O que é Psicanálise? Parte 1 – Ela é esquisita?

“O que é Psicanálise?” É uma série de filmes educativos divididos em 4 partes, com o intuito de facilitar os primeiros encontros com o pensamento de Freud. Ela foi produzida pelo ‘Freud Museum London’ que autorizou esta reprodução e enviou a cópia original do filme para o acréscimo das legendas em português feitas pelo Elabora Psicanálise Acessível (www.elaborapsicanalise.com.br).

NESTE EPISÓDIO:
A psicanálise é esquisita?
Uma cura pela fala
O inconsciente
O ego não é mestre em sua própria casa
A psicanálise e a “abordagem cognitiva”

Mais informações: http://www.freud.org.uk/education/

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OFICIALIZAR MACONHA É ABRIR FÁBRICA DE ESQUIZOFRÊNICOS, DIZ PSIQUIATRA

Se o Brasil seguir a tendência de outros países e oficializar a indústria da maconha, nós teremos “uma fábrica de esquizofrênicos“.

A opinião é do psiquiatra Valentim Gentil Filho, professor titular da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), convidado do programa Roda Viva, apresentado na TV Cultura no dia 4 de novembro de 2013 e reproduzido pelo UOL.

Para o psiquiatra, considerado um dos mais influentes do país, a sociedade tem sido conivente e omissa em relação à droga, e os riscos provocados por ela não têm sido bem divulgados. Gentil Filho contou no programa que, segundo estudos bem fundamentados, a maconha aumenta em 310% o risco de esquizofrenia quando consumida uma vez por semana na adolescência. E trata-se de uma doença incurável: “O esquizofrênico pode ter uma vida praticamente normal, mas sempre há uma sequela”.

O psiquiatra sugeriu que, assim como pais permitem que seus filhos consumam álcool em festas, a informação distorcida de que maconha não faz mal fará com que eles deixem os jovens fumarem em casa. E o problema é que, nos adolescentes, que estão em uma fase de “poda” natural do cérebro para a entrada na idade adulta, a droga é especialmente prejudicial.

O professor também fez críticas à chamada luta antimanicomial, que fez o Brasil fechar milhares de leitos psiquiátricos sem proporcionar alternativas. Ele ressaltou que o atual modelo dos Caps (Centros de Atenção Psicossocial) não tem como substituir o atendimento ambulatorial e as internações psiquiátricas. Para Gentil Filho, não se trata de abandonar os pacientes em manicômios, mas garantir o tratamento em fase aguda. Ele reforçou que, atualmente, só um terço dos pacientes psiquiátricos diagnosticados recebe tratamento.


Para o psiquiatra, tanto a luta antimanicomial quanto a vinda de cubanos (pelo programa Mais Médicos) fazem parte de uma visão mais ampla que a medicina, de uma mentalidade que persiste no Ministério da Saúde e tem raízes político-ideológicas. Na prática, segundo ele, o que acontece é que há um número absurdo de pessoas com transtornos graves nas ruas, rejeitadas por hospitais e por outras instituições. “Há uma desassistência fenomenal e nós temos recursos terapêuticos”, lamentou.

Depressão e pânico

O convidado do Roda Viva também falou sobre o aumento no diagnóstico de depressão, que para ele é fruto de diversos fatores, como a ampliação dos conceitos sobre a doença e a descoberta de novas moléculas que se mostram mais eficazes que o placebo.

Ao falar de outros transtornos que têm sido mais frequentes, ele também mencionou a síndrome do pânico. Entre as possíveis causas desse aumento, de acordo com o especialista, estão o maior consumo de estimulantes, cafeína e medicamentos com ação no sistema nervoso e atitudes como a privação de sono, capazes de deflagrar crises. Mas ele pondera que o estresse não é algo novo na humanidade, assim como os transtornos mentais. “Eu prefiro viver hoje do que nos tempos bíblicos”, ironizou.


O programa apresentado pelo jornalista Augusto Nunes e a bancada de entrevistadores contou com Fernanda Bassette (repórter de saúde do jornal O Estado de São Paulo), Ulisses Capozzoli (editor-chefe da Revista Scientific American Brasil), Paulo Saldiva (professor titular da Faculdade de Medicina da USP, especialista em poluição atmosférica), Aureliano Biancarelli (jornalista da área de saúde) e Luciana Saddi (psicanalista, escritora e blogueira da Folha de São Paulo). O Roda Viva ainda teve a participação do cartunista Paulo Caruso.

Assista a seguir, trecho da entrevista onde o Dr. Valentim Gentil Filho fala sobre os terríveis efeitos do uso da maconha.

A EMPATIA NEGATIVA – O PRAZER DE SE AFIRMAR PRATICANDO O MAL

Talvez uma boa definição de maldade seja a prática de um ato em que outra pessoa é prejudicada de forma consciente. Ou seja, aquele que pratica a maldade sabe das consequências danosas do seu ato, sabe que se trata do uma ação indevida e a pratica assim mesmo.

A maldade se distingue das reações agressivas a que todos nós estamos sujeitos tanto no papel ativo como passivo: quando alguém é agredido existe uma tendência natural para reagir a ela de uma forma ou de outra. A ação agressiva pode ou não ser intencional e não é raro que a reação venha a corresponder a um ato maldoso; porém, houve uma agressão que a antecedeu.


Um exemplo peculiar de reação agressiva é a inveja, não raramente maldosa: uma pessoa se compara com outra, sente-se por baixo e isso provoca uma sensação de humilhação que é vivenciada como agressão; reage a essa suposta agressão de forma sutil e desleal, tentando rebaixar ou diminuir aquele que despertou a inveja. Esse tipo de maldade pode vir a ser praticada por qualquer um de nós.

Na grande maioria dos casos de maldade, o ato é motivado pelo desejo da pessoa de obter algum benefício que não lhe é devido. Assim, uma pessoa egoísta fará o que for necessário para alcançar seus objetivos materiais, intelectuais ou sentimentais sem se preocupar com os danos que porventura venha a causar nos interlocutores. Estará agindo em defesa dos seus interesses, desprovida de sentimento de culpa e de uma forma nada empática. Não irá se incomodar com a dor provocada. Porém, não é essa sua primeira intenção; a real motivação é a de se apropriar daquele dado benefício; o dano ao outro é um desdobramento do objetivo inicial e não é fonte de satisfação e nem de dor.


Em alguns casos, o ato agressivo está claramente associado ao erotismo. Há décadas venho afirmando que o sexo, especialmente nos homens, tem importantes conexões com a agressividade, de modo que isso explica comportamentos sádicos, consentidos ou não, assim como os mais dramáticos atos eróticos relacionados com o estupro, exibicionismo, pedofilia… A associação entre sexo e agressividade pode explicar alguns comportamentos machistas, assim como algumas formas de maldade feminina – ser muito provocante para seu parceiro e, mais ou menos regularmente, rejeitar sua abordagem! A maldade nem sempre envolve violência ou apropriação indevida de objetos ou cargos. Por vezes pode se exercer de forma sutil, provocando dor psíquica, como é o caso do ato de humilhar deliberadamente outra pessoa.

Nas crianças que batem nas mais fracas ou que praticam o bullying, tenho a impressão de que o que está em jogo é a autoafirmação: a criança se avalia como mais forte ao rebaixar física ou moralmente alguma outra. Não é fácil explicar os atos violentos contra alguns animais domésticos que são objeto de maus tratos por parte de algumas poucas crianças. Alguns acham que isso indicaria a existência de algum tipo de predisposição biológica para a prática de ações agressivas e maldosas. Não estou convencido de que essa seja uma boa explicação. Sim, porque se houver uma predisposição para a maldade, aquele que a pratica não pode ser responsabilizado; estará “apenas” exercendo sua natureza (segundo o dicionário de filosofia de Comte-Sponville)! Talvez seja mais uma manifestação do tipo da autoafirmação, especialmente se estiver sendo exercida diante de outras crianças. Seria também uma exibição de coragem, de “sangue frio”, de ser mais competente para o exercício da violência.

É mais ou menos nessa linha que acredito que se possa explicar certas condutas que parecem exclusivamente maldosas, desprovidas de benefício para quem a pratica, próprias dos psicopatas. Sendo pessoas destemidas, muitos gostam de se exibir como mais ousados para executar qualquer ato violento. Isso pode parecer gratuito, mas está a serviço da vaidade, de se sentir superior aos outros membros do grupo a que pertence. A vaidade consiste no prazer (erótico) relacionado ao ato de se destacar; e num grupo de marginais, talvez o destaque ganhe essa forma, qual seja, a de ser capaz de maldades mais ostensivas e desnecessárias.


Além da vaidade de ser um membro destemido do grupo, o que costuma determinar um posto de liderança perante aqueles que sejam portadores de algum medo, o ato violento aparentemente gratuito também costuma estar a serviço de intimidar os membros do grupo, reforçando e definindo de modo claro e definitivo o papel de liderança daquele que é totalmente destemido e, claro, desprovido de qualquer tipo de culpa ou empatia. Aliás, esse gosto pela maldade pode ser chamado de “empatia negativa”: o prazer de se afirmar praticando o mal.

Perdoar Também Cansa…

Uma das dúvidas que nos acompanham enquanto estamos compromissados com alguém diz respeito ao perdão – o que, como, quantas vezes perdoaremos? Vale a pena?

Se fôssemos levar em consideração a célebre frase do livro “Love Story”, de Jennifer Echols – “Amar é jamais ter que pedir perdão” -, como parâmetro para termos certeza dos sentimentos do parceiro, nunca conseguiríamos amar alguém, tampouco sermos amados.

Ninguém é perfeito, todos erramos, machucamos e decepcionamos as pessoas que nos amam, e vice-versa. O perdão faz parte da dinâmica de fortalecimento dos relacionamentos amorosos, pois, na maioria das vezes, traz aprendizado e mudança positiva de atitudes.

Porém, ter que perdoar todos os dias os erros que se repetem e avolumam acaba por extenuar nossas forças e nossa crença na verdade daquilo tudo.

Enquanto os parceiros se conhecem mais intimamente, no início da relação, vão se conectando mais fortemente, sentindo-se, descobrindo-se, tateando os terrenos em busca de tudo aquilo que no outro é encantador, onde se pode ou não avançar. Costumamos então atender às expectativas do amado, objetivando o mesmo em troca. Faz parte da conquista e do fortalecimento da união explorar o parceiro, sua personalidade, anseios e pontos de vista, para que o sentimento se fortaleça mais e mais.

Nessa fase em que ambos estão se conhecendo, inevitavelmente irão se decepcionar com mais frequência, pois é assim que nos impomos enquanto pessoas que pensam, agem e sentem diante das ações do parceiro. Com o passar do tempo, já sabemos bem como agradar ou desagradar nosso companheiro, ou seja, quanto mais conhecermos a pessoa que está ao nosso lado, menos teremos chances de errar em relação a ela.

Infelizmente, para muitos, isso não acontece; os erros se repetem e/ou aumentam ao longo do tempo.

Nesses casos, teremos de encarar continuamente questionamentos sobre se vale ou não a pena perdoar tantas e tantas vezes. Muitos nos aconselharão a desistir e a partir para outra, outros pedirão que ouçamos o nosso coração e talvez haja até quem nos encoraje a tentar de novo. É muito difícil opinarmos sobre a vida dos outros, pois somente quem passa pelos acontecimentos e sofre de fato é que sabe o quanto dói, o quanto aquilo importa, o tanto de amor que ainda resta e merece ser cultivado.

Seguramente, o perdão deve sempre se acompanhar de ressalvas, não sendo concedido de forma incondicional, pois tudo o que é fácil demais não traz motivação para que reflitamos e mudemos para melhor, tampouco traz aprendizados. Da mesma forma, devemos perdoar enquanto ainda houver esperança lúcida e ponderada de que conseguiremos conviver com aquilo, sem nos atrapalhar emocionalmente.

Somente perdoar enquanto ainda se carrega dentro do peito uma mágoa que teima em queimar não significa perdoar de fato, e isso certamente transbordará um dia ou outro, machucando de novo aos dois.

Ninguém fugirá às decepções com as atitudes alheias, tampouco estará livre de ter que optar entre o perdão e a renúncia a um amor por que não valha mais a pena lutar. Qualquer que seja a escolha, enfrentaremos dias de pesar e dor, pois decepcionar-se com quem amamos demais é muito difícil, sendo que muitas vezes tentamos buscar em nós mesmos a culpa pelas falhas do outro. É sempre bom analisarmos a forma como estamos vivendo e compartilhando nossas vidas, de maneira a tentarmos não nos esquecer de nosso bem estar nesse caminho, em favor da manutenção de algo que já pode ter acabado.

Trata-se daquela velha e famigerada história: ninguém perdoa ninguém sem que tenha perdoado a si próprio. Somente assim estaremos prontos para recomeçar, em pendências, sem rancor, sozinhos ou com alguém que nos mereça de verdade. No mais, sigamos a sabedoria popular, que tão bem nos ensina a antes estarmos sós do que mal acompanhados.

Encerrando O Ano: O Que Ficou Do Período Que Termina?

E mais um ano chega ao fim!

É um momento repleto de ansiedade com a chegada do novo ano. Planos, metas e expectativas são criados para o início de um novo ciclo. Mas, antes mesmo de se programar para o novo, é muito importante parar para refletir sobre o ano que está terminando.

Fazer uma retrospectiva de todos os momentos marcantes, bons ou ruins, que ocorreram ao longo desse período é um exercício que nos prepara para o que está por vir.

O que aconteceu durante esse ano? Você percebe alguma mudança em você ao longo desse período? Consegue se lembrar dos seus objetivos iniciais e se eles foram realizados? É importante refletir sobre as conquistas, os pontos positivos, as atitudes que merecem ser destacadas, mas também sobre o que não deu certo. Isso nos orienta e nos auxilia para as novas realizações.

Retrospectiva pessoal e projeção para o próximo ano.

Existem várias formas de pensar no ano que passou. Uma delas é pensar separadamente por áreas e escrever sobre elas. Como foi a área pessoal, a afetiva, a profissional, a familiar, a da saúde, a espiritual e qualquer outra que tiver importância para você. Dessa forma fica mais fácil identificar os pontos fortes e fracos.

Depois de separado é a hora de fazer uma retrospectiva para cada área. Para facilitar faça algumas perguntas: Do início do ano até hoje eu mudei nessa área? Em que exatamente? Quais foram os ganhos? O que eu acertei? O que eu errei e poderia ter feito diferente?

Nesse processo é fundamental ser justo e franco consigo mesmo. Situações diversas, tanto ruins quanto boas, aconteceram. Durante um ciclo os dois aspectos estão presentes e a ideia é identificá-los e resgatá-los igualmente para construir um panorama mais completo e honesto.

É importante reconhecer o que foi positivo e se parabenizar por isso. E pensar no negativo como uma possibilidade de aprendizado para fazer diferente numa próxima oportunidade.

Anote, pense sem pressa sobre tudo isso e depois pergunte a si mesmo: o que você gostaria de deixar para trás e o que gostaria de manter? O que deseja para cada área no ano novo? E como pensa em conquistar o que deseja?

Priorize e estabeleça metas justas com o que é possível realizar. É muito importante também pensar no lazer, em como relaxar durante o ano e criar recompensas para as metas conquistadas, isso torna a jornada mais agradável e possível de ser realizada.

Como isso pode nos ajudar?

As mudanças dependem, em grande parte, das nossas atitudes. Refletirmos sobre o ano que passou avaliando o que fizemos de negativo e positivo, nos ajuda a aprender mais com as experiências passadas e nos prepara melhor para o futuro.

Reconhecer nossas qualidades e perceber tudo aquilo que fomos capazes de realizar nos dá segurança e energia para recomeçar todo o processo de busca e superação para o ano que se inicia.

Considerar o que precisamos melhorar e o que poderíamos ter feito diferente melhora o autoconhecimento e, com ele, a possibilidade de mudar, de fazer diferente. Estão por vir tanto os acontecimentos inéditos, quanto àquelas situações que tendem a se repetir.

À medida que pensamos no que passou conseguimos perceber melhor quando algo está para acontecer novamente e, assim, parar, pensar e escolher ter uma nova atitude para o novo ano. É trilhar o caminho na busca da autonomia sobre a própria vida.

Desejamos a cada um de vocês um ano novo repleto de boas escolhas e realizações!

O Intenso Mundo Das Pessoas Que Fantasiam Em Excesso

Acontece. Você está lá no meio do trânsito e, de repente, começa a imaginar que está de férias numa praia paradisíaca com sua família. Você está estudando e quando menos espera seu pensamento foi para outra realidade bem distante e você nem ao menos sabe por quanto tempo está ali “viajando”. Ou ainda, antes de dormir você começa a criar estórias na sua cabeça, com personagens, falas e cenário. Quem nunca?

Imaginar, sonhar acordado, inventar situações que você gostaria que acontecessem é absolutamente comum. Mais do que comum. É gostoso.

Nos sentimos roteiristas de filmes, autores de novelas, contadores de estórias… É um momento que a criatividade rola solta, que a liberdade para pensar é de fato exercida, que as amarras sociais são esquecidas. Afinal, você pode pensar o que quiser que ninguém nunca saberá se não quiser compartilhar.

Desta forma, fantasiamos com o que não temos e gostaríamos de ter, com o que não somos e gostaríamos de ser e até com situações que temos medo que aconteça – as fantasias também podem ser frustrantes, apesar de serem mais raras.

Um dos pontos positivos das pessoas que gostam de fantasiar é que esse movimento pode suprir certa lacuna da vida afetiva, social, profissional e, com isto, gerar uma motivação para alcançar os sonhos planejados.

Entretanto, existem as pessoas que parecem viver numa realidade à parte (e não estou me referindo aos portadores de transtornos mentais). São pessoas que realmente gostam de estar na companhia dos próprios pensamentos, só que o tempo todo.

A fantasia excessiva funciona como um mecanismo de defesa que proporciona uma satisfação ilusória. Por exemplo, ao entrar na puberdade é comum que os adolescentes comecem a imaginar sobre a experiência de ter um namorado, sobre como será a primeira relação sexual… Mas alguns levam as fantasias tão a sério, que se alimentam delas e se fecham para o mundo real. Começam a acreditar que elas são melhores do que encarar o futuro parceiro, pois têm o controle da estória que criam e não precisam sair da zona de conforto.

Ou seja, esses adolescentes passam a se satisfazerem apenas com as fantasias, o que dificulta a vivência dos relacionamentos reais.

O desenho “O fantástico mundo de Bob” que passava na década de 1990 fala disso. Um garoto de 4 anos de idade que fantasia sobre tudo e todos. Ele cria cenas mirabolantes na tentativa de interpretar o mundo que está conhecendo. Por sinal, é um desenho que vale a pena pela originalidade e criatividade.

Para uma criança, as fantasias são muito saudáveis; ajudam na elaboração da vida em sociedade. Para os demais, é saudável só até certo ponto.

Se você acha que as suas constantes fantasias podem estar te atrapalhando em algum ponto, procure ajuda profissional. Nossos pensamentos são os ingredientes para criarmos nosso mundo. Que mundo você quer construir?

A Geração Da Rapidinha Chegou

A geração da rapidinha chegou.

Foto bonita no Facebook, entra na página, vasculha o perfil, descobre quem é pai, mãe, melhor amigo, cachorro, casa de praia onde passou o último verão e quem foi a última namorada.

Adiciona como amigo. Aceitou. Manda Inbox. Respondeu. 10 frases e passa o WhatsApp. “- Oi, oi; por aqui é bem melhor. -E aí, o que vai fazer no fds? -Vou na festa e vc? -Também. -Então nos encontramos lá”.

Alguns dias de ansiedade e chega a hora. “Será que ele vai? Com que roupa eu vou? Batom vermelho? Acho que não rola, amiga. Vai de nude, salto e saia”. “-Oi, oi; prazer, prazer. Beijos!!!!

Beijos… Beijos sem muita conversa. Mas também, porque beijos precisam ser quase imediatos? Daí rola aqueles olhares sem muita profundidade. Vontade sem muito entusiamo. Mas o que podemos esperar de uma relação tão sem “relação”? Mas está bom, melhor que nada. Vida de solteira anda meio difícil não é mesmo? “-Deixa que eu te levo em casa então”.

No outro dia de manhã tem WhatsApp. Quem manda primeiro? Quem está mais interessado? Não, quem é mais maduro. Um oi e um tchau. Uma noite, duas noites… Uma semana e uma mudança de lua são suficientes para acabar.

A regra das relações rapidinhas segue a mesma constância: acho que não era para ser. É alto demais, é loiro, não trabalha, tem poucos seguidores, vive na balada, gosta de comer milho na frente dos outros e tem uma família meio torta.

“Nada”, isso é o que significa as características que usamos para terminar alguma coisa que mal teve a chance de começar. A gente corta as asas de quem nem aprendeu a voar ainda.

As pessoas perderam o olhar longo, a jogada de cabelo… Perderam a emoção de um sms escrito “estou com saudades”. Será que ninguém mais tem vontade de olhar as estrelas sem pensar em mais nada além daquele momento? Com aquela pessoa? Será que eu estou sozinha nesse mundo super lotado de pessoas sempre on-line?

Parece que nada mais tem graça, parece que tudo anda meio vazio. Tudo é tão igual.

A gente está perdendo a sutileza de saber o que significa se entregar, merecer, conquistar, estar, viver… Se perceber e se doar. Se amar e admirar a cor dos olhos do outro. A textura do cabelo, os ossinhos da mão e o jeito de andar rápido quando está atrasado.

Sabe aquela voltinha na coluna que ninguém tem igual a ninguém? Ninguém mais repara nela. A gente existe por likes. Viaja por comentários, e vai para academia pelo espelho. A legging mais confortável perdeu espaço para a mais bonita.

Essa é a lógica das relações de hoje: o que faz bem foi deixado de lado pela triste beleza do que faz mal. Eu tenho medo de pensar onde isso vai parar.

Em um mundo onde se compra casamentos, seguidores, silicones, bocas carnudas e o perfect365 é de graça, eu fico pensando: será que um dia alguém ainda vai reparar quantos tipos de sorriso eu tenho?

BULLYING: ONDE TERMINA A BRINCADEIRA E COMEÇA A AGRESSÃO?

Quem já não passou por uma situação desagradável de humilhação? Quantas pessoas, quando crianças, já não se sentiram diminuídas e envergonhadas por seus colegas de escola?

O bullying já acontece há algum tempo e em grande proporção, mas a discussão sobre o assunto é recente e está cada vez mais presente nas áreas educacionais, nos programas de televisão, revistas, jornais.

Profissionais de várias áreas, como a jurídica, psíquica, educacional, olham para o tema e apontam para uma reflexão com o objetivo de entender e encontrar formas de evitar ou minimizar o problema.

O bullying significa atos de violência física ou psicológica contra alguém em desvantagem de poder. Surge com frequência na escola e o impacto psicológico da agressão pode acompanhar o indivíduo pela vida toda.

Um dos sintomas que demonstra isso é a grande quantidade de adultos que possuem um bloqueio ao falar em público, prejudicando sua apresentação como pessoa e profissional. Essa dificuldade pode acontecer na escola onde a criança aprende a expor seus conhecimentos perante a um grupo.

Se as experiências iniciais não forem adequadas, ou seja, se quando a criança ao tentar se mostrar foi de alguma maneira diminuída pelos demais, é natural que ela se sinta bastante desconfortável e isso impacte negativamente na sua autoestima fazendo-a evitar a situação de exposição talvez pela vida toda.


Esse exemplo é apenas uma das inúmeras formas de como o bullying pode afetar a vida das pessoas e, consequentemente, a sociedade.

Pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, descobriram que crianças agredidas por maus tratos físicos ou emocionais por parte dos colegas, durante anos consecutivos, aumentam em até quatro vezes as chances de desenvolver sintomas psicóticos na adolescência. Esses sintomas são variados e incluem alucinações e delírios que alteram a percepção do mundo para o sujeito, demonstrando o impacto negativo que o bullying pode ter no desenvolvimento humano.

É brincadeira?

Muitas situações de agressões são encobertas por serem vistas como brincadeiras de criança. Deve ser considerada uma brincadeira aquela em que todos seus participantes estão se divertindo e aprendendo positivamente algo ao longo da experiência. À medida que um participante passa por uma situação angustiante, causando nele dor emocional ou física, e sem ter como se defender, a situação deixa de ser uma brincadeira para se tornar uma agressão. Qualquer forma de exclusão e acusação causa constrangimentos.

É possível que muitas crianças aprendam a ser violentas em casa, reproduzindo o contexto familiar na escola.


A família deve dar o parâmetro do que é e o que não é respeitoso, pois se a criança não tem esse limite fica bem mais difícil que ela absorva e integre as regras da boa convivência, tanto na escola quanto na vida.

É importante que a família esteja atenta também para a questão do Cyberbullying, tantos para os filhos que praticam quanto para as possíveis vítimas. Alguns adolescentes, na pretensão de conquistar amorosamente um par, acabam se expondo demasiadamente na internet sem imaginar que essas imagens podem ser utilizadas com outro objetivo, ou seja, que podem ser divulgadas negativamente na rede numa proporção muito maior. Em muitos casos a vítima precisa sair da escola ou até da cidade para evitar o bullying que começa na internet e termina na vida real.

Canalizando as energias

Uma das maneiras de se lidar com o bullying é canalizar o potencial de quem o pratica para algo construtivo. A criança que pratica o bullying geralmente apresenta uma característica de liderança, ou uma grande força física. É interessante encontrar formas onde o indivíduo possa utilizar essas características a seu favor e não prejudicar ninguém.

Líderes de turma, representantes, monitores são algumas possibilidades, assim como atividades esportivas podem ser formas da energia agressiva encontrar saída de uma forma saudável.

É importante lembrar que a energia agressiva não é ruim, pois nos ajuda a buscar nossos objetivos, a alcançar metas, realizar projetos pessoais e profissionais. A criança pode ainda não entender o que é essa energia, mas é muito importante que isso seja esclarecido a ela e que novas formas de superação da violência sejam encontradas.

Discussões, oficinas e palestras devem ser utilizadas para esclarecerem e orientarem pais, educadores e crianças sobre assuntos como: violência, preconceito, respeito, empatia entre outros. Qualquer trabalho que esteja dentro do propósito de ajudar a criança excluída a se sentir novamente pertencente ao grupo e valorizada como ser humano, deve ser considerada e estimulada.