreira médica, as ideias de Freud estavan ganhando cada vez más espaço dentro do pensamento frances. Havia sido criada a revista “Evolution Psichiatrique” e havia sido fundada, no mesmo dia em que Lacan fazia sua primeira apresentação como médico neurólogo, a SOCIETE PSYCHANALYTIQUE DE PARIS. Por outro lado, a literatura tambem havia acolhido com entusiasmo a nova concepção da sexualidade humana que provinha da psicanálise.

Entre 1927 e 1931 realizou os estudos necesarios para a especialização em psiquiatria. Desta época resaltam seus contatos com Henri Ey, Pierre Mâle e outras figuras daquele tempo. Tres mestres que deixaram sua influência nelel foram Georges Dumas, Henri Claude e G.Clérembault.

     Em junho de 1932 começa sua análise com Rudolph Loewenstein, quem por aqueles tempos era considerado como o melhor analista didático da SPP. Este único passo de Lacan por uma experiencia psicanalítica na qual ocupara o lugar de analizando, finalizaria abrupta e violentamente seis anos mais tarde. Na realidade, se presume que as razões que levaram Lacan a analizar-se com Loewenstein foram mais políticas que científicas, transformando-se assim a cura em algo mais parecido a um requisito que sabía indispensavel se quisesse ocupar posições de maior nivel dentro da SPP. Em alguma ocasião se ocupou de manifestar que, em verdade, Loewenstein não era o suficientemente inteligente para analiza-lo. Por seu lado, tampouco Loewenstein se privou de comentar entre seus achegados que Lacan era inanalizavel.

Logo após algumas relações amorosas vacilantes, em 1934 contrai matrimonio com Marie Louise Blondin, que era irmã de um antigo companheiro de estudos de Lacan, que este admirava profundamente. Da união nasceram tres filhos: Caroline (1936), Thibaut (1938) e Sibylle (1940). A paternidad não afetaria, no entanto, o tempo que dedicava a seus trabalhos e a divulgação dos mesmos.

Em 1941 se divorcia de M.L.Blondin e se une com Sylvia Bataille, ex-esposa de Georges, com quem tem uma filha: Judith Sophie(1941). Curiosamente, o criador do nome do pai, não pôde dar seu nome a esta nova filha, por que a lei francesa lhe proibia por não estar oficialmente divorciado até então de sua primeira esposa, e a criança foi inscrita como Judith Sophie Bataille

Em 1934 passa a ser membro aderente da SPP. Assiste ao congresso da ASOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE PSICANALISE em Marienbad, onde apresenta seu trabalho sobre o estágio do espelho (1936). Lacan consegue, finalmente em 1938, ser nomeado titular da SPP, depois de exercer pressão para que não se tivera em conta algumas opiniões desfavoráveis a sua candidatura, entre elas as de Loewenstein.

     Sob o signo de um retorno a Freud, replantou conceitos psicanalíticos através do estruturalismo e a linguística, o que marca a influência de Saussure e da antropologia de Lévi-Strauss em sua obra. Assim mesmo, foram muito importantes para as conceitualizações teóricas que tenha desenvolvido as leituras de Husserl, Nietzche, Hegel e Heidegger. Poderia dizer-se que Lacan leu Freud desde uma exterioridade: psiquiatria, surrealismo e filosofía.

A partir do interesse comum pela obra de Hegel, começa uma amizade com Georges Bataille, de quem toma seu interesse por Sade, suas reflexões sobre o impossível e sobre a heterología, de onde toma o conceito de “real”, concebido primeiro como “resto” e depois como “imposível”.

A concepção lacaniana de inconsciente como estrutura também esta plena da influencia da obra de Lévi-Strauss. Por outro lado, os laços que Lacan estabelece com Koyré, Kojève, Corbin, Heidegger, Hyppolite, Ricoeur, Althusser e Derrida, mostran que para ele todo questionamento do freudismo devia passar por uma interrogação de tipo filosófico.

A notoriedade que lhe proporcionou a frequentação do meio intelectual parisiense havía aportado a Lacan uma pequena clientela privada, porém até 1947 não recibeu demasiados pedidos de análises didáticas. Foi o médico pessoal de Picasso.

Em 1953 apresenta sua demissão a SPP. As novas formulações que havia introduzido, em particular as relativas a prática da cura, fizeram que os setores mais ortodoxos da SPP o acusaram de semear a discordia na instituição e a rebelião nos que eram seus alunos.

Se une com Lagache para fundar a Sociedade Francesa de Psicanálise (SFP) e durante os dez anos que durou a SFP, encontrará em Francoise Dolto, que também se incorpora a nova instituição, uma interlocutora que valorava em forma notável. 1953 também assinala o começo de seus seminarios públicos.

Em 1963 foi expulso da ASOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE PSICANALISE, e um ano máis tarde fundou a Escola Freudiana de París, junto a Dolto, Leclaire, Octave e Maud Mannoni. Seu objetivo, segundo suas proprias palavras, era a restauração da verdade no campo aberto por Freud, denunciando as desviações que obstaculizavan seu progresso. Para isto, dizia, estavam habilitados de participar unicamente aqueles que se havían formado con ele. O novo grupo esteve composto inicialmente por 134 membros, a maioría dos quais havía pertencido a SFP.

Paradoxalmente, a razão de sua posterior dissolução talvez haja estado em seu éxito: a partir de 1966 começou um processo de massificação incontrolavel, que produziu um grande incremento no número de membros, que para 1979 eram ja 609. Isto não era precisamente o desejavel para uma instituição que se havía proposto ser uma república das elites. Foi neste período que Lacan propôs o passe como nova forma de aceder ao título de didático, sustentando aquilo de que o psicoanalista não se autoriza senão em sí mesmo.

Havendo-se ja iniciado sua declinação física e intelectual, em particular logo depois de um acidente automobilístico que sofre em 1978, dissolve em 1980 a escola e funda a Causa Freudiana, que logo sería a Escola da Causa Freudiana. Nestas últimas dissoluções e fundações ja não atua sozinho, senão que seu genro J.A.Miller é quem toma a frente com seu consentimento.

Nesses tempos todavia dava alguns seminarios, porém sem a desenvoltura que tanto o havia caracterizado e que tão profunda fascinação provocava em seu auditorio. Padecía uma patologia vascular muito lenta em sua evolução, porém de origem claramente cerebral. Além disso, desde 1980 se lhe havia declarado um câncer de cólon.

Faleceu em 9 de setembro de 1981 em París.

Wilhelm Reich

wilhelm_reich_org2foi um discípulo dissidente de Sigmund Freud, propôs a gênese da neurose como consequência dos conflitos de poder que se estabelecem nas relações sociais e suas implicações emocionais e psicológicas.
Reich dava grande ênfase à importância de desenvolver uma livre expressão dos sentimentos sexuais e emocionais dentro do relacionamento amoroso maduro. Reich enfatizou a natureza essencialmente sexual das energias com as quais lidava e descobriu que a bioenergia era bloqueada de forma mais intensa na área pélvica de seus pacientes.
Ele chegou a acreditar que a meta da terapia deveria ser a libertação dos bloqueios do corpo e a obtenção de plena capacidade para o orgasmo sexual, o qual sentia estar bloqueado na maioria dos homens e das mulheres.
Embora divergindo de Freud, Reich deste não se apartou, na compreensão de que toda a psique humana deriva da compreensão das funções sexuais.
E suas opiniões radicais a respeito da sexualidade resultaram em consideráveis equívocos e distorções de seu trabalho por autores futuros e, conseqüentemente, despertaram muitos ataques difamatórios e infundados.

Jacques Lacan Formado em Medicina, passou da neurologia à psiquiatria, tendo sido aluno de Gatian de Clérambault. Teve contato com a psicanálise através do surrealismo e a partir de 1951, afirmando que os pós-freudianos haviam se desviado, propõe um retorno a Freud. Para isso, utiliza-se da lingüística de Saussure (e posteriormente de Jakobson e Benveniste) e da antropologia estrutural de Lévi-Strauss, tornando-se importante figura do Estruturalismo. Posteriormente encaminha-se para a Lógica e para a Topologia. Seu ensino é primordialmente oral, dando-se através de seminários e conferências. Em 1966 foi publicada uma coletânea de 34 artigos e conferências, os Écrits (Escritos). A partir de 1973 inicia-se a publicação de seus 26 seminários, sob o título Le Séminaire . Sua primeira intervenção na psicanálise é para situar o Eu como instância de desconhecimento, de ilusão, de alienação, sede do narcisismo. É o momento do Estádio do Espelho. [1] O Eu é situado no registro do Imaginário, juntamente com fenômenos como amor, ódio, agressividade. É o lugar das identificações e das relações duais. Distingue-se do Sujeito do Inconsciente, instância simbólica. Lacan reafirma, então, a divisão do sujeito, pois o Inconsciente seria autônomo com relação ao Eu. E é no registro do Inconsciente que deveríamos situar a ação da psicanálise.
É na década de 1970 que Lacan dará cada vez mais prioridade ao registro do Real. Em sua tópica de três registros, Real, Simbólico e Imaginário, RSI, ao Real cabe aquilo que resiste a simbolização, “o real é o impossível”, “não cessa de não se inscrever”. Seu pensamento sobre o Real deriva primeiramente de três fontes: a ciência do real, de Meyerson, da Heterologia, de Bataille, e do conceito de realidade psíquica, de Freud. O Real toca naquilo que no sujeito é o “improdutivo”, resto inassimilável, sua “parte maldita”, o gozo, já que é “aquilo que não serve para nada”. Na tentativa de fazer a psicanálise operar com este registro, Lacan envereda pela Topologia, pelo Nó Borromeano, revalorizando a escrita, constrói uma Lógica da Sexuação (“não há relação sexual”, “A Mulher não existe”). Se grande parte de sua obra foi marcada pelo signo de um retorno a Freud, Lacan considera o Real, junto com o Objeto a (“objeto ausente”), suas criações.

Otto Rank

Otto_rank_sigmund_freud_mareOtto Rank (1884-1939) era um estudante de 21 anos quando encontrou Sigmund Freud. Rank seguiu adiante para fazer um doutorado em psicologia e por fim tornar-se par de Freud. Ele via cada pessoa como um artista cuja tarefa final é a criação de uma personalidade individual. Para Rank, o neurótico é um artiste manque, uma pessoa cujo forte impulso criativo é frustrado pelo uso negativo da vontade.

DIALÉTICA RANKIANA. A base para o seu rompimento com Freud foi a visão de Rank de que o trauma do nascimento é mais importante do que o conflito edípico. Segundo Rank, as experiências físicas e psicológicas do nascimento dão lugar a uma ansiedade primal que é lidada através de repressão primal. O conflito intrapsíquico crucial que ocorre em todas as fases desenvolvimentais é o conflito entre manter a bem-aventurança primal do apego e experimentar a excitação e o medo associados à separação.

A união posiciona-se em contraste à separação; semelhança posiciona-se em contraste com diferença. União-separação e semelhança-diferença são polaridades mantidas em tensão. Na fase adulta, o movimento em direção a uma outra pessoa é possível apenas se a pessoa sabe quem é, o que pode ocorrer apenas através de ter experimentado separação. O movimento em direção à autonomia é possível apenas após a pessoa ter estabelecido o senso de pertencer e autovalor que deriva da experiência de pertencer.

Mover em direção à união ou separação não é um processo biológico inato. Ele é, ao contrário, um ato de vontade. Ao mover-se em direção e engajar-se com um outro, todas as pessoas experimentam sua necessidade de pertencer. Afastar-se de outros permite a pessoa experimentar sua singularidade. A maturidade é, em certo sentido, o triunfo da vontade sobre as forças – culpa, medo da morte e medo da vida – que inibem o movimento tanto em direção como para longe dos outros.

Rank via a culpa como o preço a ser pago por qualquer ato de vontade. Mover-se em direção à união causa culpa sobre estar necessitado; afastar-se causa culpa de abandonar a outra pessoa. Medo de morte é o medo de perder a indentidade fundindo-se com uma outra pessoa. Quanto mais fraca é a identidade pessoal de alguém, mais forte é o medo de morte. Medo de vida, por contraste é o medo de perder todas as ligações no processo de tornar-se separado. Cada pessoa experimenta o ciclo do movimento de união para a separação novamente como parte do processo da vida. O movimento ocorre em diversos níveis: familiar, social, artístico e espiritual. A cada nível, há um ou mais movimentos em direção à união e renascimento. Cada pessoa, por exemplo, em geral cede a uma experiência de amor na qual diferenças pessoais são colocadas de lado para experimentar unidade um com ou outro, para experimentar autovalor e ser aliviado do sentimento de diferença. A submissão para um outro termina quando a vontade afirma sua separação e uma nova afirmação de individualidade ocorre.

Vontade, o motor primário na dialética rankiana, é uma força criativa irredutível. Ela não é somente uma agência para a expressão de impulsos sexuais ou agressivos freudianos; nem ela é uma vontade de poder no sentido adieriano. O começo da vontade está no “não” da criança, uma asserção do que ela não fará. Na maturação, a vontade torna-se uma força positiva. Pessoas neuróticas, no entanto, negam sua vontade devido às culpa em relação ao que elas desejam. Elas lidam com esta culpa usando mecanismos de defesa como projeção e racionalização. Visto desta perspectiva, as pessoas neuróticas têm vontade forte e não podem reconhecer o que elas desejam e sequer que elas desejam. Em decorrência, elas não podem usar sua vontade construtivamente a serviço de suas maiores criações artísticas potências, suas próprias personalidades.

TRATAMENTO. A psicoterapia rankiana é uma interação aqui e agora com o terapeuta que mobiliza a vontade do paciente e resulta em uma experiência de renascimento. O tratamento, que tem tempo limitado, é focalizado no relacionamento com o terapueta. No relacionamento terapeuta-paciente, são reencenadas lutas de vida anteriores, especialmente lutas envolvendo intimidade. Após os pacientes serem fortalecidos através da aceitação do terapeuta, eles iniciam um processo de asserção de vontade negativa que é visto como resistência na análise clássica. Rank considerou a asserção de vontade negativa como indicativa de crescimento e a apoiava. Uma vez capaz de prover auto-afirmação por conta própria, os pacientes liberam-se do terapeuta e começam a individuar-se. Eles superam o medo da vida vivendo à altura do seu potencial total.

A terapia não visa reconstruir história pessoal. Ela é uma luta no aqui e agora entre o terapeuta como um representante de objetos de transferência e da realidade. A meta da terapia é liberar a vontade do paciente.

O processo terapêutico forma um paralelo com o processo do crescimento da personalidade. A princípio, o relacionamento terapêutico recapitula relacionamentos prototípicos iniciais. A primeira experiência de renascimento para pacientes é reivindicar suas próprias personalidades individuais e sua singularidade como seres humanos. A segunda fase é a sua descoberta do universo físico e sua semelhança com ele. Posteriormente, eles reivindicam sua distinção como criadores de si mesmos. Com a emergência do self, os pacientes unem-se com a realidade ideológica, filosófica e espiritual e experimentam o nascimento final da pessoa ideal, uma pessoa autopreenchida que não mais precisa criar para justificar sua existência.

Melanie Klein

        1007837-Melanie_KleinUma analista leiga educada na Alemanha, Melanie Klein (1882-1960) desenvolveu uma escola de psicanálise na Inglaterra. Ela foi uma teórica das relações de objeto, autora da teoria do “desenvolvimento psicossexual e piscopatologia” embasada em eventos intrapsíquicos e interpessoais que supostamente ocorrem durante o primeiro ano de vida. Sua teoria da psicopatologia, baseada na observação de brinquedo livre de crianças, diz que a agressão inata excessiva ou a reação psíquica à agressão era a causa de distúrbios emocionais severos como os transtornos psicóticos. Ela tentou lidar com as forças intrapsíquicas com a técnica analítica clássica e interpretação precoce de impulsos inconscientes. Assim como Anna Freud, ela foi uma pioneira em análise infantil, mas, ao contrário de Anna Freud, ela excluiu os pais do tratamento porque acreditava que o problema fundamental era intrapsíquico. As principais contribuições de Klein estão em sua ênfase sobre a importância das relações de objeto iniciais, a demonstração da função do superego cedo no desenvolvimento psíquico, sua descrição das defesas primitivas características do transtorno de personalidade limítrofe e psicose e seu uso do brinquedo das crianças com um meio para a interpretação.

TEORIA DA PERSONALIDADE. Melanie Klein concordou com Sigmund Freud que a agressão e a libido são os dois instintos básicos. Ela também concordou com Freud que o instinto agressivo é uma extensão do instinto de morte e a libido uma extensão do instinto de vida. Klein divergiu de Freud na suposição de que o ego existe ao nascimento. Ela acreditava que o instinto de morte é traduzido após o nascimento em sadismo oral, o qual, projetado para fora, dá lugar às fantasias de um seio mau, destrutivo, devorador. Tanto agressão como libido são expressas desde o nascimento em diante por fantasias inconscientes. Klein diferenciou inveja, ganância e ciúme como manifestações do instinto agressivo. Inveja é o sentimento raivoso de que alguém mais tem e desfruta de algo desejável; a resposta invejosa é tomar isso ou estragá-lo. Inveja oral, por exemplo, resulta da fantasia de que o seio frustrante retém deliberadamente. Ela conduz a esforços de danificar o seio frustrante e torná-lo menos desejável. Esta inveja primária dá lugar a outras formas de inveja, incluindo a inveja do pênis. Em um nível mais maduro, a inveja é voltada em direção à criatividade dos outros e frustra o desenvolvimento da criatividade pessoal devido ao medo da inveja projetada sobre os outros. Ganância é a manifestação da insaciabilidade humana; sua meta é a absorção destrutiva do objeto desejado. Ciúme é o medo de perder o que se tem. Ela se desenvolve a partir de relacionamentos triangulares, como na situação edípica; a terceira pessoa é odiada porque esta pessoa recebe amor ou atenção e potencialmente diminui a disponibilidade das provisões libidinais. Embora o instinto de morte seja em grande parte projetado como medos paranóides, parte dele funde-se com a libido, dando lugar a tendências masoquistas.

Desde o momento do nascimento, o ego tenta preservar uma visão de si mesmo como apenas uma fonte de prazer e sentimentos positivos; tensão e desprazer são projetados sobre objetos que são então vistos como persecutórios. O bebê fica grato quando é física ou emocionalmente saciado. Esta gratidão, a manifestação mais precoce do instinto de vida é a base do amor e da generosidade. Libido é investida em objetos como o seio. O seio gratificante é então introjetado como a base para um sentimento do self como bom. A projeção do objeto interno bom sobre objetos recém-experimentados é a base da confiança, o que torna a aprendizagem e o acúmulo de conhecimento possíveis.

Teoria do ego. O ego tanto experimenta como se defende contra a ansiedade. Ele desenvolve e mantém relações de objeto e tem funções integrativas e sintéticas. A ansiedade é a resposta do ego ao instinto de morte. Ela é reforçada pela separação do nascimento e por necessidades corporais frustrantes como a fome. A princípio, o medo de objetos persecutórios, a ansiedade posteriormente torna-se o medo de objetos maus introjetados que são a origem da ansiedade de superego primitiva. Medos de ser devorado no estágio oral do desenvolvimento tornam-se medos do estágio anal de ser controlado e envenenado e os medos edípicos de castração.

Os principais meios de crescimento do ego e defesa de ego são projeção e introjeção, os quais integram o ego e neutralizam o instinto de morte. Projeção de tensões internas e percepção de estímulos externos dolorosos resulta em medos paranóides. Sua projeção resulta em objetos persecutórios internalizados. A projeção de estados prazerosos dá lugar à confiança. A introjeção de experiências positivas torna possível desenvolver bons objetos internos que são a base para o crescimento do ego. Anteriormente objetos no ambiente, tais como a mãe, são reconhecidos como tal, determinados aspectos, como o seio, são tratados como objetos. Assim, um estágio transicional nas relações de objeto é relações de objeto parciais.

Experiências desagradáveis e emoções associadas a objetos externos e introjetados são dissociadas de experiências e emoções agradáveis através de um processo de cisão. À medida que a criança amadurece, a cisão diminui, a síntese de bons e maus aspectos de objetos ocorre e relacionamentos ambivalentes tomam-se possíveis. Relações de objeto parciais caracterizam o estágio mais inicial do desenvolvimento,a posição paranóide-esquizóide; as relações de objeto totais caracterizam a posição depressiva. A eventual síntese de bons e maus objetos parciais capacita o crescimento de ego e a integração da realidade. Se a agressão predomina sobre a libido, a idealização ocorre e a cisão é reforçada. O reforço de cisão pode interferir com a percepção acurada e pode resultar na eventual negação da realidade.

Idealização é uma operação defensiva que preserva objetos internos e externos todos bons, deste modo satisfazendo fantasias de gratificação ilimitada, como um seio inexaurível para proteger contra frustração. Objetos externos idealizados também protegem contra objetos persecutórios. Fuga em direção a um objeto interno bom idealizado pode proteger a pessoa da realidade, mas pode fazer isso ao custo de testagem de realidade prejudicada e pode dar lugar a estados psicóticos exaltados ou messiânicos.

Identificação projetiva, o protótipo de todos os mecanismos projetivos, a projeção de partes dissociadas de um objeto interno sobre uma outra pessoa é usada principalmente para expelir maus objetos internos e partes más do self. A pessoa sobre quem a projeção de impulsos sádicos é feita passa a ser vista como um perseguidor que deve ser controlado. Tentativas de controlar o perseguidor percebido então se tornam um veículo para a atuação de sadismo contra o perseguidor imaginado.

Embora Klein concordasse que fatores ambientais podem desempenhar um papel em estimular a agressão excessiva, ela enfatizou como a causa de distúrbio emocional a força inata da agressão, aliada à formação de ansiedade excessiva do ego e baixa tolerância de ansiedade.

Posições esquizo-paranóide e depressiva. O termo “posição foi preferido por Klein em relação a “estágio” porque ele enfatiza o efeito do ponto de vista da criança sobre suas relações de objeto. A posição paranóide-esquizóide e a posição depressiva ocorrem na primeira e segunda metade, respectivamente, do primeiro ano de vida. Elas também podem ocorrer em diversos momentos na vida como constelações defensivas e estão envolvidas em conflitos relacionados a todos os níveis psicossexuias.

A posição paranóide-esquizóide é caracterizada por dissociação, idealização, negação, identificação projetiva, relações de objeto parciais e uma preocupação básica ou ansiedade persecutórias sobre a sobrevivência do self.

Os medos persecutórios são impulsos oral-sádicos e anal-sádicos projetados. Se eles não são superintensos, a posição esquizo-paranóide dá lugar, nos segundos seis meses de vida, à posição depressiva. Se, no entanto, a agressão inata é abertamente forte e se maus introjetos predominam, a dissociação secundária dos maus introjetos pode levar a projeção sobre muitos objetos externos, resultando em muitos perseguidores externos. A dissociação pode persistir e fragmentar experiências afetivas, levando a despersonalização ou superficialidade afetiva. Ela pode também interferir na percepção acurada e conduzir a negação da realidade. Na posição depressiva, a libido predomina sobre a agressão, o bebê reconhece que sua mãe tanto gratifica como frustra e ele se torna ciente de sua própria agressão voltada em direção a ela. O reconhecimento da mãe como uma pessoa integral torna a criança vulnerável à perda, especialmente perda causada pela agressão da criança. O mecanismo da idealização evolui durante o período depressivo na idealização do objeto bom (mãe) como uma defesa contra a agressão da criança em direção a ela e sua culpa acompanhante. Este tipo de idealização conduz a uma superdependência sobre outros. Os maus aspectos de pessoas necessárias são negados, levando a um empobrecimento tanto da experiência de realidade como da testagem de realidade. A posição depressiva também mobiliza defesas maníacas, cuja principal característica é a negação de realidades psíquicas dolorosas. Sentimentos ambivalentes e dependência de outros são negados; objetos são onipotentemente controlados e tratados com desprezo, de modo que a sua perda não dá lugar a dor ou culpa.

TEORIA DO SUPEREGO. O superego kleiniano funciona como o superego freudiano clássico. Ele coloca valor sobre o comportamento e ele pune ou proíbe o comportamento que ele considera ser errado ou mau. Klein sustentou que o desenvolvimento do superego começa durante a posição depressiva; a pressão de superego excessiva causa regressão para a posição esquizo-paranóide. O superego desenvolve-se de maus objetos projetados cindidos experimentados como persecutórios, que são posteriormente introjetados. Culpa é a reação aos impulsos sádicos atribuída a estes introjetos que se tornam parte do self. No período depressivo, os objetos são introjetados tanto no ego como no superego. O ego assimila os objetos com os quais ele pode identificar-se positivamente. O superego assimila os aspectos proibitivos exigentes destes objetos. O predomínio normal de amor sobre ódio na posição depressiva resulta na internalização de objetos principalmente bons no superego. Estes objetos bons neutralizam os objetos internos maus, mas mesmo sob circunstâncias ideais predominantemente bons objetos de superego são contaminados pelos objetos maus. O superego, portanto, tem qualidades persecutórias (derivadas de introjetos persecutórios) e exigentes (derivadas dos aspectos exigentes dos pais bons idealizados).

Através da culpa ou preocupação em relação à perda de amor parental, o superego protege seus objetos bons introjetados. Quanto mais idealizados são os bons objetos contidos no superego, mais perfeccionistas são as exigências do superego. A idealização de objetos internos bons geralmente conduz a bom comportamento e a compensação pelo mau comportamento.

ESTÁGIOS INICIAIS DO COMPLEXO DE ÉDIPO. Os estágios iniciais do complexo de Édipo começam durante a posição depressiva. Klein supôs um conhecimento inato dos genitais de ambos sexos, com fantasias orais e genitais influentes desde o nascimento em diante. O desejo por dependência oral da mãe é deslocado para o pai. Ansiar pelo seio bom torna-se um desejo pelo pênis do pai. O seio mau é também deslocado para o pênis mau. A predominância nos meninos de uma boa imagem do pênis do pai promove o desenvolvimento do complexo de Édipo positivo; confiar em um pai bom e dotar a mãe com um pênis bom inicia um complexo de Édipo positivo em meninas. Quando a agressão predomina, o menino edípico vê o pai como um perigoso castrador potencial. O medo de castração é, de fato, o medo do desejo oral-sádico projetado de destruir o pênis do pai. Este medo torna a identificação com o pai difícil e predispõe à inibição sexual e medo de mulheres. Culpa em relação à agressão em direção ao pai reforça a repressão do complexo de Édipo. Boas experiências orais em meninas resultam na expectativa de um pênis bom; esta expectativa baseia-se na experiência de um seio bom. Agressão excessiva em meninas pode dar lugar a fantasias inconscientes de roubar a mãe do amor, do pênis e dos bebês do pai e pode estimular medos de retaliação materna. Em meninas, os desejos orais e genitais pelo pênis do pai combinam com inveja do pênis desenvolvendo-se como um derivativo da inveja do seio interior. Deste modo, a inveja do pênis deriva de sadismo oral e não é uma inveja primária dos genitais masculinos ou um aspecto primário da sexualidade feminina.

À medida que a cisão decresce durante o primeiro ano de vida, a criança torna-se ciente de que bons e maus objetos externos são em realidade um só. Os bebês então reconhecem sua agressão em direção ao objeto bom e também reconhecem os aspectos bons das pessoas a quem eles atacaram por ser más. Este reconhecimento corta o mecanismo de projeção. Além disso, as crianças tornam-se cientes das suas próprias partes infernais, mas, em contraste com o medo de prejuízo externo encontrado na posição esquizo-paranóide, o medo principal na posição depressiva é de prejudicar os objetos externos e internos bons daí a necessidade para o superego.

A tarefa emocional principal da posição depressiva é lidar com o medo do ego de perder os objetos externos e internos bons. As reações emocionais correspondentes são ansiedade e culpa. A preservação de objetos bons torna-se mais importante do que preservar o próprio ego. Objetos maus internalizados que foram anteriormente projetados compõem o ego primário, o qual ataca o ego com sentimentos de culpa. Os maus objetos dentro do superego, conforme observado acima, podem contaminar os bons objetos internos do superego que se tornaram incorporados no superego devido às suas demandas por determinados tipos de comportamento (eu amarei você se você fizer bem as suas tarefas; eu aceitarei você apenas se você trabalhar duro).

MECANISMOS DE RESOLUÇÃO DO TRABALHAR. Normalmente, os mecanismos de reparação, aumentados pela testagem de realidade, aceitação de ambivalência, gratidão e luto capacitam a criança a resolver o período depressivo. A reparação, o antecedente da sublimação, é um esforço saudável para reduzir culpa em relação a ter atacado o objeto bom tentando reparar o dano, expressando amor e gratidão e assim, preservando-o. A criança chora, corre para a mãe, joga seus braços ao redor dela e diz “desculpa”.

A testagem de realidade aumentada resulta de cisão reduzida e da capacidade crescente de avaliar objetos inteiros e o self total. Os objetos introjetados são vistos como inteiros e vivos, ao invés de como fragmentos autônomos. Através de ser amadas, as crianças vêm a enxergar a si mesmas e a seus objetos internos como bons. A crescente percepção de amar e odiar a mesma pessoa promove a capacidade de experimentar e tolerar ambivalência, idealmente com uma preponderância de amor sobre ódio. Klein acreditou que o luto normalmente reativa a culpa da posição depressiva, a diferença sendo que, durante o desmame na posição depressiva, a mãe boa real ainda está presente e ajuda o bebê a reconstituir e consolidar objetos internos bons.

PSICOPATOLOGIA. Muitos tipos de psicopatologia severa são atribuídos à fixação em uma das duas posições kleinianas. A fixação na posição esquizo-paranóide conduz a alguns transtornos psicóticos. Os transtornos psicóticos em geral negam a realidade, usam projeção extensamente e engajam-se em dissociação. Escape para um objeto interno idealizado conduz a estados exaltados autistas; dissociação generalizada e reintrojeção de objetos fragmentados múltiplos conduz a estados de confusão. Medo predominante de perseguidores externos é a marca registrada do transtorno delirante; projeção de perseguidores sobre o próprio corpo resulta em hipocondríase. As pessoas com transtorno de personalidade esquizóide são emocionalmente superficiais e intolerantes de culpa, tendem a experimentar os outros como hostis e retraem-se de relações de objeto.

A partir da fixação, na posição depressiva vem o luto patológico (depressão) ou o desenvolvimento excessivo de defesas maníacas. O luto patológico resulta da destruição fantasiada por ataque sádico de objetos internos e externos bons. Os objetos internos maus que permanecem funcionam como um superego sádico primitivo evocando culpa excessiva e estimulando o sentimento de que todos os objetos bons estão mortos e que o mundo não tem amor. O superego sádico é cruel, exige perfeição e opõe-se aos instintos. Tentativas são feitas para idealizar objetos externos como um meio de autopreservação; deste modo, quaisquer reprovações são feitas contra o eu, ao invés de aos outros. O suicídio pode incorporar a noção de que o objeto externo bom pode ser preservado apenas através da destruição do self mau.

Síndromes hipomaníacas e maníacas são promovidas por um predomínio de defesas maníacas, incluindo onipotência, identificação com o superego, introjeção, o triunfo maníaco e idealização maníaca. A onipotência resulta da identificação com um objeto bom idealizado e negação do resto da realidade. A identificação com um superego sádico permite que objetos externos sejam tratados com desprezo. A introjeção é manifestada como fome de objeto, com negação de perigo para e dos objetos; triunfo maníaco é manifestado por um senso de ter conquistado o mundo; e idealização maníaca é manifestada por fantasias de fusão com Deus.

TÉCNICA. Klein acreditava que todas as situações produtoras de ansiedade, incluindo a hora analítica, reativam ansiedades das posições paranóide, esquizóide e depressiva. As defesas e medos primitivos são interpretados da primeira sessão em diante tão profundamente quanto possível e envolvem material tanto de transferência (você deseja me aniquilar) como de não transferência (você desejou eliminar o seio mau da sua mãe). A mesma técnica é usada com todos os pacientes, focalizando sobre fantasias inconscientes que representam o conteúdo e as operações defensivas nos níveis mais primitivos da mente. A técnica foi usada até mesmo com crianças com menos de 6 anos de idade, usando seu brinquedo livre como a base para a interpretação em sessões de 50 minutos cinco dias por semana. Para Klein, o brinquedo livre de uma criança era análogo as livre-associações de um adulto. Suas visões opuseram-se às de Anna Freud, a outra analista infantil dominante do dia que sustentava que a análise do complexo de Édipo de crianças pré latência não é possível, já que ela pode interferir com relacionamentos parentais; a análise desta criança é em grande parte uma experiência educacional para a criança; que uma neurose de transferência não pode ser efetuada devido à atividade dos pais na vida diária da criança; e que o analista deveria fazer todo o esforço para obter a confiança da criança. Klein sustentou que uma neurose de transferência pode ser efetuada e então resolvida por interpretação. Ao invés de tentar obter favor com a criança, Klein imediatamente interpretava transferências negativas (você quer se ver livre de mim) e verificou que fazer isso aliviava a ansiedade ao invés de intensificá-la.

Terapeutas kleinianos são interessados em tratar pacientes nos quais conflitos e defesas primitivos predominam. Eles fazem isso assumindo uma posição estritamente interpretativa, interpretando tanto aspectos negativos como positivos da transferência, mas especialmente enfatizando os aspectos negativos.

Carl Gustav Jung

Carl Gustav Jung (1875-1961)

Carl Gustav Jung

Carl Gustav Jung

Jung e Sua Obra

Carl Gustav Jung nasceu a 26 de julho de 1875, em Kresswil, Basiléia, na Suíça, no seio de uma família voltada para a religião. Seu pai e vários outros parentes eram pastores luteranos, o que explica, em parte, desde a mais tenra idade, o interesse do jovem Carl por filosofia e questões espirituais e o pelo papel da religião no processo de maturação psíquica das pessoas, povos e civilizações. Criança bastante sensível e introspectiva, desde cedo o futuro colega de Freud demonstrou uma inteligência e uma sagacidade intelectuais notáveis, o que, mesmo assim, não lhe poupou alguns dissabores, como um lar algumas vezes um pouco desestruturado e a inveja dos colegas e a solidão.

Ao entrar para a universidade, Jung havia decidido estudar Medicina, na tentativa de manter um compromisso entre seus interesses por ciências naturais e humanas. Ele queria, de alguma forma, vivenciar na prática os ideais que adotava usando os meios dados pela ciência. Por essa época, também, passou a se interessar mais intensamente pelos fenômenos psíquicos e investigou várias mensagens hipoteticamente recebidas por uma médium local (na verdade, uma prima sua), o que acabou sendo o material de sua tese de graduação, “Psicologia e Patologia dos Assim Chamados Fenômenos Psíquicos”.

Em 1900, Jung tornou-se interno na Clínica Psiquiátrica Bugholzli, em Zurique, onde estudou com Pierre Janet, em 1902, e onde, em 1904, montou um laboratório experimental em que criou seu célebre teste de associação de palavras para o diagnóstico psiquiátrico. Neste, uma pessoa é convidada a responder a uma lista padronizada de palavras-estímulo; qualquer demora irregular no tempo médio de resposta ou excitação entre o estímulo e a resposta é muito provavelmente um indicador de tensão emocional relacionada, de alguma forma, com o sentido da palavra-estímulo. Mas tarde este teste foi aperfeiçoado e adaptado por inúmeros psiquiatras e psicólogos, para envolver, além de palavras, imagens, sons, objetos e desenhos. É este o princípio básico usado no detector de mentiras, utilizado pela polícia científica. Estes estudos lhe granjearam alguma reputação, o que o levou, em 1905, aos trinta anos, a assumir a cátedra de professor de psiquiatria na Universidade de Zurique.

Neste ínterim, Jung entra em contato com as obras de Sigmund Freud (1856-1939), e, mesmo conhecendo as fortes críticas que a então incipiente Psicanálise sofria por parte dos meio médicos e acadêmicos na ocasião, ele fez questão de defender as descobertas do mestre vienense, convencido que estava da importância e do avanço dos trabalhos de Freud. Estava tão enstusiasmado com as novas perspectivas abertas pela psicanálise, que decidiu conhecer Freud pessoalmente. O primeiro encontro entre eles transformou-se numa conversa que durou treze horas ininterruptas.

A comunhão de idéias e objetivos era tamanha, que eles passaram a se corresponder semanalmente, e Freud chegou a declarar Jung seu mais próximo colaborador e herdeiro lógico, e isso é algo que tem de ser bem frisado, a mútua admiração entre estes dois homens, frequentemente esquecida tanto por freudianos como por junguianos. Porém, tamanha identidade de pensamentos e amizade não conseguia esconder algumas diferenças fundamentais, e nem os confrontos entre os fortes gênios de um e de outro. Jung jamais conseguiu aceitar a insistência de Freud de que as causas dos conflitos psíquicos sempre envolveriam algum trauma de natureza sexual, e Freud não admitia o interesse de Jung pelos fenômenos espirituais como fontes válidas de estudo em si.

O rompimento entre eles foi inevitável, ainda que Jung o tenha, de certa forma, precipitado. Ele iria acontecer mais cedo ou mais tarde. O rompimento foi doloroso para ambos. O rompimento turbulento do trabalho mútuo e da amizade acabou por abrir uma profunda mágoa mútua, nunca inteiramente assimilada pelos dois principais gênios da Psicologia do século XX e que ainda, infelizmente, divide partidários de ambos os teóricos.

Anterior mesmo ao período em que estavam juntos, Jung começou a desenvolver uma sistema teórico que chamou, originalmente, de “Psicologia dos Complexos”, mais tarde chamando-a de “Psicologia Analítica”, como resultado direto de seu contato prático com seus pacientes. O conceito de inconsciente já está bem sedimentado na sólida base psiquiátrica de Jung antes de seu contato pessoal com Freud, mas foi com Freud, real formulador do conceito em termos clínicos, que Jung pôde se basear para aprofundar seus próprios estudos.

O contato entre os dois homens foi extremamente rico para ambos, durante o período de parceria entre eles. Aliás, foi Jung quem cunhou o termo e a noção básica de “complexo”, que foi adotado por Freud. Por complexo, Jung entendia os vários “grupos de conteúdos psíquicos que, desvinculando-se da consciência, passam para o inconsciente, onde continuam, numa existência relativamente autônoma, a influir sobre a conduta” (G. Zunini). E, embora possa ser freqüentemente negativa, essa influência também pode assumir características positivas, quando se torna o estímulo para novas possibilidades criativas.

Jung já havia usado a noção de complexo desde 1904, na diagnose das associações de palavras. A variância no tempo de reação entre palavras demonstrou que as atitudes do sujeito diante de certas palavras-estímulo, quer respondendo de forma hesitante, quer de forma apressada, era diferente do tempo de reação de outras palavras que pareciam ter estimulação neutra. As reações não convencionais poderiam indicar (e indicavam de fato) a presença de complexos, dos quais o sujeito não tinha consciência.

Utilizando-se desta técnica e do estudo dos sonhos e de desenhos, Jung passou a se dedicar profundamente aos meios pelos quais se expressa o inconsciente. Os sonhos pessoais de seus pacientes o intrigavam na medida em que os temas de certos sonhos individuais eram muito semelhantes aos grandes temas culturais ou mitológicos universais, ainda mais quando o sujeito nada conhecia de mitos ou mitologias.

O mesmo ocorria no caso dos desenhos que seus pacientes faziam, geralmente muito parecidos com os símbolos adotados por várias culturas e tradições religiosas do mundo inteiro. Estas similaridades levaram Jung à sua mais importante descoberta: o “inconsciente coletivo”.

Assim, Jung descobrira que além do consciente e inconsciente pessoais, já estudados por Freud, existiria uma zona ou faixa psíquica onde estariam as figuras, símbolos e conteúdos arquetípicos de caráter universal, freqüentemente expressos em temas mitológicos. Por exemplo, o mito bíblico de Adão e Eva comendo do fruto da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e, por isso, sendo expulsos do Paraíso, e o mito grego de Prometeu roubando o fogo do conhecimento dos deuses e dando-o aos homens, pagando com a vida pelo sua presunção são bem parecidos com o moderno mito de Frankenstein, elaborado pela escritora Mary Schelley após um pesadelo, e que toca fundo na mente e nas emoções das pessoas de forma quase “instintiva”, como se uma parte de nossas mentes “entendesse” o real significado da história: o homem sempre paga um alto preço pela ousadia de querer ser Deus.

Enquanto o inconsciente pessoal consiste fundamentalmente de material reprimido e de complexos, o inconsciente coletivo é composto fundamentalmente de uma tendência para sensibilizar-se com certas imagens, ou melhor, símbolos que constelam sentimentos profundos de apelo universal, os arquétipos: da mesma forma que animais e homens parecem possuir atitudes inatas, chamadas de instintos, também é provável que em nosso psiquismo exista um material psíquico com alguma analogia com os instintos. Talvez, as imagens arquetípicas sejam algo como que figurações dos próprios instintos, num nível mais sofisticado, psíquico. Assim, não é mais arriscado admitir a hipótese do inconsciente coletivo, comum a toda a humanidade, do que admitir a existência instintos comuns a todos os seres vivos.

Assim, em resumo, o inconsciente coletivo é uma faixa intra-psíquica e inter-psíquica, repleto de material representativo de motivos de forte carga afetiva comum a toda a humanidade, como, por exemplo, a associação do feminino com características maternas e, ao mesmo tempo, em seu lado escuro, cruéis, ou a forte sensação intuitiva universal da existência de uma transcendência metaforicamente denominada Deus.

A mãe boa, por exemplo, é um aspecto do arquétipo do feminino na psique, que pode ter a figura de uma deusa ou de uma fada, da mãe má, ou que pode possuir os traços de uma bruxa; a figura masculina poderá ter uma representação num sábio, que geralmente é representado por um ermitão, etc. As figuras em si, mais ou menos semelhantes em várias culturas, são os arquétipos, que nada mais são que “corpos” que dão forma aos conteúdos que representam: o arquétipo da mãe boa, ou da boa fada, representam a mesma coisa: o lado feminino positivo da natureza humana, acolhedor e carinhoso.

Este mundo inconsciente, onde imperam os arquétipos, que nada mais são que recipientes de conteúdos ainda mais profundos e universais, é pleno de esquemas de reações psíquicas quase “instintivas”, de reações psíquicas comuns a toda a humanidade, como, por exemplo, num sonho de perseguição: todas as pessoas que sonham ou já sonharam sendo perseguidas geralmente descrevem cenas e ações muito semelhantes entre si, senão na forma, ao menos no conteúdo.

A angústia de quem é perseguido é sentida concomitantemente ao prazer que sabemos ter o perseguidor no enredo onírico, ou a sua raiva, ou o seu desejo. Estes esquemas de reações “instintivas” (uso esta palavra por analogia, não por equivalência) também se encontram nos mitos de todos os povos e nas tradições religiosas. Por exemplo, no mito de Osires, na história de Krishna e na vida de Buda encontramos similaridades fascinantes.

Sabemos que mitos encobrem freqüentemente a vida de grandes homens, como se pudessem nos dizer algo mais sobre a mensagem que eles nos trouxeram, e quanto mais carismáticos são esses homens, mais a imaginação do povo os encobrem em mitos, e mais esses mitos têm em comum. Estes padrões arquetípicos expressos quer a nível pessoal que a nível mitológico relacionam-se com características e profundos anseios da natureza humana, como o nascimento, a morte, as imagens paterna e materna, e a relação entre os dois sexos.

Outra temática famosa com respeito a Jung é a sua teoria dos “tipos psicológicos”. Foi com base na análise da controvérsia entre as personalidades de Freud e um outro seu discípulo famoso, e também dissidente, Alfred Adler, que Jung consegue delinear a tipologia do “introvertido” e do “extrovertido”. Freud seria o “extrovertido”, Adler, o “introvertido”.

Para o extrovertido, os acontecimentos externos são da máxima importância, ao nível consciente; em compensação, ao nível inconsciente, a atividade psíquica do extrovertido concentra-se no seu próprio eu. De modo inverso, para o introvertido o que conta é a resposta subjetiva aos acontecimentos externos, ao passo que, a nível inconsciente, o introvertido é compelido para o mundo externo.

Embora não exista um tipo puro, Jung reconhece a extrema utilidade descritiva da distinção entre “introvertido” e “extrovertido”. Aliás, ele reconhecia que todos temos ambas as características, e somente a predominância relativa de um deles é que determina o tipo na pessoa. Seu mais famoso livro, Tipos Psicológicos é de 1921. Já nesse período, Jung dedica maior atenção ao estudo da magia, da alquimia,das diversas religiões e das culturas ocidentais pré-cristãs e orientais (Psicologia da Religião Oriental e Ocidental, 1940; Psicologia e Alquimia, 1944; O eu e o inconsciente, 1945).

Analisando o seu trabalho, Jung disse: “Não sou levado por excessivo otimismo nem sou tão amante dos ideais elevados, mas me interesso simplesmente pelo destino do ser humano como indivíduo – aquela unidade infinitesimal da qual depende o mundo e na qual, se estamos lendo corretamente o significado da mensagem cristã, também Deus busca seu fim”. Ficou célebre a controvertida resposta que Jung deu, em 1959, a um entrevistador da BBC que lhe perguntou: “O senhor acredita em Deus?” A resposta foi: “Não tenho necessidade de crer em Deus. Eu o conheço”.

Eis o que Freud afirmou do sistema de Jung: “Aquilo de que os suíços tinham tanto orgulho nada mais era do que uma modificação da teoria psicanalítica, obtida rejeitando o fator da sexualidade. Confesso que, desde o início, entendi esse ‘progresso’ como adequação excessiva às exigências da atualidade”.

Ou seja, para Freud, a teoria de Jung é uma corruptela de sua própria teoria, simplificada diante das exigências moralistas da época. Não há nada mais falso. Sabemos que foi Freud quem, algumas vezes, utilizou-se de alguns conceitos de Jung, embora de forma mascarada, como podemos ver em sua interpretação do caso do “Homem dos Lobos”, notadamente no conceito de atavismo na lembrança do coito.

Já por seu turno, Jung nunca quis negar a importância da sexualidade na vida psíquica, “embora Freud sustente obstinadamente que eu a negue”. Ele apenas “procurava estabelecer limites para a desenfreada terminologia sobre o sexo, que vicia todas as discussões sobre o psiquismo humano, e situar então a sexualidade em seu lugar mais adequado. O senso comum voltará sempre ao fato de que a sexualidade humana é apenas uma pulsão ligada aos instintos bio-fisiológicos e é apenas uma das funções psico-fisiológicas, embora, sem dúvida, muitíssimo importante e de grande alcance”.

Carl Gustav Jung morreu a 6 de junho de 1961, aos 86 anos, em sua casa, à beira do lago de Zurique,em Küsnacht após uma longa vida produtiva, que marcou – e tudo leva a crer que ainda marcará mais – a antropologia, a sociologia e a psicologia.

Freud e Jung: Estudos Críticos

A fecunda e tumultuada amizade entre Freud e Jung, nas palavras de Paul Roazen, é um dos marcos da história do pensamento e da cultura ocidental.

O rompimento dessa amizade entre os dois maiores cientistas e sábios do século impediu a continuação de  uma parceria que poderia ter contribuído para um desenvolvimento ainda maior da ciência da psique e para o alargamento dos horizontes de conhecimento da interioridade do homem.

Muito já se disse e se escreveu sobre o assunto. Mas não há conclusão que se imponha de modo a silenciar a polêmica que se arrasta e prossegue entre os discípulos menos avisados de cada um dos mestres.

Relacionamos a seguir textos que iluminam a questão, embora alguns dos seus aspectos permaneçam obscuros e possivelmente nunca venham a ser completamente elucidados. Talvez porque sejam manifestações cujas origens estão fincadas nas mais abissais regiões do inconsciente dos protagonistas.

De qualquer sorte, talvez seja necessário àqueles que se propõem seguir as orientações teóricas de Freud ou de Jung ou, ainda, de Freud e Jung – mergulhar na história dessa turbulenta amizade e extrair as suas próprias conclusões. É possível que esse mergulho termine por ser um encontro pessoal de cada um com a sua própria verdade. Um confronto rico e saudável com o seu inconsciente. Então, quem sabe, talvez tenhamos aprendido a lição maior desses mestres segundo a qual pessoa alguma pode acompanhar ou orientar uma jornada que ela mesmo não a tenha feito.

O confrontar-se com o inconsciente e o defrontar-se com a própria sombra parece ser o exemplo maior de coragem pessoal e honestidade intelectual que Freud e Jung legaram às gerações de estudiosos da alma humana que os sucederam.

Esse entendimento poderá ser útil à compreensão aprofundada das teorias do Dr. Sigmund Freud e do Dr.Carl Gustav Jung.

E, parafraseando o bardo inglês, o resto é silêncio!

O FUTURO PRESENTE

f4f0cfa592451000deda4003cfa5b029_400x400O termo “prospectivo” está formado da mesma maneira que o termo “retrospectivo”; ambos se opõem na medida em que o primeiro expressa que olhamos para frente e não para trás. Um estudo retrospectivo se dirige ao passado e o prospectivo para o futuro.

Estes dois adjetivos não são simétricos, pois tendemos de maneira habitual a representar o tempo como uma linha em que o passado e o futuro correspondem às duas direções possíveis. Na realidade, o ontem e o amanhã são heterogéneos. Em quanto ao primeiro, só podemos visualiza-lo porque já não há nada que possamos fazer, o segundo “amanhã” significa projetos cujas possibilidades estão abertas. Passar da retrospectiva para a prospectiva não implica só reorientar a atenção; requer uma preparação para a ação. 

Nas palestras que faço, acostumo afirmar que nos anos 70, o importante era “conhecer o passado”, era a época da ditadura, quem conhecia o passado de alguém podia saber e prever o que faria. Nos anos 80-90, o importante era “conhecer o presente”, era a época dos over night. A partir de 2008, você pode “conhecer o passado” e “conhecer o presente” e mesmo assim pode dormir rico e acordar pobre. Uma nova questão abalroou o ser humano. A questão “conhecer o futuro”. 

Surgiram nos EEUU cursos superiores de Futurologia cientifica, o prospectivismo. As grandes empresas contrataram futurólogos como assessores “higt tech” para orientar seus planejamentos e investimentos.

Nos anos 60, surgiu França o gênio de Gaston Berger, futurólogo – prospectivista, iniciava então uma nova corrente filosófica – cientifica – metodológica chamada de “PROSPECTIVISMO”. 

Uma das questões que mais fascinou o ser humano ao longo da historia tem a ver com os segredos e mistérios do FUTURO. O desejo de conhecer – prever – imaginar – inventar o futuro é tão velho como a própria espécie humana. Há três maneiras de interpretar o futuro:

O FUTURO COMO PRODUTO DA MAGIA. Como adivinhação. Principalmente na idade media os magos e feiticeiros tinham o privilegia de pensar “o futuro”.

O FUTURO UNIDIRECIONAL. Surgiu nos tempos modernos com apoio da matemática e a estatística.

O FUTURO POLIFACÉTICO E HUMANISTA. O futuro dependendo da ação humana. O Prospectivismo, sob a inspiração de Gastón Berger. Todas as ciências fazem parte da nova linha de investigação. Urge imaginar – analisar – ver o futuro. O ser humano chegou ao ponto “ômega” (Teilhard de Chardin) e precisa – necessita de encarar o futuro.

HOJE, diria e afirmo há um “ecletismo” nessa linha inaugurada por Berger. 

Desde tempos imemoráveis o futuro foi objeto de estudo. A Bíblia foi o primeiro livro prospectivo. Os conceitos de “terra prometida”, “o novo céu e a nova terra”, a visão joanina do escatos grego, são conceitos bíblicos. Os essênios, que deixaram pergaminhos sobre o futuro, desenvolveram a alquimia essênica que apregoava a criação do futuro. Kant, Hegel e outros mestres debruçaram-se sobre o tema. Jung inaugurou a “necessidade de caminhar” para o futuro como função terapêutica. Ao contrario de Freud que afirmava os sonhos serem “retrospectivos”, Jung afirmava serem “prospectivos”. Lacan afirma a figura paterna como aquele que direciona o futuro. A superação. 

A futurologia ou o Prospectivismo, tornou-se cientifico, terapêutico, estratégico, empresarial, sociológico, uma questão de sobrevivência. 

Na ANPC, desde 2005, desenvolvemos estudos nas “quartas feiras” sobre esse tema. Filosofia – Psicanálise – Teologia – Simbologia foram ciências tratadas e esmiuçadas.

Lançamos a sistematização do “prospectivismo” como método e técnica terapêutica na psicanálise – PSICANÁLISE PROSPECTIVA. E fomos mais além. Atualmente lançamos a ALQUIMIA MESSIÂNICA como curso envolvendo Teoria e Técnicas utilizáveis não só na terapia, como na vida pessoal, na empresa, na estruturação da caminhada atual. Envolve profundos estudos de Códigos, códigos matêmicos, e experimentamos sua viabilidade com profissionais, empresários, políticos, terapeutas, psicólogos e médicos.

Sem sombras de duvidas, podemos afirmar que todas as ciências, as filosofias, religiões, terapias, políticos, empresários estarão mergulhados no prospectivismo, como uma necessidade de superação. De ver a luz no fim do túnel em que todos estamos. Que alias, não é uma luz, é ato criativo humano. Está lá. Senão estiver, posso criar para que, em chegando, esteja lá ao chegar. O ano de 2014 será o ANO DA ALQUIMIA.