AUTO-OBSERVAÇÃO: VOCÊ PRATICA?

A auto-observação é a capacidade de nos percebermos e respeitarmos o nosso estado emocional, pode parecer simples, mas é um exercício que exige uma certa coragem e uma disponibilidade interior para aproximar-se de si mesmo.

É uma prática que traz muitos ganhos, pois a partir de uma boa observação podemos fazer escolhas mais acertadas para a nossa vida e para as relações que temos, ganhando em bem-estar e autonomia.

A auto-observação é como um exercício, quando colocamos energia e damos continuidade, ela se torna um hábito, e se apresenta como um recurso diário que nos auxilia perante as adversidades da vida.

Como é isso no dia a dia?

Quanto mais agitada a nossa vida, mais a tendência a prestarmos muita atenção para o que é externo. É preciso trabalhar, cuidar de si, cuidar dos filhos, e tantas outras coisas.

E o interno? Muitas vezes deixamos para depois e quando, constantemente, passamos por cima de nós mesmos, sem nos percebermos, a irritação e a insatisfação se instalam. Tendemos a nos irritar com as coisas, situações e pessoas em demasia.

Quando projetamos toda a nossa irritação externamente é hora de parar e retomar a situação, buscando encontrar o que é realmente nosso e o que é do outro.

Uma das formas de amenizar essa irritação é praticando diariamente a auto-observação. Só de reconhecermos como estamos emocionalmente já há um certo alívio, é o respeito a si mesmo, uma espécie de auto gentileza por aquilo que somos.

Como exercitar?

Uma das sugestões é que logo pela manhã você se pergunte: Como estou hoje? Escreva e coloque em algum lugar visível, não tenha receio da resposta, medite a respeito por alguns minutos. Depois encontre formas de ser generoso consigo mesmo.

Por exemplo, se a resposta foi “hoje estou desanimado porque tenho uma reunião difícil no trabalho”, que tal se poupar um pouco?

A ideia é não se colocar em situações que vão exigir de você mais do que pode doar. Ao contrário, se está animado, feliz, pode programar atitudes que vão exigir mais de você, pois terá energia para isso.

Ao longo do dia esteja atento as suas reações, ficou com raiva no trânsito? Procure algo que te traga mais tranquilidade antes de começar o trabalho. Está com medo? Ligue para alguém ou leia algo que tenha a capacidade de te motivar e encorajar.

Além da auto-observação, é importante respeitar o que estamos sentindo para escolhermos situações que nos auxiliem, e não ao contrário.

Quando nos priorizamos e nos sintonizamos com aquilo que somos, trazemos uma parte importante de nós para o mundo, entendendo que faz parte da vida as variações de humor e emoções e que é possível lidar com elas de uma forma inteligente e saudável.

Agradar aos outros é bom, mas fazemos isso legitimamente quando primeiro estamos bem conosco. A auto-observação é uma grande demonstração de amizade e de reconciliação consigo mesmo.

(Autora: Marcela Pimenta Pavan)
(Fonte: acaminhodamudanca.wordpress.com)

NÃO SOU MULHER DE FORNO E FOGÃO, SOU MULHER DO MEU JEITO

Eu não sou mulher de forno e fogão, mas limpar é comigo mesma.

Limpar a casa me relaxa, é apenas a hora para uma terapia comigo mesma. Pego meu fone de ouvido e pronto, está instalado a sessão “Amélia”.

Sou uma mulher de verdade, mas não sou dona de casa. Sou dona de mim mesma e da minha profissão que amo: educadora.

Até me atrevo na cozinha algumas vezes, porém não sou mestre cuca e muito menos cozinheira. Me atrevo no básico com pitada de boa vontade. Limpar me ajuda a aliviar o estresse, porque me coloca diante de situações pendentes que precisam ser resolvidas.

Entre vassoura, rodo e material de limpeza, soluciono todos aqueles probleminhas que estão me incomodando, nem que seja em pensamento. A música vai me ajudando a não pensar no que precisa ainda fazer, então, aos poucos, vou terminando tudo em um passe de mágica.

Não tem como sair de cena quando é preciso ter o controle da família, dos filhos, da casa e da profissão. Não tem como fechar os olhos e fingir que não é preciso limpar, comprar o que falta, pagar as contas e ainda estar linda e sorrindo – sem cansaço – para os outros.

Às vezes me pergunto: onde arrumo tanta dedicação e esforço? É ser mulher. Mesmo com as horas contadas, faço questão de sorrir, de tratar bem as pessoas e dar atenção para quem precisa. Resolvo bilhares de coisas em menos de vinte e quatro horas, e não sou fada, nem bruxa, sou mulher.

Não quero mais horas no meu dia, não! As horas são suficientes, sou eu quem atropelo o tempo quando não consigo me organizar nos dias.

O tempo tem a mania de querer fugir, se esconder, no entanto só depende de nós acharmos a melhor oportunidade e quando convém.

A verdade é que não somos flexíveis quando não queremos ou temos interesse, então colocar desculpas na falta de horas durante os dias, é mais consolador.

Há um bom tempo tenho traçado metas para vencer os compromissos, estou melhorando em como ser mais produtiva e menos compromissada. Não quero vida estressada o tempo todo e nem olhar cansado que condena o quanto estou fazendo, quero sentir serenidade e transmitir, quem sabe, um pouquinho de calma.

Sem confrontar com as horas suficientes de um dia, quero me achar nos segundos de atenção para os outros, nas palavras pacientes de amizade, sentar no sofá da sala para assistir filmes ou seriados com o meu filho, ligar para os meus pais sem a correria de um olá.

Não quero me sentir tomada de compromissos, quero me sentir livre. Não quero me sentir explodindo em ansiedade, quero um respirar sereno. Não quero que as expectativas ansiosas tomem conta das horas, porque quero apenas que os segundos demorem eternidades de bem viver. Quero apenas me achar dentro de dias calmos com horas infinitas de ser feliz.

Quero dias para limpar a casa do meu jeito, mas também quero outros dias para sentar em qualquer lugar e ver o tempo passar sem horas marcadas. Ser mãe, profissional e dona de casa é missão possível quando decidimos ser de tudo um pouco, mesmo que ocupadas demais. Ao contrário da Amélia, tenho vaidades e sou mulher de verdade à minha maneira.

NÃO SEJA OPÇÃO, SEJA PRIORIDADE

Em tempos de relacionamentos fugazes, interesses líquidos e amores fracos, fica difícil mantermos nossa autoestima em um nível minimamente coerente.

Fica difícil conseguir encontrar pessoas que conseguem se aproximar da gente de forma transparente e incondicional, saindo de si, do próprio mundinho, doando-se com generosidade sincera, mostrando-se disposta a fazer concessões, a parar bem de pertinho.

As pessoas, entre outras coisas, também são movidas por interesses, no entanto, ultimamente, parece que somente o que temos a oferecer em termos de materialidade é o que mais pesa na aproximação de quem nos procura.

As necessidades atrelam-se majoritariamente ao que traz conforto material, popularidade, visibilidade social e status; ou seja, aquilo de mais precioso que temos dentro de nós não chega a valer nada. Por isso é que algumas pessoas deixam de nos procurar, simplesmente porque o que temos é tão somente o que somos e podemos oferecer de humano, de sentimento, de afetividade.

Isso é pouco, isso não tem etiqueta, o dinheiro não compra, isso não revela nosso salário mensal.

E, assim, vamos deixando de ser prioridade na vida dos outros, enquanto assistimos aos amigos, parceiros, colegas de trabalho saindo à procura de alguém com quem possam desfrutar de conforto e pretenso sucesso.

Cabe-nos, nesse contexto, manter por perto somente quem vem com verdade e despretensão, quem vem somar, quem vem porque sim, sem interesses, sem cobrar por mais, quem nos enxerga além do que aparentamos.

Os demais, que nos procurarão quando em vez, nos momentos em que não encontrarão ninguém e então se lembrarão de nossa existência, deixemos que o tempo e a vida se encarreguem de ensinar-lhes a ser mais gente – se é que pessoas assim são capazes de aprender com os tombos.

Somos humanos, somos sentimentos, não podemos achar que conseguiremos ficar tranquilos sendo opções últimas das pessoas, aceitando o desprezo que convém aos interesses alheios, o descaso de quem só nos enxerga quando quiser, quando estiver sozinho.

Sempre seremos prioridade para a pessoa certa, para quem nos ama por inteiro e se entrega sem nem pensar em porquês.

Já quem vier com menos, que se apequene para lá, bem longe de nossa felicidade.

SE VOCÊ NÃO SABE AONDE QUER IR, QUALQUER CAMINHO SERVE

Nada é mais arriscado que viver.

A existência humana acontece como risco o tempo todo; acontece como “vertigem da queda”. Mas, mesmo assim, protegidos pelo inconsciente, vivemos como se o fim não existisse e traçamos metas e objetivos; tentamos lidar com cada coisa como se elas tivessem valor eterno e absoluto.

Particularmente, não acredito que aquilo o que quero vai acontecer simplesmente porque planejei, mas certamente aquilo o que almejo tem maior chance de se tornar realidade se houver planificação.

Aqui faço coro com o romancista Lewis Carroll, em seu melhor estilo nonsense: “se você não sabe aonde quer ir, qualquer caminho serve”.

Planejamento exige disciplina e evoca a consciência de que, dele, participamos eu e o resto do mundo — muitos “eus pessoais” e tantas outras variáveis estão envolvidos no projeto de uma única pessoa. A despeito dessa realidade, essa é a melhor forma de tornar reto um caminho sinuoso.

Antever a sequência dos passos permite-nos intervir na rota.

Fato! Porém, não se deixe escravizar, porque ninguém e nada tem a obrigação de seguir um script. Das coisas que aprendi — mais na prática que na teoria — é que tão importante quanto planejar é replanejar.

Sejam quais forem suas aspirações pessoais ou profissionais, você sempre precisará traçar objetivos de curto, médio e longo prazo, ainda que minimamente.

Especialistas em Administração consideram objetivos de longo prazo aqueles que podem ser atingidos em cinco anos ou mais; os de médio, aqueles que podem ser alcançados em um ano; e os de curto, aqueles que se apresentam no imediato.

Certamente os de curto estão inseridos nos de médio, que estão inseridos nos de longo; mas não conseguiremos atingir os de longo, se os de curto não forem planejados.

O planejamento é a busca da perfeição subjetiva, devendo ser aquilo o que nos impulsiona em direção às respostas desejadas com maior rapidez e eficácia. Deste modo, é preciso saber aonde se quer chegar, avaliando a exequibilidade do que se pretende, tendo a flexibilidade necessária para replanejar quando imprevistos acontecerem.

Meu desafio hoje é fazer você pensar sobre seus objetivos: estão bem definidos? Você tem seguido o caminho adequado — ainda que mais longo — ou está sendo tentado a tomar atalhos arriscados? Tem corrigido seu curso quando a vida impõe? Pense nisso…

RELACIONAMENTOS DEVERIAM COMEÇAR DE TRÁS PARA FRENTE

Ei, garota, sabe esse cara com quem você está se envolvendo? Ele parece ser demais, né? Super atencioso, divertido, te respeita. Uma pessoa incrível. Cheia de valores, caráter e dignidade. Mas será que é mesmo?

As pessoas – e veja bem, não falo apenas dos homens – só mostram quem verdadeiramente são, quando não querem ou não podem mais obter nada de você.

Você é linda, nós sabemos disso. Qualquer pessoa pode facilmente perceber.

 Mas você também é muito mais do que isso. E esse ponto, só vai enxergar quem realmente quiser.

Você tem tanto para oferecer, não tem? Suas ideias, seus pensamentos, seus talentos, seu caráter, seus carinhos, seus beijos, seu amor, sua amizade, sua inteligência, etc.

E os homens que se aproximarem de você, se dividirão sempre em dois grupos: os caras que possuem interesse genuíno em conhecer o que está além do seu rostinho desenhado pelos deuses, e os caras que te enxergarão sempre como uma bu@#$% ambulante.

Infelizmente as pessoas não vem com currículo e carta de recomendação. Não vem com placas na testa escrito “babaca” ou “bom caráter”. Para saber quem são, você vai ter que se arriscar. Às vezes a surpresa é boa. Outras vezes não.

Enquanto estiverem rolando os beijos e o sexo fácil, o cara será sempre o mais honrado e merecedor possível. Te fará elogios. Se mostrará interessado em tudo o que você tiver para apresentar. Será o genro que sua mãe pediu. Mas e quando os beijos e o sexo não existirem mais? Quando ele não quiser mais isso de você ou você não quiser mais isso dele? Como ele se comportará?

Engolirá o ego ferido e aceitará uma amizade pacífica e civilizada, ou agirá como uma criança cujo doce foi roubado e fará pirraça te chamando de boba, feia e chata?

Essa é a hora em que você vê o que a pessoa realmente queria com você desde o início. Se ela te enxergava como a pessoa incrível – que nós sabemos que você é – ou se você só servia para estar na cama dele numa sexta à noite.

Repare sempre nas atitudes passadas. Se esse cara tem histórico de ser um completo babaca com as mulheres que passaram anteriormente na vida dele, acredite, para ele ser assim com você também é só uma questão de tempo. Caráter não tem botão liga/desliga. Ou a pessoa é digna e honrada com todo mundo, hoje, ontem e sempre, ou não é com ninguém – nunca.

Sou da teoria de que se o mundo fosse justo os relacionamentos começariam de trás pra frente. Primeiro você conheceria quem a pessoa realmente é e depois decidiria se entraria por essa porta ou se a trancaria para nunca mais abrir.

As pessoas podem ser incríveis com o mesmo ímpeto e intensidade com que podem ser terríveis e enojáveis. É tudo questão de escolhas.

E diante delas, faça as suas também.

Se esse cara não serve nem como um amigo que verdadeiramente te respeita e admira, porque mesmo você o deixa ficar entre as suas pernas?

(Autora: Marina Barbieri)
(Fonte: deuruim.net)

NÃO TENHA MEDO DE MUDAR!

Não tenha medo de mudar, mudar de visual, mudar de casa, de emprego, de amor, principalmente de amor, se não agrega, não se apega, a vida é baseada em ciclos, e devemos cumprir um por um, ás vezes ele termina, e ali pode apostar era para ser ali, daquele jeito, com aquela pessoa.

Por vezes, decidi que não era mais o momento de continuar, os sonhos eram diferente, as realidades eram completamente opostas, mas com certeza o respeito deve ser sempre mantido, ah- vai doer sim, claro que vai, é sentimento, por mais que tenhas um coração empedrado, água mole uma hora fura.

Muitas vezes desliguei a luz que era meu guia, mas muitas outras se ascenderam, muitas pessoas passaram pela minha vida, mas lembro uma a uma; mas chegava o momento que mudar era preciso, muitos cheiros ainda sinto, perfumes, aromas, fragrância de uma vida tonteada de caminhos que precisei decidir seguir sozinho.

Guardadas as proporções a vida a dois é muito boa, é fantástica, mas tudo na sua vida precisa ter um por que?

Até encontrei muitos porquês, mas sem respostas concretas, muitas vezes dei votos de confianças que seguiram para um outro rumo findando um fim quase certo. O que falta às vezes é a coragem de seguir sozinho. dar um basta, ou bastar-se por um instante e tomar a atitude correta de viver em outra direção.

Entre as escolhas mas duras da minha vida, foi escolher a mim mesmo, pois em mim eu aposto e vejo que não vou me decepcionar.

Marcas ainda me arrastam, não nos dedos, e sim no coração, o espelho ainda me culpa por algo que tão pouco fiz, mas sei que ao certo meu cérebro tomou a escolha certa. MUDE IRÁ LHE FAZER BEM!

(Autor: Luís Fernando Drecksler)
(Fonte: amor.ano-zero.com)

TEMPO NÃO É QUESTÃO DE PREFERÊNCIA, É FALTA DE VONTADE MESMO

Ontem, cheguei em casa mais cedo do que em dias normais. Tomei um banho, comi um pão de sal com manteiga e café. Sentei no sofá e me bateu uma preguiça, decidi ir para a cama antes das nove da noite.

Naquele canto só meu, eu virava de um lado para o outro e pensava na agenda do dia seguinte. Não contei carneirinhos, mas comecei a colocar tudo na ponta dos meus pensamentos e descobri que estou em débito comigo mesma.

Percebi que não me dou de presente noites livres para não fazer nada, porque estou me ocupando com o que não precisa.

Descobri que tenho amigos que não ligo para eles há quase um mês. Lembrei que a conversa com a minha Tia Marta está sendo trocada por mensagens no celular.

Fiquei com vergonha de mim mesma, porque percebi que eu tenho despachado minha irmã quando ela me liga. Fiquei contando minhas pendências e só não contei amores, porque já tenho um para sempre e o passado adormeceu.

Refletir dói. Refletir nos faz sentirmos culpados. Pensar é gratuito, mas pode custar arrependimento e saudade. Um travesseiro, um colo, uma noite solitária, uma taça de Bordô, nos faz confrontarmos com aquilo que precisa de reparos.

É isso… Uma noite atípica para mim, me deu a oportunidade de prestar atenção no que eu precisava ver e sentir.

Eu estou em falta com o mundo que construí. Estou trocando vida por trabalho e prazer por dinheiro. E, que mal tem? Nenhum, desde que eu não estivesse remoendo dentro de mim no silêncio escuro do meu quarto.

Estou sendo negligente comigo mesma ao me perder em horas extras, ao mergulhar por completo em compromissos que podem esperar, ao correr desesperada e derrubar meu tempo.

Somos negligentes quando a ocupação diária é mais importante do que deitar na cama mais cedo e pensar em nada, relaxar entre uma música e o travesseiro. Tempo não é questão de preferência, pode ser falta de vontade mesmo, de acomodação.

Pensamos muito na vida e nos afazeres, mas esquecemos de refletir no que nos faz bem. Estamos cercados de números, conquistas, sonhos, projetos e estamos esquecendo os sentimentos, os carinhos e o viver bem. Estamos esquecendo que repousar é tão importante quanto trabalhar dez, doze horas por dia.

Quando podemos descansar sem muita preocupação, não conseguimos e achamos estranho. Muito estranho ir para a cama cedo demais e não dormir. Estamos esquecendo que dormir, ficar olhando para o teto, pensar na vida e sair mais cedo do trabalho são sinônimos de viver também.

Estamos esquecendo que uma noite, um dia de presente de nós para nós mesmos, vale mais do que um mês de férias, alivia mais o estresse e cura qualquer aflição.

Só se vê bem com os olhos do coração, disse Exúpery. E só vive bem quem admite que é preciso parar e reconciliar com o tempo e com o descanso.

ÁS VEZES, PRECISAMOS MATAR SENTIMENTOS PARA MANTER A CONVIVÊNCIA

Sim, às vezes precisamos matar sentimentos para manter a convivência.

Contradição? Não. É a vida real, que em alguns momentos pode se tornar muito dura e dolorosa. Sempre defendo em meus textos a importância de termos uma vida autêntica. Sempre defendo a ideia de que devemos fazer o que gostamos, pensar com a própria cabeça , se entregar ao amor verdadeiro, ficar onde somos realmente queridos.

Por outro lado, por mais libertária e espontânea que seja uma pessoa, em algumas situações, ela vai precisar engolir alguns sapos e fingir que está tudo bem para evitar conflitos.
Conflitos que poderiam gerar grandes estragos em sua vida e na vida de outras pessoas. Conflitos que poderiam estragar relações essenciais para a sua felicidade.

Sim, ás vezes precisamos suportar o insuportável em nome de algo maior. Ás vezes, precisamos calar algumas palavras na boca para evitar confrontos diretos. E por mais doloroso que seja , algumas vezes, precisamos sufocar o amor ou a amizade profunda que sentimos por uma pessoa para deixarmos de sofrer, para continuarmos convivendo sem grandes dramas e desgastes emocionais.

Quando gostamos muito de um amigo, mas sentimos que ele corresponde à nossa amizade pela metade, não precisamos deixar de conviver com ele, principalmente se frequentamos os mesmos lugares e temos amigos em comum. Basta que matemos um pouco do carinho e da amizade que sentimos pela pessoa. Basta não colocarmos mais a pessoa no centro do nosso coração, sentada numa cadeira mega confortável. Basta que a deixemos lá , num cantinho mais modesto com outras pessoas que respeitamos , mas que não amamos profundamente.

Quando enfraquecemos um pouco certos vínculos afetivos , as ações da pessoa que nos magoa ou que nos negligencia já não nos afetam tanto.

Uma das coisas mais tristes da vida é a não reciprocidade. É sentir que uma pessoa mega importante na sua vida , apenas gosta de você, mas não te considera realmente especial. Amor e amizade vínculos afetivos que aquecem e iluminam o coração precisam ser integrais, totais, caso contrário , se tornam uma amizade a mais. Não faz muita diferença.

Quem se diz nosso amigo, mas nunca tem tempo para nós, não oferece uma amizade realmente acolhedora. Quem se diz nosso amigo, mas só nos procura nos momentos de crise, nos vê como um conselheiro ou um bombeiro para apagar incêndios da alma, mas não é realmente nosso amigo.

Quem não compartilha das nossas maiores alegrias também não nos oferece o tipo de amizade que ilumina a vida. Quem se diz nosso amigo, mas também é amigo de pessoas que nos fizeram sofrer profundamente , pode até gostar da gente , mas o amor que sente pelo nosso inimigo acaba , de certa forma , anulando o amor que sente por nós.

Como se sentir completamente à vontade e se entregar totalmente a quem troca confidências com um inimigo nosso? Com quem convive e tem amizade por uma pessoa que quase nos destruiu? É muito complicado e doloroso ver quem amamos , alimentando uma amizade por quem nos impôs um sofrimento quase insuportável. Esta questão cada um deve refletir no silêncio ou no tumulto do próprio coração por ser extremamente íntima e subjetiva.