Certas palavras machucam mais do que um tapa na cara

Talvez nunca consigamos nos conter nos momentos de raiva, calando-nos para não magoar com ofensas agressivas que machucam no fundo da alma. Por mais que tentemos, jamais conseguiremos verbalizar racionalmente o que sentimos nos momentos em que temos tudo dentro de nós, menos alguma coisa boa. Porque raiva verbalizada muitas vezes fere mais do que a violência física.


Talvez porque engulamos demais e por muito tempo o que sentimos, porque não temos coragem de expor nossos pensamentos na hora adequada, ou porque temos dificuldade de dizer não, por medo de desagradar, acabamos acumulando um monte de contrariedade aqui dentro. Então, quando somos dominados pela raiva, isso tudo acaba saindo de forma distorcida, visto que carregado de rancor demorado.

Muitos dizem que é nessas horas que conseguimos ser verdadeiros e dizer o que temos e o que somos realmente. No entanto, mesmo que exista alguma sinceridade nas ofensas, é de se duvidar que possamos ser tão frios a ponto de magoar quem quer que seja, de forma agressiva, só para desabafar.


Todo mundo tem o direito de falar o que pensa, mas o respeito não poderá se afastar disso tudo, ou se quebram laços afetivos, muitas vezes de forma imperdoável.

Geralmente, quem esbraveja e vocifera violência verbal nos momentos de destempero acaba até nem se lembrando direito do que disse, embaralhado que estava sob o calor do momento. Porém, quem ouve, quem é atingido, quem é agredido jamais se esquecerá do que veio ao seu encontro, machucando fundo seus sentimentos. Sempre ficará no ar aquela dúvida quanto à veracidade das palavras ouvidas.

É preciso exercitar a fuga aos momentos de raiva, tentando ficar sozinho, calado e distante nesses momentos, para não ferir ou ferir-se. Caso já se tenha falado mais do que deveria, de forma violenta e dolorida, nunca será demais o pedido de desculpas, se sincero, verdadeiro. Vale muito, também, tentarmos nos colocar no lugar do outro, entendendo o que ele sentiu ouvindo o que dissemos.


Sim, a sinceridade é uma característica positiva, que pode nos salvar e nos libertar, desde que não tenhamos que ferir ninguém com ela, desde que ela seja parte integrante de nossa vida e não uma válvula de escape que é acionada somente quando estamos de saco cheio. Porque ninguém permanece igual após o confronto com o pior de si e do outro – e todos podemos perder, e muito, por isso.

Exposição demais para pouco sentimento…

Existem coisas que nunca vou entender. Uma delas são esses relacionamentos em redes sociais que tentam provar, a qualquer custo, que são mais felizes que qualquer casal de filme romântico da sessão da tarde.

Esses que possuem mil curtidas nas fotos, mas que não tem dez minutos de conversas sem brigas.

Desses relacionamentos que a sociedade julga perfeito, mas que a aparência é mais importante que o sentimento. Não há conversas, nem abraços, nem nada….mas fotos…ah, há!

A pergunta é: para quê? Até que ponto alguém é capaz de sacrificar a própria felicidade para parecer feliz para pessoas que nem conhece?


Não conheço um relacionamento que tenha dado certo, exposto em rede social e o motivo não é dificil de entender: todo sentimento nobre deve ser guardado como uma jóia, não precisa ser exposto, mas precisa ser cuidado e o amor é assim. Não há necessidade de exposição.

Invista o tempo construindo sua história em vez de tentar reescrever um conto de fadas. Os livros já estão cheios deles, não precisam de mais um.

A verdade é que quem, realmente, é feliz não tem tempo para postar fotos de meia em meia hora, tão pouco mostrar fotos de jantares apaixonados ou viagens internacionais.

Quem ama de verdade vive o sentimento. Pouco importa o lugar, a distância ou as fotos. A prioridade é dada à pessoa amada e não à plateia.

O medo das pessoas em ficarem sozinhas faz com permaneçam em relacionamentos vazios, sem que percebam que estão “sozinhos acompanhados”, há muito tempo, e nem se deram conta disso.

Não permita que o tempo passe e você perceba, no auge da maturidade, que foi covarde suficiente para deixar de viver o verdadeiro. Permita-se viver o “sem” por um tempo, para viver o “com quem ” para a vida toda.

Organização é um meio, e não o fim

Depois de algum tempo refletindo um pouco sobre tudo, depois que terminei de escrever meu livro onde conto como a faxina e a organização me tiraram da morte e me trouxeram à vida, entrei em um processo muito profundo de reflexão que me consumiu muita energia.

Mas porquê se a vida é tão boa e o essencial é tão simples?

Acredito que minha missão na mídia não seja mais levar soluções para a casa das pessoas, ainda que isso me faça muito feliz e continuarei compartilhando os tesouros escondidos.

A organização é libertadora. Ela cura, salva, facilita, mas ela pode ser traiçoeira também. É isso mesmo! Ela pode escravizar, deprimir e frustrar.


Depois de 15 anos organizando lares, aprendi que nada nessa vida é estático. A organização traz mais liberdade sim e isso é inegável, aumenta a qualidade do tempo sim, traz mais saúde sim, traz autoconhecimento sim! Mas ela não é fundamental, porque a organização é um meio, e não o fim.

Muitas vezes a gente se confunde: vou me organizar e agora vou sentar e esperar os benefícios, e isso é um engano, uma mentira. As fatalidades da vida acontecem, doenças, desequilíbrios financeiros, perdas, ganhos, enfim, as surpresas da vida. Isso desorganiza tudo o que tão meticulosamente organizamos, desestrutura tudo.

Vou te contar um segredo… Depois de anos organizando casas, ensinando e vivendo, posso te dizer que não existem 10 passos, nem 15 nem 50 passos para se organizar. Existe sim o viver cada dia!

Fazer agora o que tenho energia e entusiasmo para fazer, porque não sei se amanhã terei um pilar da casa internado com uma doença ou precisarei ser esse pilar. Não sei se ficarei grávida, não sei se perderei alguém da família… do futuro, nada sabemos! Sei de agora, sei também que posso fazer do agora um momento muito agradável para o futuro, porém sem esperar nada dele.


A organização é um meio de ser feliz sim, é uma saída sim, mas não a forma fundamental e eu não invisto mais todas as minhas fichas nela. Sabe porquê?

A vida passou rápido demais e eu perdi tempo demais limpando janelas que ainda permanecem sujas.

Eu não acreditava que nossa cabeça mudava depois dos 40 e tomei na tarraqueta. Me enganei.


Muda e muito! Agora, por exemplo, estou vendo bolacha do Leo em cima do sofá toda demolida. Vou limpar sim, mas depois que eu escrever esse texto, depois que eu tomar um suco que me espera e depois que eu tomar um banho bem demorado. Aí sim vou limpar a sujeira! Porque se o fim chegar, vai me encontrar com o estômago cheio e cheirosa e o meu pequeno sabendo que o ato dele foi somente um descuido, mas não foi motivo de desentendimento e nem de intolerância.

E isso tem valido a pena na minha vida. A organização vai continuar sendo minha chave mestra, mas ela no lugar dela e eu no meu. Porque tudo anda correndo demais e estamos perdendo a chance de olhar pela janelas e ver a beleza da paisagem.

PARE DE ESTENDER DISCUSSÃO INÚTIL. VOCÊ NÃO ACHOU SEU TEMPO NO LIXO

Saia da frente do touro, do meio da rua, da alça de mira, da linha de tiro. Discutir com quem comprou a verdade é desperdício de tempo. E você não achou seu tempo no lixo.

Aqui entre nós, tem coisa que não tem jeito. Quanto mais a gente explica, mais difícil fica. Deixe estar.

Não dê ouvidos a gente cretina. Não responda, não retruque. Ignore. Faça como se estivesse no zoológico: não alimente os animais.

Tem gente demais por aí jogando sujo, mentindo, esperneando pra fazer valer sua vontade mesquinha.

Quanto mais a gente discute com um palerma, mais engorda a idiotice do mundo. E o mundo não suporta mais tanto idiota.

Bater de frente para quê? Desvie! Respire fundo, siga em frente. Repita consigo: “eu tenho mais o que fazer”. Então vá e faça!

A alegria de todo canalha é a tristeza alheia. E jogar fora o seu tempo por nada é triste! Não faça isso.


Proteja-se. Preserve-se. Ignore. Passe longe de uma discussão inútil. Cuidar de si mesmo ainda é um bom jeito de amar o próximo.

SER UM ETERNO RECLAMÃO PODE FAZER BEM, MAS É PRECISO AGIR

Por que é que a gente reclama tanto? Bem, dirão alguns muitos estudiosos, a insatisfação é inerente aos seres humanos. Verdade. Uma daquelas verdades absolutas, não há o que discordar, portanto.

Mas vamos além, vamos fazer uma reflexão um pouco mais profunda. Se somos eternos insatisfeitos, isso não deveria ser bom? Falo no sentido de evoluir em todos os sentidos.

Afinal, se eu ou você estivermos insatisfeitos com algo que criamos, isso deve ser positivo no sentido de consertarmos, melhorarmos, quem sabe até, em casos mais extremos, refazermos o que foi feito.

Evidentemente que muitos insatisfeitos fazem exatamente isso. Transformam o objeto de suas criações e o melhoram. Mas e o resto? E aqueles que estão insatisfeitos e nada fazem? Sabe de quem estou falando? Isso, acertou, dos que usam a vida como um balcão de reclamações. Cá entre nós, todo mundo é, em alguma medida, assim, não?

Mas não podemos ser injustos. Sabemos que muitos de nós tentam, ao menos, fazer isso cada vez menos. Todos deveríamos reclamar menos e agir mais.

Essa insatisfação ruim, digamos assim, essa que estou falando que nos paralisa ao invés de nos movimentar, anda tentando se alastrar. Parece uma epidemia de involução.

É claro que é disso que se trata. Vamos fazer um exercício: Olhe para seu passado e nem precisa ir muito longe. Já que estamos no começo do ano, que tal dar uma espiada no seu ano de 2016?

Como você se comportou nesse sentido aí que estou propondo nesse texto: Você reclamou e agiu ou só reclamou e apontou o dedo aos supostos culpados?

Uma ex professora de Psicologia, uma psicanalista de mão cheia, certa vez ensinou aos alunos algo que hoje em dia todo mundo sabe, ou deveria saber: Quando a gente aponta um dedo, há três apontados para nós.


Foi mesmo uma aula cruel. Sei lá, a carapuça serviu como uma luva… ah, você me entendeu.

Brincadeiras à parte, voltando à sua reflexão, ou melhor, nossa, seja sincera, como você agiu?

A pergunta é necessária porque se você reclamou mais e agiu menos, sabe o que deverá fazer para que em dezembro de 2017 não passe pelo mesmo “perrengue existencial”. Agora, se você agiu mais do que reclamou, repita a dose esse ano e, parabéns, você está no caminho certo.

Não é esse nosso maior objetivo na vida? De acertar? Descartemos aquela bobagem de certo ou errado em relação à sociedade, todo mundo aqui tem bom senso para seguir regras de convívio. Nós sabemos muito bem quando uma coisa ou atitude é certa ou errada para nós, para nosso íntimo, para nossa alma.

E não podemos deixar de correr atrás do certo nesse sentido, buscar o que nos faz bem, buscar o que nos alivia a dor e, por que não dizer, buscar o que fará com que as angústias sejam diminuídas, senão, eliminadas.

Não dá mais para ficar sentando no sofá da sala se lamuriando ou culpando esse ou aquele pelas suas frustrações. Sim, sabemos, muitas vezes a culpa não é nossa mesmo, aliás, não usemos mais a palavra culpa, vamos dar preferência à palavra e ao conceito de responsabilidade e não culpa.

Temos que aceitar que muitas vezes as conspirações cósmicas não permitem que a gente consiga aquilo que quer. Mas há uma coisa que aprendi nesses tantos anos de uma vida bastante intensa, frase que cunhei quando escrevi meu segundo livro, há onze anos:

“A felicidade não está na conquista, ela está na busca”.


É quando estamos buscando nossos objetivos que nos sentimos plenamente felizes. Sendo assim, ficar estagnado reclamando ajuda em que mesmo?

FILHOS DE DESEMPREGADOS SÃO MAIS FRÁGEIS PSICOLOGICAMENTE

Os jovens que vivem com pais desempregados revelam maiores fragilidades ao nível do bem-estar psicológico e têm piores expectativas educacionais, sendo que as meninas são mais vulneráveis a esta situação, revela um estudo sobre crise econômica, desemprego e família.

O trabalho centrou-se no impacto da recessão econômica, em particular do desemprego, na estrutura familiar e na saúde mental e bem-estar de adultos desempregados e dos adolescentes que vivem com pais desempregados.

Entre os principais resultados do estudo, ressalta o fato de os jovens que vivem com pais desempregados, quando comparados com os que vivem com pais empregados, relatarem significativamente piores resultados ao nível do bem-estar psicológico e de expectativas educacionais, “percebendo as repercussões da crise econômica de forma mais intensa”.

As pessoas desempregadas e os seus familiares constituem um grupo da população mais afetado pelas consequências da recessão econômica, tais como dívidas, já que os adultos desempregados têm uma “alta prevalência de sofrimento psicológico e de insatisfação com a vida”.

Estes fatores foram particularmente notórios em mulheres desempregadas, idosos, pessoas com baixa escolaridade, solteiros, pais e mulheres cujos parceiros não tinham emprego.

“A pior saúde mental foi também mais prevalente nos adultos desempregados com menor capacidade em estruturar o seu tempo e naqueles com maior privação financeira”, acrescenta o estudo.

Além da “diminuição substancial” das despesas do agregado familiar, o desemprego foi também responsável por alterações no relacionamento familiar (mais atrito e parentalidade mais rigorosa), bem como alterações no bem-estar psicológico dos pais e dos filhos (maior preocupação, irritabilidade, raiva e tristeza).

O estudo salienta, contudo, que “a qualidade das relações familiares parece moderar a associação entre o desemprego parental e o bem-estar psicológico dos jovens”.


Ou seja, as relações familiares – bem como a capacidade financeira e a estruturação do tempo – são apontadas como “fatores modificáveis” e, por isso, potencialmente moderadores desta relação entre bem-estar psicológico e desemprego parental, desde que sejam alvo de intervenções que as transformem positivamente.

Nesse sentido, o estudo defende intervenções urgentes para proteger adultos e jovens durante esta “recessão econômica histórica” e para diminuir as desigualdades na saúde e as despesas sociais.

“A identificação destes fatores modificáveis associados ao bem-estar dos adultos, família e filhos no contexto de desemprego é essencial, sobretudo porque enfrentamos uma recessão econômica histórica, e porque as intervenções para proteger adultos e jovens durante este período em particular, são urgentemente necessárias”, refere.

Além de poderem diminuir as desigualdades na saúde e as despesas sociais para o país, estas intervenções poderão maximizar as oportunidades de vida, assumindo “um papel fundamental para alcançar uma população mais saudável e produtiva”.

porque ‘sempre’ seria pedir muito

Às vezes, e digo às vezes porque ‘sempre’ seria pedir muito, deveríamos dar trégua aos cansaços pendurando nossa individualidade cheia de si no cabide, nossa independência de nariz empinado no mancebo, para nos aconchegarmos no sofá das vulnerabilidades.

Engana-se aquele que pensa ser isso um engano. Sem vulnerabilidade o amor não acontece, sem abertura o encanto não se apresenta, sem disposição o milagre não é revelado.

Via de regra o amor toca a campainha quando distraídos não esperamos visita. Mania a nossa de nunca nos encontrarmos em casa, pela agenda cheia de compromissos a confirmar nossas certezas.

Armados e de pé atrás, exigimos que o futuro amor preencha infinitos requisitos – ou nós os dele – exatamente para mantê-lo distante de nós, evitando que tenhamos que já lidar com a insegurança de nos machucarmos uma vez mais como sempre fazemos. Aconteça ele no agora, nem ele nem nós estaremos prontos para sermos felizes.

Quanto há para despedirmos antes de arriscarmos o risco de darmos certo? Garantimos então que nada dê, para que amanhã e somente lá estejamos mais bem preparados.

Adiamos a vida com condições, esperando que o amor nos aconteça no final da tarde dum outono de céu parcialmente encoberto. Prendemo-nos nas previsões do improvável, descartando os prováveis.

Eis o óbvio:ao nos concentrarmos numa direção, deixamos de enxergar as outras e a vida acontecendo ao redor. Estratégia pura de boicote! Aí o amor poderá esbarrar e pedir desculpas, sentar ao nosso lado e oferecer chiclete, nos parar na calçada e pedir informações.


Não daremos ouvidos, não responderemos à gentileza. E tudo porque temos encontro marcado com a procura, não com o encontro. Mais do que esperar o amor chegar, deveríamos antes acreditar na possibilidade que o amor possa vir, inesperadamente, ainda que abra a porta de serviço e nos flagre nus na sala de estar.

É exatamente por estarmos nus que o amor decidirá ficar.