Homens Ou Mulheres: Quem Sofre Mais Com Uma Separação?

Quem não vivenciou uma separação. Para cada música de amor, há uma de desamor – e cada uma trata o tema sob perspectiva diferente.

Muitos cientistas se dedicam a estudar como esse fenômeno nos afeta, física e emocionalmente. Um estudo recente da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, concentra-se em como essas situações nos afetam, homens e mulheres.

Mulheres sentem mais dor

Com 5.705 participantes de 96 países, o estudo constatou que as mulheres mais afetadas sentem mais a dor física e mental da separação.


Os pesquisadores elaboraram uma série de questões gerais sobre o histórico de términos de relacionamento, pedindo que fizessem pontuações de 0 a 10 (quanto mais alta a nota, maior a intensidade).

Enquanto a média dos homens atingiu 6,58, as mulheres demonstraram ‘sentir mais’: 6,84 é o nível de intensidade delas. Além do mais, analisando a dor física causada pelo fim de uma relação, a diferença é mais acentuada: as mulheres têm média de 4,21, ante 3,75 dos homens.

Explicação biológica

Craig Morris, o principal cientista do estudo, explica que num ponto evolutivo o risco de iniciar uma relação é mais acentuado para as mulheres que para os homens.

Para elas, “um breve encontro romântico pode levar a nove meses de gravidez e muitos anos de lactação”, diz Morris, “enquanto os homens podem ‘sair de cena’ literalmente minutos após o encontro, sem implicações biológicas”.


Essa diferença de risco exige maior cuidado por parte das mulheres na busca do par ideal. Por isso, quando há a separação, a perda tende a ser mais dolorosa.

Isso não significa, porém, que as mulheres sejam as mais afetadas pelo fim do relacionamento.

Homens demoram mais pra recuperar

Embora o estudo conclua que as mulheres sofram mais a curto prazo, o panorama muda quando se analisa o efeito a longo prazo das separações.

Os pesquisadores descobriram que, apesar do baque inicial, as mulheres se recuperam melhor e se tornam emocionalmente mais fortes, enquanto alguns homens podem sofrer mais e, em muitos casos, jamais se recuperar.


Outro dado interessante: na maioria das vezes são as mulheres que determinam a separação. Isso coincide diretamente com as estatísticas sobre divórcio: 70% são iniciados por elas.

Seja científico ou não, é sabido que tanto homens quanto mulheres são afetados com o término de uma relação: é parte da condição humana. Segundo dados de Morris, 10% da população fica destroçada com cada separação, enquanto outros 10% pouco se importa. Ao menos 80% sofreu alguma separação na vida que o afetou profundamente, e recorda disso com detalhes – e dor.

O Perigo De Aceitar Como Normal Aquilo Que Nos Causa Sofrimento

O medo do sofrimento

Todos nós temos medo de sofrer acontecimentos “traumáticos” na vida. E muitas vezes, esse medo direciona a nossa vida para bem longe dos conflitos.

E assim, à medida que tentamos evitar situações estressantes, que podem nos causar sofrimento (acidente, doença, divórcio, brigas, perdas, conflitos ou situações de guerra), ocorrem em nosso ambiente outras situações que parecem mais tranquilas.

No entanto, diversos estudos sobre o estresse e seus impactos na vida diária (Sandin e Choroit, 1991), demonstram que são os pequenos estresses do dia a dia que causam um maior número de problemas mentais.

“Não era a profundidade o que me afogava, mas o tempo que passei debaixo d’água”.
– Frida Kahlo –

Quais são os problemas que nos afetam diariamente?

Existem muitas rotinas diárias em nossa vida que podem estar afetando nossa saúde física e emocional.

As rotinas diárias são aceitas pelo compromisso social, pelo hábito, necessidade, medo da mudança ou obrigação. Na maioria das vezes isso acontece inconscientemente.


Citamos aqui alguns fatores que, com o passar do tempo, podem nos afetar. Se você lida com eles, é conveniente fazer uma mudança ou colocar um ponto final.

– Atitudes superprotetoras.
– Ciúmes do parceiro.
– Conflitos no trabalho, no casamento, com familiares ou amigos.
– Problemas de comunicação com os demais.
– Brigas e gritos que não o deixam descansar.
– Isenção de responsabilidades.
– Acúmulo de tarefas.

Não se esqueça de que, dependendo da pessoa, a situação pode ser mais ou menos estressante.

Reflita: até que ponto isto que aceito como normal está me prejudicando como pessoa?

É correto permitir que meu espaço seja desrespeitado continuamente? Qual é o limite e como lidar com tudo o que me desagrada?

As consequências dos pequenos estresses diários

Esses pequenos problemas muitas vezes passam despercebidos até que se manifestam de forma mais evidente.

Sentimos impotência e culpa por percebermos que muitas dessas coisas desagradáveis já nos fizeram bem. Esse sentimento é normal quando tentamos enfrentar e acabar com um problema; muitas coisas mudam e outras permanecem estáveis.


O importante é perceber que o nosso ambiente é favorável a nós, e não hostil.

Isto não tem nada a ver com a sua capacidade de sacrifício, luta e entrega. É uma questão de inteligência emocional.

É difícil remar forte e por muito tempo, por isso tente encontrar um ambiente favorável para você e não um ambiente que complique mais a sua vida.

Do contrário, esse sentimento de impotência frente aos estressores vai se tornar crônico, nos tornaremos mal humorados e não conseguiremos realizar mudanças produtivas em nossa vida.

Nossas rotinas diárias serão prisões para nossos sentidos e desejos, e até a depressão pode aparecer como consequência desses pequenos “problemas diários”.


Portanto, faça uma pausa, tente encontrar momentos de descanso e relaxamento para recuperar as forças e seguir em frente.

Relaxar nos ajuda a renovar, a voltar com mais energia e com os pensamentos e as ideias mais claras.

Cuide da sua rotina, cuide do seu dia a dia, cuide de você.

Não, Tempo Não É Dinheiro

Medir o tempo é a maior, e talvez mais profunda, conversão da realidade em números. E o que é o tempo, senão a própria vida?

Tempo é experiência, interação, a jornada do ser em sua construção. Ao medir o tempo e convertê-lo em números, roubamos sua infinitude e singularidade, assim como os substantivos e os números reduzem o que há no mundo.


A medida do tempo transforma uma série de momentos únicos em uma porção de segundos, minutos e horas, ignorando a particularidade da experiência subjetiva que esses momentos têm para cada um de nós.

O registro do tempo, através de calendários, começou a ser usado na agricultura para gerenciar o plantio. Enquanto baseados nos ciclos naturais do sol, da lua e das estações, o efeito de seu distanciamento era mínimo, como demonstravam os primeiros agricultores e a forte ligação que ainda mantinham com a natureza.


Devido ao modo cíclico de mensuração do tempo, esses primeiros calendários não tinham a capacidade de contextualizar o tempo, criar história ou contar os anos da vida de alguém. Porém, com o surgimento do comércio expansionista e do governo hierárquico, logo tornou-se necessário manter registros sobre um longo período. Assim, as pessoas começaram a contar os anos a partir, por exemplo, do começo de uma dinastia, moldando o tempo de forma linear.

A divisão do dia em horas e a invenção da semana de 7 dias apenas reforçaram este afastamento, culminando na substituição de relógios circulares por digitais e, consequentemente, extinguindo os últimos vestígios da ligação entre o tempo medido e os processos cíclicos da natureza.

A simples divisão do dia em horas, outrora suficiente, deixou de atender a indústria, que passou a exigir uma precisão muito maior das atividades humanas. O desenvolvimento dos relógios mecânicos, no fim da Idade Média, preparou o terreno para a Revolução Industrial.

Nas palavras de Lewis Mumford: “O relógio, não a máquina a vapor, é a chave da era industrial.” Quanto mais dividimos e medimos o tempo, primeiro em horas, depois em minutos e segundos, menos parecemos tê-lo. As dinâmicas do relógio invadem e usurpam nossa autonomia sobre a vida, até ficarmos todos “alinhados” num mesmo horário — sincronizados numa mesma mentalidade.


Um escravo deve ser pontual para seu mestre, um súdito, para seu rei. Hoje, estamos sujeitos aos horários impostos pelas máquinas e seus requisitos: precisão, regularidade e padronização. É agradável pensar que as máquinas nos servem, mas nossa constante corrida pra estarmos “no horário” diz o contrário.

Imersos na medida linear do tempo, é difícil avaliar a audácia de se dividir o dia em unidades padrão criadas pelo homem: horas, minutos e segundos — propositalmente independentes dos processos naturais. A ideia de que todos os segundos têm a mesma duração predeterminada é tão nova quanto o relógio. Até recentemente, não havia “7:13 da manhã”. O relógio traduz momentos divinos em rotinas mundanas. A medida do tempo acelerou profundamente a separação entre homem e natureza. Mumford ainda comenta:

“Por sua própria essência, o relógio dissociou o tempo dos acontecimentos humanos e ajudou a criar esta crença num mundo independente, de sequências matematicamente mensuráveis: o especial mundo da ciência. Há pouco fundamento para essa crença nas experiências humanas habituais: os dias têm duração variável ao longo do ano, e não só a relação entre dia e noite muda constantemente, mas uma ligeira viagem do leste ao oeste já altera o tempo em alguns minutos. Com relação ao próprio organismo humano, o tempo mecânico é ainda mais estranho: a vida humana possui suas próprias regularidades, basta observar que os batimentos do coração ou o ritmo da respiração mudam de hora em hora de acordo com o humor e as atividades realizadas, e [num contexto social] nem medimos um longo período de dias pelo calendário, mas pelos eventos que o ocuparam.”


Na verdade, o relógio transforma o tempo numa peça padronizada e sobressalente do Mundo-Máquina. O tempo, portanto, só se torna um possível objeto de comércio quando desvalorizado. Caso contrário, quem venderia seus momentos, cada um infinitamente precioso, por um salário? Quem reduziria o tempo, isto é, a própria vida, em “apenas” dinheiro? O ditado, “tempo é dinheiro”, além de cruel, resume a profunda redução do mundo e a escravidão do potencial humano.

Não se admira que os revolucionários de Paris, em 1830, saíram destruindo os relógios da cidade. O propósito fundamental desses objetos não é a medida do tempo, mas a coordenação da atividade humana. Além desse, qualquer propósito é mera ficção, apenas um pretexto: “O tempo não mede nada além de si próprio.” (Thoreau).

A destruição dos relógios representou uma recusa em vender o próprio tempo, de se programar ou moldar a vida de acordo com uma necessidade de especialização em larga escala imposta pela sociedade. Mais ainda, representou uma declaração, “Vou viver minha própria vida!”, resgatando a valorização do “agora”.


A vida programada e apressada é a vida de um escravo, cuja qual não lhe pertence. Veja se esta simples demonstração de domínio e poder não te parece familiar: “quando eu disser venha, você virá.” — controlar o tempo de alguém é controlar sua vida.

Na sociedade atual, estamos permanentemente ocupados: ocupados demais pra fazer o que queremos; ocupados demais pra apreciar uma refeição; ocupados demais pra observar as nuvens; ocupados demais pra brincar com as crianças; ocupados demais pra gastar mais tempo fazendo qualquer coisa além do necessário. O relógio torna o tempo escasso, e a vida, curta. Daí a nossa obsessão compulsiva diante de tecnologias da sociedade moderna e sua “tríade cool”: velocidade, eficiência e conveniência. Por que diabos procuraríamos chegar mais rápido, fazer mais rápido, ter mais rápido, senão por acreditar que nossos dias (tempo) estão contados?

A ansiedade do homem moderno vem, em grande parte, do sentimento de que não há tempo a perder. Você deve estar sempre fazendo algo de útil. Você precisa fazer com que cada minuto do seu dia seja produtivo. Se, antes de dormir, você não puder dizer que usou cada minuto do seu tempo produtivamente, então parte da sua vida se perdeu, foi simplesmente desperdiçada e nunca mais voltará.


Afinal, qualquer momento pode, e deve, ser utilizado para exercer mais controle sob o mundo — tudo por uma vida melhor e com mais conforto. Talvez, depois de maximizar a chance de obter todas essas coisas, poderemos gastar algum tempo com lazer, diversão e recreação.

Ora, “gastar algum tempo”? Essa metáfora tem uma conotação financeira, não? Reflita, leitor, pois se tempo é , pobre de nós.

Rita Lee: “Envelhecer É Uma Loucura, Não É Para Maricas”

Lançando sua aguardada autobiografia, Rita Lee, nossa roqueira maior, posa com exclusividade para QUEM, afirma que o essencial da vida é amar os bichinhos e colher a própria comida

Os números são astronômicos: maior vendedora de discos do Brasil, mulher que tem a maior quantidade de hits nas paradas do país e campeã de músicas em aberturas de novelas. Os sucessos – dezenas – embalaram e continuam a embalar diferentes gerações. Os discos são vendidos no Brasil e fora dele. Mas, aos 68 anos, vivíssima e cheia de graça, Rita Lee considera:“O maior luxo da vida é dar amor aos bichos e ter uma horta”.

E continua: “Quanto mais simples, melhor. Fazer economia é chique e ecológico. Nessa visão, poder comer da própria horta é um luxo. Eu não quero ter uma Ferrari e ficar me exibindo em rua esburacada. Eu não tenho deslumbre. Não vou me entupir de coisas materiais sem sentido, mansões genéricas…Eu gosto de ficar bem na minha, com meus bichos, que são entidades com as quais divido minha vida. Eu fico comovida quando eu lido com eles, quando os trato, quando trocamos figurinha telepaticamente. É um luxo! Vivo cercada de bichos por carência do divino. E eles são o divino”.

A melhor terapia

Avessa a badalações e curtindo os bichos e a família, a vida da grande artista – cujo nome já está gravado entre os maiores da música mundial – se torna naturalmente alvo de curiosidade.

Aposentada dos palcos – mas não da música –, Rita compõe, grava quando quer no estúdio que tem em casa, e, nos últimos tempos, dedicou-se a escrever sua autobiografia, que está sendo lançada pela Globo Livros. “Ao escrever o livro, achei que falar dos traumas da vida seria muito mais pesado do que foi. Senti que foi bom: percebi que nada era tão ruim quanto eu achava. Esses assuntos ficavam como uma nuvem na minha cabeça, em cantos meio escuros, sem que eu pensasse muito neles. Colocar no papel foi a melhor terapia que fiz na vida. Me fez um bem danado. Escrevi e me libertei. Aliás, escrever a bio foi como se eu estivesse me olhando de fora. Sabe quando dizem que antes da morte passa aquele filminho da nossa vida toda? Foi assim que aconteceu, vi o filminho. Mas com a diferença de que estou viva”, descreve, nessa raríssima entrevista cara a cara.


Bem viva, cheia de saúde (“Às vezes a coluna grita, mas não posso reclamar”) e linda com seus cabelos grisalhos, ela está em paz. “Estou gostando muito desta Rita de hoje. Ela é a mais familiar para mim. Sinto que sempre fui essa daqui e representei as outras. Gostei de várias delas, não gostei de outras. E, se eu quiser, às vezes puxo arquivos das outras: posso voltar à criança, à grávida… Mas sinto que essa sou eu, com meu cabelo branco, minhas rugas, de bem com tudo o que vivi e continuo vivendo”.

Nasce uma grande escritora

Rita não precisa mais provar nada. Sua música permanece atual, relevante. Tanto que, nas ruas, seu público vai de crianças a senhoras e senhores. Com um grande apelo entre jovens e adolescentes.

Uns param a artista para dizer que se consideram as ovelhas negras da família, outros têm “Mania de Você” como trilha sonora de uma paixão, alguns se identificam com a rebeldia de “Orra Meu”, existem os que se sentem protegidos ao ouvir “Reza”. “Eu dou muito valor para isso. Aquela música, que era uma coisa minha, torna-se algo legal para outra pessoa, que me conta que fez bem para ela. Fico achando que é para isso que fiz música.”

Além das glórias nas paradas, nossa roqueira maior passeou com muito sucesso por novelas, filmes, apresentou programas de TV, fez rádio, teatro, musicais, pintou quadros… A biografia de Rita é pra lá de saborosa e ela nos revela mais uma faceta: a de grande escritora.

A infância, passando pelo início da carreira, a prisão em 1976, o encontro de almas com o marido, Roberto de Carvalho, com quem pariu clássicos e três filhos, Beto, João e Antonio – tudo é documentado de maneira honesta. E com detalhes históricos que emocionam. É daqueles livros que não se consegue parar de ler.

“Não tenho deslumbre. Não vou me entupir de coisas materiais sem sentido”

Nas páginas, Rita trata também da paixão por um tema que cercou sua vida desde pequena: os extraterrestres.

E se ela avistasse um disco voador e ainda pudesse pedir para viajar para qualquer tempo? “Se um disco voador aparecesse na minha frente eu entraria direto! Meu sonho! Depois, se eles me oferecessem essa gentileza de me levar para qualquer tempo ou lugar, pediria para dar uma volta no futuro. Queria espiar como serão meus bisnetos, os filhos de Izabella (filha de Beto). Ver também como ela estará, o que fez da vida dela. E depois daria um pulinho no passado, para visitar minha infância, meu pai e minha mãe. Se bem que com a bio foi isso que eu fiz: eu visitei o que já vivi. É impressionante como minha memória dessa época mais antiga é boa. Lembro de tudo, com os mínimos detalhes. Lembro com mais clareza dos meus 5 anos do que o que eu fiz ontem!”

E se nesse passeio encontrasse com a Rita dos 17 anos e pudesse dar um conselho a ela? Envelheça! Mas saiba que envelhecer é uma loucura! Envelhecer não é para maricas. Daria conselhos para ter mais cuidado com a postura, com a coluna! E também diria: experimente todas as coisas que quiser, mas se proteja um pouco mais. Não precisa entrar tão de sola em tudo. Dá uma maneirada em uma coisa ou outra.Ah, e faça música: vai dar tudo certo.”


E como deu, Rita! É um orgulho ter uma artista como você entre nós. Muito obrigado por existir e por dividir sua música e sua vida com a gente.

Capa de Rita Lee, Uma Autobiografia, lançada pela Globo Livros

Rita Lee – uma autoentrevista

Sempre espirituosa, a cantora e escritora topou um desafio proposto por QUEM: já que está lançando sua autobiografia, que ela fizesse uma autoentrevista. O resultado vem a seguir

  • Rita Lee: Você sempre disse que só depois de morta uma biografia sua ficaria completa. O que a fez mudar de ideia?

Rita Lee: Minha vida como “artista performática” morreu, a biografia que escrevi é sobre aquela pessoa que um dia fui.

  • Falando em vida, você acredita em Deus?

Desse deus à imagem e semelhança dos humanos sou atéia… Entendo o Divino através dos animais, das plantas e das pedras. Sou meditante e pratico a iconofilia colecionando imagens de santinhos e divindades de todas as religiões. E luxo para mim não é ter uma Ferrari, é comer da minha própria horta.

  • Tem saudade do palco?

Nenhuma: 50 anos chacoalhando o esqueleto foi a conta certa.

  • O que acha do panorama da música do Brasil de hoje?

Aquele meu velho refrão continua atualíssimo: “Ai, ai meu Deus, o que foi que aconteceu com a Música Popular Brasileira? Todos falam sério, todos eles levam a sério, mas esse sério me parece brincadeira!”.

  • Como você encara a passagem do tempo?

Envelhecer não é para maricas. Dizer que a idade está na cabeça é debochar da minha coluna vertebral. Nada contra quem apela a botoxes e plásticas, mas eu “garrei” carinho nas minhas rugas, pelancas e cabelos brancos, essa é a minha old new face.

  • A notícia de que você vai ingressar na vida política procede?

(Rita Lee boceja e já ia declarar a entrevista por encerrada quando vem a pergunta que não quer calar.)

  • Rita, você vai voltar para os Mutantes?

Zzzzzz…

Quando Vem A Hora Da Despedida…

Era um dia de calor tórrido. Estava eu num sítio em uma área gramada e sem árvores grandes ao meu redor. Não aguentava mais de calor, transpirava ininterruptamente, quando a corrente de vento trouxe uma bela nuvem. Que sombra maravilhosa, que belo alívio!

Aquele instante de frescor durou cerca de dez minutos, tal a extensão dela. Entretanto, infelizmente ela se foi e o calor voltou.

E ficou a reflexão: a abençoada nuvem chegou, deixou sua marca e partiu, para sombrear outras pessoas e seres vivos. Como foi feliz aquele instante. Horas depois, quando refletia novamente sobre sob a sombra de uma árvore pensei que o Fulano calorento que fui não existe mais, e ela agora já deve ter crescido e despejado chuva em algum canto. Nem eu era mais o mesmo, nem ela.

Quantos de nós já não sentimos frio na barriga ao pensar em nos despedir de algo ou alguém? Se afastar de uma pessoa, por exemplo, não é algo confortável. Ter alguém ali, e em um determinado momento não poder contar mais com essa presença é algo desafiador. É preciso se readaptar, muitas vezes após muito relutar e sofrer.

Toda hora de despedida acaba sendo dolorida. Por vezes esse angustiante acontecimento vem motivado por um acidente, por uma preferência minha, pela escolha de outra pessoa, ou até mesmo pela morte. Quando me despeço de uma pessoa, de um lugar, de um emprego ou de um sonho, algo de mim perde identidade. Se me apoio em algo e esse algo se desloca, eu mesmo perco o eixo.


Entretanto, aí está a fonte de toda a não aceitação que muitas vezes decorre desses momentos de baque e readaptação. Quando acredito realmente que minha autorrealização depende de determinada pessoa, lugar ou circunstância, quando essa condição é abalada, todos os meus alicerces também o são.

E não falo aqui do luto que decorre desse tipo de momento. Tristeza e tempo para readaptação são necessidades naturais para um momento de despedida. Entretanto, se eu compreendo que cada momento, cada circunstância, cada projeto e cada pessoa me oferecem oportunidades únicas de realização, o tempo do luto transcorre, é superado, e a vida prossegue.

Se eu perco a companhia de uma pessoa decorrente da morte corporal, certamente aquela presença física não terei mais comigo. Mas o legado permanece. O carinho e todas as heranças físicas e emocionais seguem vivas dentro de nós mesmos. E quem sabe a vida não reserva a alegria de um sonho feliz com a visita dessa pessoa? Dessa forma a vida prossegue, com novos projetos, novas alegrias e lições que a cada momento batem a nossa porta. E a lembrança dessa pessoa segue viva e serena como pano de fundo para todos eles.


Se eu preciso me despedir de minha terra querida, certamente certas companhias, mares, montanhas e estradas não mais terei à minha disposição. Porém, uma nova terra me espera, com novas possibilidades de companhias, alegrias e aprendizados, e se um dia eu tiver a oportunidade de retornar, serei uma outra pessoa, mais madura e experiente, afim de contribuir de alguma forma em favor da minha terra natal.

No fim das contas, não existe uma despedida definitiva. Todo momento de afastamento só ressalta as marcas que aquele contato me causava. Só posso então perceber que aquela pessoa ou circunstância já era parte integrante de mim. Isso permanece, e nada nem ninguém poderá me retirar.

O que se afasta de mim – me refiro aqui a uma presença física, a algo que meus olhos podem ver e minhas não podem tocar – muitas vezes é algo que a vida achou por bem afastar. Só me cabe compreender que as coisas que tem início, necessariamente tem um fim. Aceitar. A vida segue, assim como novos começos e novos finais se sucedem infinitamente…


Cada despedida é assim um novo início, e todas as experiências anterioremente vivenciadas são o que há de nutrir o meu olhar e minhas mãos diante do que a vida me presentear…

Não precisamos temer despedidas. Se em um momento a sombra que alivia meu calor surge para mim, ela se vai em outro. Mas depois outras sombras virão me acariciar, enquanto que aquela primeira estará sempre viva em forma de gratidão diante do inesperado da existência…

Pessoas Mal Humoradas Podem Até Ser Chatas, Mas São Mais Inteligentes, Diz Estudo

Pare um minutinho e tente se lembrar das pessoas mais mau humoradas que você conhece. Talvez um amigo que viva de cara fechada. Um professor antigo que nunca sorria. Quem sabe a própria mãe ou até você mesmo.

Agora reflita: apesar do mau humor evidente, você considera que essas pessoas são inteligentes?

Pois é, você não é o único a relacionar mau humor com inteligência. Um estudo da Universidade Nova Gales do Sul, na Austrália, descobriu que, apesar dos inúmeros malefícios, quanto pior o estado de ânimo de uma pessoa, maior sua capacidade mental.

Mau humor pode ser doença?

Aspectos como a criatividade, a flexibilidade, a cooperação e a confiança ganham força quando estamos de mau humor. A atenção fica mais aguçada e o pensamento mais cuidadoso.

“A tristeza e o mau humor faz as pessoas prestarem mais atenção ao mundo externo, melhora as estratégias para processar a informação em situações difíceis, a capacidade de julgamento e a memória”, explica o professor Joseph Forgas, autor do estudo.


Os voluntários da pesquisa assistiram a filmes e tiveram que pensar em eventos positivos ou negativos de suas vidas. Depois, realizaram algumas atividades como avaliar rumores urbanos, testemunhar, descrever eventos.

Aqueles que ficaram de mau humor por causa dos filmes ou das lembranças que tiveram erraram menos e se comunicaram melhor do que aqueles que estavam alegres.

Outros se sujeitaram a participar de um teste para reconhecer em imagens muito rápidas muçulmanos que estivessem portando armas – e não garrafas de refrigerante ou de café. Quem reconhecesse, deveria atirar na imagem. As pessoas com mau humor demonstraram tendências a atirar nos alvos certos.

“As pessoas com mau humor são menos propensas a erros de julgamento. Produzem mensagens mais efetivas e persuasivas e lembram mais dos detalhes. Pessoas com bom humor tendem a aceitar as coisas como verdade mais fácil”, aponta Forgas.

A Gente Também Se Cansa De Ser Usado

Faz um bem imenso podermos ouvir, acolher e ajudar a quem esteja precisando de um ombro amigo, de ouvidos atentos ou de palavras de ânimo.

Isso nos fortalece e nos torna mais aptos a enfrentar as próprias dificuldades.

Mesmo assim, também nos deixa felizes quando se lembram de nós nos momentos de alegria, visto que tanto no fracasso quanto no sucesso podemos ser úteis – isso é reconhecimento, gratidão.


É verdade que devemos praticar o bem de maneira espontânea e desprendida, sem esperar obter algo em troca, para que possamos exercitar nossa capacidade de doação incondicional. No entanto, humanos que somos, também temos prazer em poder ser alguém com quem os amigos dividem alegrias, ou seja, quem nos procura para chorar as dores não deve nos esquecer quando tudo estiver bem.

Nem sempre estaremos sendo egoístas ao pensar em nosso bem estar, em nosso equilíbrio, em nós mesmos, enfim. Caso apenas nos doemos, nos entreguemos, sem receber retorno algum, acabaremos nos cansando, perdendo as forças.

Sim, amor que vai se multiplica e alimenta a nossa alma, porém, ninguém foge à necessidade da troca, do vai e volta, da reciprocidade. Nada se sustenta em terreno que somente cede, sem ser reposto, sem ser cuidado, sem ser terreno cheio.


Temos que ter esse cuidado em valorizar as pessoas por tudo o que são e não somente pelo que nelas nos interessa em determinados momentos, pois isso equivale a usar o outro como um objeto qualquer.

Quem nos consola também sabe sorrir junto. Quem nos aconselha também sabe contar piadas. Procurar a pessoa apenas quando estiver por baixo poderá acabar culminando na ausência dela quando você mais precisar, porque a gente cansa de ser usado, mesmo que demore.


Tudo tem seu tempo, tudo requer equilíbrio, os excessos nada produzem de positivo, ou seja, sempre será necessário ponderar sobre a intensidade com que nos dispomos a agir, em todos os setores de nossas vidas.

Fechar-se ao outro, sem se permitir entregar um nada, é uma das piores coisas a se fazer contra si mesmo, porém, apenas se doar, sem repor as energias com as trocas de que se constituem os relacionamentos saudáveis, nos impedirá de completar a nossa essência com a felicidade a que todos temos direito.