É Preciso Ter Fé, Acreditar E Seguir

É preciso ter fé, acreditar e seguir. Fé é saltar de paraquedas mesmo com medo de voar, é se agarrar em ilusões absurdas, é abraçar o que não é concreto, é acreditar sem ser visto ou tocado. Fé é acreditar sem ver, é o mistério que incomoda a razão.

Assistindo a um episódio de Mad Men, me vi em uma das cenas: uma mulher desesperada com um resultado de exame, tentava manter a serenidade para a família. Naquele momento, percebi que fazer algumas cenas são difíceis até mesmo na tv, e ser atriz na vida real, é pior ainda, mesmo com muito talento.

É difícil segurar o choro contido e o desespero instalado. É difícil manter a aparência quando uma catástrofe inóspita desarranja nosso destino.

Sinceramente não sei o que é pior, nos vermos no fundo do poço ou termos a esperança de um fio de luz no fim do túnel.

Não sei o que é mais pavoroso se sentir em perigo ou sentir a vida caminhando para o fim. É muito devastador sentir a vida por um fio, a pior sensação que alguém possa ter ou pode ser sem explicação, porque os absurdos não tem noção do que é sofrimento.


Eu entrei naquela cena do seriado sem muita explicação, talvez eu estivesse mais sensível. Naquele momento, eu senti a dor da personagem e tive a sensação de querer arrancar aquele problema dela. Ficava imaginando se fosse comigo, se fosse com alguém próximo… Se fosse… Mas não é! Na mesma hora, eu me levantei do sofá, abri a janela do meu quarto e pedi a Deus uma vida longa com saúde, pode até soar mesquinhez e é.

Os contratempos da vida nos arrastam para mais perto da fé, do amor e da paz. Somos tão esquisitos que precisamos levar uma rasteira para que possamos ser melhores, mais pacientes e até mesmo mais carinhosos. Na hora do desespero, abraçamos a fé para nos aliviar, fingimos ser positivos, inventamos sorrisos no lugar dos rancores. O desespero é o soco na soberba e, a humildade, é o primeiro passo para o recomeço.

Por que nos tornamos melhores e mais maleáveis quando o mundo cai e a ponte desaba? Fiquei pensando nisso. Por que aquela mulher precisava de um diagnóstico fatal para reatar com a vida e com a família? Um sorriso gratuito e da alma, é melhor do que palavras mal amadas. Por que somos ruins ao invés de sermos felizes? Por que? Não tenho as respostas, mas conclui que não quero uma vida fajuta e infeliz.

Não vou sair por aí fingindo que me converti ou exalando bondade. Não vou! Vou ser eu mesma mais lapidada. Quero apenas que minhas palavras sejam amigas, que meu sorriso seja descontraído, que eu tenha mais paciência com a família e meu filho. Quero ser alguém mais humana, sem ser oportunista.


Em pé na janela refleti a vida olhando para a igreja e, para ser sincera, pensei apenas. Não estava buscando respostas e nem me igualava com uma personagem de ficção, embora a vida seja uma ficção. Então, ali respirando ar puro em um noite chuvosa, me lembrei que amanhã posso levantar um pouco mais tarde porque é sábado, e que já era tarde demais para pensar coisas absurdas.

Olhei para a minha cama, fechei meus pensamentos desconexos e decidi viver com fé, mesmo que às vezes, eu fuja dela. Andar com fé eu vou que a fé não costuma faiá.

Adultos Com Síndrome De Peter Pan

Não é preciso ir muito longe para encontrar alguém que evita as responsabilidades ou adia os passos, dos quais já foram adiados mais de uma centena de vezes.

Alguns chamam de procrastinação, mas essa, na realidade, é uma característica dessa síndrome.


Crescer e viver, é assustador às vezes, concordo, mas ficar e estagnar-se é deprimente. São pessoas que negam amadurecer e que são dependentes.

Quando você for se relacionar com alguém que vive no passado; fala sempre em hipóteses; acredita ainda ter idade para repetir erros bobos; não aceita uma opinião diferente da sua batendo o pé de birra; meu conselho? Corra.

Pessoas assim transformarão a relação amorosa em indispensável, e cá entre nós, você não precisa de um “apêndice” inseguro pendurado em você. Elas possuem medo de enfrentar o futuro, então continuam com hábitos dos “bons tempos”, entre porre, pegação e indiferença, existe uma camada de receio, insegurança e imaturidade. Tudo isso para manter a esperança de que o tempo não transcorra e ela possa ser assim para sempre.


Essas pessoas precisam crescer sozinhas e não é responsabilidade sua ser pai ou mãe de uma criatura dessas.

Sabe aquela criança que esperneia no meio do supermercado por desejar algo que não pode ganhar? É isso que se tornará a relação se você se submeter a se envolver com esse tipo de pessoa. Briga quando não tem o que quer, chora quando desespera, grita na discussão para não ouvir a verdade, igualmente como uma criança mimada.

Se você diagnosticar essa síndrome em alguém é melhor se afastar logo, pois como criança, elas se aproximam e cativam mais rápido do que possamos imaginar.

Sua Vida Vai Mudar Se Passar Um Mês Inteiro Sem Reclamar

Mais de mil pessoas se uniram a uma iniciativa que propõe deixar de reclamar

Queixa vem do latim, de quassiare, de quassare, que significa golpear violentamente, quebrantar, e expressa uma dor, uma pena, o ressentimento, a inquietação…

Um amplo espectro de sensações, mas com um nexo comum: seu caráter negativo. E esse leva ao ódio e, como é bastante sabido, o ódio leva ao lado escuro.

Com isso em mente, os amigos Thierry Blancpain e Pieter Pelgrims decidiram estabelecer o projeto Complaint Restraint February. Um mês de 28 dias em que não poderiam reclamar por besteiras.

“Pieter e eu somos amigos há 10 anos, e temos trabalhado juntos em muitos projetos e, no inverno de 2010, tivemos a ideia de deixar de nos queixar por um mês”, conta Blancpain, por e-mail.

Esse suíço criador de tipografias não sabe de quem foi a sugestão, mas diz que um dos dois estava dando aborrecimento e o outro pediu que se calasse durante um mês. “Como depois nos sentimos mais felizes, decidimos repetir no ano seguinte”. Em 2014, perguntaram a alguns amigos se queriam se juntar e, depois de verem que também sentiam os efeitos, em 2015 abriram ao público com um site para que divulgassem o experimento. Esperavam ter 50 inscrições. No fim, foram 1.750.


Depois de esclarecer que reclamar não é ruim por si só, Blancpain explica que sua ideia é deixar de reclamar por coisas pequenas que, na verdade, não importam.

“A chuva, o bebê que chora no restaurante, o chefe que te faz ficar uma hora a mais no escritório, o ônibus que você perdeu na hora de ir trabalhar”. Acontecimentos que “vistos com perspectiva não têm importância, e que reclamar é uma perda de tempo e de energia”. “Se temos comida, casa, família, amigos… não deveríamos ser felizes?”.

Segundo Blancpain, os benefícios dessa atitude têm duas caras. Por um lado, aumenta “a sensação de felicidade” e diminui a de “estar esgotado”. Por outro, adquirimos “conhecimentos sobre a forma como nos comunicamos e como se comunicam as pessoas do nosso entorno”. Durante esse mês, afirma que se dá conta de que certos conhecidos são muito negativos e o fazem mais infeliz. “Pode soar duro, mas acho que não é razoável passar tempo com uma pessoa com a qual nos sentimos pior depois”.

Sem serem especialistas em psicologia, Blancpain e Pelgrims têm o conhecimento resultante de anos de prática. Um truque é transformar reclamações em sugestões positivas.


“Se alguém vem e me conta alguma pequena coisa negativa sobre seu trabalho, pergunto se não acha que seu chefe horrível é sinal de que deve procurar um novo emprego”.

Quando você está mal e não pode estar na rua, sugere ir “ver um filme”. Alguns vão um pouco mais longe e levam um elástico ao redor do punho com o qual causam dor cada vez que se queixam alto, para se condicionar. “No mínimo ajuda, mas o importante não é deixar completamente [isso Blancpain considera impossível], e sim se dar contar e redirecionar essa energia” para aspectos positivos.

Em 2015 foi o primeiro ano que abriram ao grande público. Estimam que foi um êxito. Alguns enviaram e-mails assegurando que tinham tornado suas vidas melhores, outros comentaram que viram um efeito negativo em suas vidas ao se dar conta de que tinham pessoas muito negativas em seu entorno.


O sucesso os pegou de surpresa, de forma que na próxima edição pensam em preparar materiais, artigos, experiências… para ajudar a quem quiser se unir.

Escolheram fevereiro por ser o mês mais curto do ano, e seria mais fácil de conseguir, mas parar de reclamar não está limitado a esse período. “Pode deixar de reclamar agora mesmo, esteja onde estiver, e ter um melhor março, abril ou junho”. Só lembre que, se algo “realmente ruim” acontecer em sua vida, melhor “contar a seus amigos”. Supõe-se que tem que se sentir feliz, não miseravelmente sozinho.

Pelo Que Vale À Pena

Tem dias que a gente acorda e a paisagem é cinza. Dias em que tudo está nublado. Fora e dentro da gente. Dias que parecem durar meses e antecipam o que a gente não quer enfrentar.

Tem dias em que o ânimo foge. Tira folga sem avisar a chefia. Arruína a rotina. Faz nevar no verão.


Tem dias que uma cratera se abre. Engole a gente, ressuscita nossos medos, atenua o bom pra fortalecer o ruim. Parece não ter saída, não ter resgate.

Mas, algo lá dentro, no fundo, aciona a luz de emergência. Ainda há esperança.

Se o dia está cinza, é hora de pintar a paisagem. Colorir com spray. Olhar direito. Olhar com carinho. Restabelecer contato com o sagrado: olhar para o céu, para o infinito que nos brinda todo dia, trazendo luz mesmo por detrás das nuvens.

Se o ânimo fugir, recupere-o. Enxergue o que vale à pena. Lembre das coisas boas. Do mar, das flores, das risadas, das pessoas que fazem a diferença. Lembre do que vale à pena sorrir. E o ânimo volta, com vontade de ficar pra sempre.


Se a cratera se abrir, trabalhe. Trabalhe arduamente para fechar. Seja seu melhor operário e não perca tempo.

Embora rachaduras possam se abrir dentro da gente nos dias difíceis, que não assistamos ao seu crescimento. Mas que façamos crescer a vontade de estar inteiro. De estar de bem. De estar de boa.

O Poder De Um NÃO

“A palavra mais necessária nos tempos em que vivemos é a palavra não. Não a muita coisa, não a uma quantidade de coisas que eu me dispenso de enumerar. “ – José Saramago

Vamos aos fatos: quantas vezes na vida você se arrepende em não ter dito “não”? Com todas as letras e sons que ele pode proporcionar?

Agora pense em que rumo sua vida teria tomado se você tivesse dito.


Ótimo, agora controle esse sentimento de querer voltar no tempo e mude a partir de hoje.

A dificuldade em dizer não, faz com que permissões sejam dadas apenas para agradar aos outros e concessões que nunca deveriam ter sido feitas, sejam adotadas como prioridades.


Infelizmente, muitos desconhecem que o significado da palavra “não”, vai além do encontrado no dicionário. Baseiam-se, apenas, no sentido literal da palavra e esquecem dos livramentos que a palavra pode trazer.

Sentir-se aceita em um grupo de pessoas, por medo da rejeição ou o desejo de carregar a fama de boazinha são um dos motivos que faz com as pessoas permitam atitudes que nunca deveriam.

Sinto dizer, mas o fato de aceitar tudo não faz de você uma pessoa querida e agradável, o que faz isso é sua inteligência, seu caráter e sua postura equilibrada diante das situações. Então, simplesmente, pare!

Até que ponto, a opinião de pessoas que não conhecem sua história, é importante para você? Por que tem que ser aceita por elas? Ninguém é perfeito, sabia? Nem aqueles que você julga ser. Então, seja equilibrado: diga sim quando sua razão disser que você deve dizer e não pelo mesmo motivo.


Ninguém agrada a gregos e a troianos (ainda bem)! Entenda que onde tudo é aceito ou concordado, há algo errado.

Incomodou, fale! Não está de acordo com seus princípios, desista! Ninguém tem tempo a perder com consequências ruins na vida! O peso do “sim” é o mesmo do “não” ou você aprende a usá-los ou viverá as consequências (nada boas) da autossabotagem.

Tenho Medo De Quem Fala Mal Dos Outros E Pavor De Quem Elogia Demais A Si Mesmo

Deus nos livre de gente autorreferente. Eu, hein! Não gosto, não. Assumo.

Desconfio de quem começa uma frase com a máxima “eu costumo dizer que…”, como quem tenta atribuir um valor enciclopédico a ideias repetidas, banais, verdades prontas e cansativas tungadas de todo canto. Não dá! Tal como os alérgicos a camarão e lactose, eu tenho alergia a pessoas afeitas a falar bem de si mesmas.

Gente que não perde uma oportunidade de anunciar o quanto se preocupa com o outro, o quanto paga seus impostos corretamente, o quanto defende a liberdade, a igualdade e a fraternidade me dá coceira e me dá medo.

Quem faz o que acha certo não precisa dizer o que faz. É só fazer e pronto! Quem diz maravilhas demais sobre si próprio me dá mais pavor do que quem fala horrores sobre os outros. Fujo de um tanto quanto do outro.

Não, eu não estou defendendo a autoesculhambação sem medida. Não acho que todos os seres capazes de falar mal de si mesmos sejam poços de virtudes. Eu só tenho a impressão de que o autoelogio é um péssimo hábito. Puro e simples cabotinismo, jeito rasteiro de chamar a atenção: puxando o próprio saco.

Quem se presta a elogiar os próprios feitos tenta provar a seus interlocutores que eles estão diante de um dos melhores exemplares da espécie humana. E isso, cá entre nós, é masturbação com plateia. Patético!


Não é por nada, não. A liberdade de expressão garante a qualquer um o direito de exaltar suas próprias maravilhas. Mas eu acho que gente boa de verdade prefere investir o seu tempo em coisas boas de verdade. Não em tagarelar por aí o quanto é especial. Amor próprio é bonito. Autopropaganda é exagero.

Ninguém devia falar bem de si mesmo para provar isso ou aquilo. Se o sujeito é pessoa boa, basta ser o que é, uma pessoa boa, e deixar os outros concluírem o que quiserem. O que há de difícil nisso?

E como cansa essa ladainha do “ó, eu acredito num mundo melhor… ó, eu choro quando vejo uma injustiça… ó, eu divido tudo o que tenho… ó, eu distribuo cestas básicas…”. Tudo isso para nada presta se não vier acompanhado de gestos práticos, atitudes e ações que dispensam o discurso.

Quem é bom mesmo não precisa dizer, repetir, alardear. A gente sabe. O mundo se dá conta e agradece de seu jeito. Mesmo que ninguém vá lhe oferecer a chave da cidade, um título de cidadão honorário e outros gestos tão úteis quanto distribuir capas de chuva na seca nordestina. Quem faz uma coisa boa não o faz porque espera que alguém reconheça e lhe dedique uma estátua em praça pública. Faz porque acha que deve fazer. Ou não?


Do mesmo jeito que ninguém precisa falar mal dos outros para dizer bem de si mesmo, ninguém carece mergulhar no autoelogio para provar o seu valor. Isso é chato, enfadonho, serve apenas para fazer a vida passar mais rápido.

Você não me leve a mal. Mas eu acho que quem precisa tanto falar bem de si mesmo tem das duas uma: ou uma imensa ignorância ou uma tremenda culpa no cartório. Deus nos livre de um e de outro.

O Sentido No Sofrimento

Podemos perceber na própria experiência da vida, que existem diferentes níveis de sofrimento, tanto em relação à intensidade quanto ao tempo de permanência.

Sem dúvida, são muitos os motivos pelos quais consideramos legítimo sofrer: a morte de alguém querido, uma doença, um acidente, a perda de um emprego, o fim de um amor, o rompimento de uma amizade…

Existem também os motivos corriqueiros e banais que geram uma tensão psíquica – mesmo que por alguns minutos. Os exemplos são inúmeros e pessoais: não chegar a tempo de pegar o avião, tirar uma nota baixa, manchar a roupa de ketchup… São situações que depois de um tempo você nem lembrará que aconteceram.

Existe ainda, o sofrimento sem uma causa aparente; esse tipo costuma ser o mais difícil de suportar, pois a pessoa se sente refém de uma angústia inexplicável e sem prazo para terminar.

Você provavelmente já escutou a expressão “vácuo existencial”, caracterizado pela completa falta de sentido na vida que acomete as pessoas com depressão. Uma frase atribuída a Albert Einstein diz justamente isso: “O homem que considera a própria existência desprovida de sentido, não só é infeliz, como também dificilmente consegue adaptar-se à vida”.

Esse texto é dedicado a uma reflexão sobre como é possível lidar com o sofrimento de forma positiva e proveitosa, ou seja, pensando no sentido de tudo isso estar acontecendo. Afinal, o que não for benção direta é benção indireta em forma de lição; e você não precisa ser religioso para acreditar nisso.


O primeiro passo, portanto, para se acalmar, é fazer a seguinte pergunta: o que a vida está querendo me mostrar que eu ainda não aprendi? Ter em mente que sempre é possível tirar valiosas lições de qualquer sofrimento – dos mais simples ao mais complexos – é demonstração de assertividade.

Esta sensação de estar aprendendo algo – que você dificilmente aprenderia se não tivesse sofrido essa situação – te prepara para o segundo passo: ok, agora que eu já aprendi X, como posso aplicar isso na minha vida? Em outras palavras, como esta experiência me torna um sujeito melhor no meu cotidiano? Esta pergunta é fundamental para a evolução da própria humanidade, pois uma coisa é aprender na teoria, outra totalmente diferente é praticar os conceitos adquiridos.

Por fim, depois que você sofreu, se recuperou, ressignificou os fatos vividos para tirar as lições apropriadas e conseguiu aplicar na sua vida pessoal as consequências desse aprendizado, você está pronto para o terceiro passo. Compartilhe toda a sua experiência com as pessoas do seu convívio, retribua ao mundo em forma de conhecimento, de gentileza, de ajuda, de amor…

Não importa o que você tenha passado, se conseguiu seguir adiante e percorreu os passos 1 e 2, você está forte o suficiente para se doar, para iluminar o caminho de alguém, para plantar sementinhas em corações alheios.


Daí então, você perceberá que não poderia ter passado pela vida sem essa experiência de sofrimento, pois foi graças a ela que você desabrochou para o mundo.

Tenho a sensação de que as pessoas que passam pela dor com sabedoria e serenidade desenvolvem um conceito de fé diferente das outras. Elas passam a ter coragem de viver a vida como se tudo acontecesse para o seu maior bem. Gostem ou não do acontecimento, elas o aceitam como possibilidade de crescimento emocional e espiritual.

“E é nisto que se resume o sofrimento: cai a flor e deixa o perfume no evento” Cecília Meireles

Só É Feliz Quem Para De Tentar Agradar A Plateia

Segundo a OMS, até 2020 a depressão será a doença mais incapacitante do mundo. Em larga medida isso decorre do modo totalmente degradante e padronizado que temos levado as nossas vidas.

Desde pequenos somos condicionados a viver de acordo com as normas impostas pela sociedade. Normas impostas por um grupo seleto de pessoas, que não está nem um pingo preocupado com o adoecimento da alma que se observa nesta quadra da história.

Na busca desse ideal de felicidade e sucesso, a maior parte de nós acaba tendo os seus sonhos destruídos, totalmente ou parcialmente, ou deixando-os congelados, a fim de que possam ser “requentados” quando a situação for mais “favorável”.


Mas quem controla o tempo? Quem sabe o que nos acontecerá? A nossa existência é frágil ou para lembrar o velho safado – “Somos finos como papel” – de maneira que não há sentido algum em deixarmos para depois o que arde mais forte em nosso coração e que de fato nos faz sentir vivos.

Entretanto, nada disso adianta, porque temos que correr, temos que produzir, temos que ter, temos que ter mais e, assim, nos tornamos especialistas em acumular coisas, um monte de tralhas que não serve para nada, apenas para deixar a nossa existência mais pesada.

Ao mesmo tempo em que nos tornamos experts em acumular coisas, tornamo-nos subnutridos de amor. Indivíduos carentes de atenção, de ouvidos dispostos a escutar verdadeiramente as nossas angústias, de olhares sinceros que enxergam a nossa alma, de afeto… Carentes de gente.


Sendo assim, de que adianta ter uma vida de sucesso perante os olhos da sociedade e da porta para dentro está destroçado, sufocado com lágrimas silenciosas vindas de olhos mudos? De que adianta viver preocupado em como trocar de carro, em como pagar o VISA ou enfrentar a crise econômica, se o grande monstro que existe é a depressão em que nossas vidas se encontram?

Saramago falava que a vida é assim: uma hora se está, outra hora não se está. E é nesse intervalo de tempo que a vida se processa, e para que ela seja bela é preciso que as histórias sejam contadas ao seu modo, respeitando as suas pontuações, os seus personagens e a sua estrutura narrativa, porque cada ser humano é um universo rico de histórias, algumas se dão em poesia, outras se dão em prosa, mas cada história é universalmente única.


Dessa forma, mais do que qualquer outra pessoa, devemos respeitar a nossa história, o que nos forma e os nossos sonhos, já que nem sempre há tempo hábil para que eles sejam requentados. Muitas vezes sequer há fogo, porque de tanto esperar, fomos congelados.

E, então, percebemos que corremos em direção ao nada, não do lado de fora, mas do lado de dentro, apenas por medo de ser fogo no meio do gelo. Apenas por medo de não agradar a sociedade. Tolice de quem não sabe que só é feliz quem para de tentar agradar a plateia, pois, lembrando outra vez o velho Bukowski:

“É quando você esconde as coisas que acaba sendo sufocado por elas”.

Não Tenho Vocação Para Ser Princesa

Sempre preferi jogar Mário Bros a brincar de Barbie. Não me fascinavam os vestidos brilhosos, as coroas de plástico e os castelinhos em miniatura. Gostava de games, livros de aventura e sempre tive cabelo “joãozinho” porque fazia menos calor e dava pra lavar todos os dias.

Admito que, às vezes, saía na mão com moleques arruaceiros que se achavam no direito de me paquerar (mesmo eu ainda nem sabendo direito o que significava) ou que me dissessem qualquer coisa que eu não gostasse.

Nunca esqueci o primeiro menino que me chamou de gostosa. Ele tinha uns dez anos e um rosto enferrujado, apesar de não ter cabelos ruivos. Voltou pra casa com cinco dedos marcados nas bochechas sardentas, coitado. Até hoje, provavelmente, deve pensar duas ou três vezes antes de chamar uma mulher assim.

Gostava de acompanhar meu pai na barbearia ou nos botecos onde ele jogava sinuca. Chupava balas de hortelã e observava as pessoas: os homens que passavam giz nos seus tacos enquanto se vangloriavam uns para os outros – porque se vangloriar era realmente mais importante do que ganhar, e isso era evidente até para uma menina de nove anos como eu – os bêbados inofensivos e solitários, os donos que serviam cachaça aos clientes com uma cara de quem adoraria já ter encerrado o expediente.

Os adultos amigos dos meus pais apertavam menos as minhas bochechas do que as das outras crianças – porque eu vivia de cara emburrada e isso funcionava para espantá-los – e dificilmente me chamavam de “princesinha”. Meu pai, aliás, dizia com orgulho que eu era seu molequinho porque preferia acompanhá-lo em programas de homem do que assistir desenho animado.

Por essas e outras razões, nunca tive vocação pra princesa. Nunca aprendi a ser doce, não sei fazer bolo e não sou minimamente fashion – e olha que eu melhorei muito nesse quesito nos últimos anos.


Detesto jogos amorosos, não tenho mais que duas peças de roupa cor-de-rosa e nunca sonhei em me casar de branco. (Nunca sonhei em me casar de cor nenhuma, na verdade, mas a vida tem dessas coisas).

Aprendi, desde cedo, a me sustentar. Nunca quis ser a princesa que ganha roupas e jóias caras do príncipe que lhe venera – e hoje falo o que penso e bebo às minhas custas, graças a Deus. Nunca quis um príncipe que me endeusasse. Sempre me atraiu mais um cara qualquer que compreendesse minhas frustrações, minhas loucuras, minhas esquisitices. E que fosse esquisito também, de preferência.

Não me interessa ser conquistada, venerada ou posta num altar. Por isso não me venha com elogios prontos, apelidos no diminutivo, buquês cheirosos, caixinhas de bombom e anéis de noivado. Não espere de mim doçura, delicadeza e mãozinhas finas de quem nunca precisou pegar no pesado.

Felizmente, ou infelizmente, não cresci num mundo encantado nem num castelo de mentiras. Eu gosto é da verdade. E se você puder me oferecer a verdade – mesmo que ela não seja bonita como nas histórias de felizes para sempre – será realmente mais valioso que qualquer chocolate caro que você possa ter pensado em comprar.


Um mundo real, com pessoas reais e sentimentos reais – e não joguinhos de conquista mal-encenados – que tenha homens suficientemente corajosos para assumirem que não são príncipes coisíssima nenhuma. Onde eu possa ter as unhas curtas e usar roupas mais confortáveis que bonitas. E viver ao meu modo, como protagonista de uma peça que nunca vai estrear, porque a vida é melhor na coxia.

É isso que eu quero pra mim. Eu não espero um príncipe que me liberte: como a mais autêntica não-princesa, eu posso ser livre pelos meus próprios esforços.

Obrigada, meu pai.

Não Seja Mais Um Babaca

Precisamos conversar sobre caráter, empatia e respeito. Tudo bem, se você gosta de ser um babaca, se está confortável com a imagem que construiu de si, mas não queira atrair alguém fingindo ser algo que não é. Mostre a sua cara para ela, logo de primeira.

Quando eu digo para não ser um babaca, não estou falando do seu senso de humor ou da sua forma de dançar, muito menos do seu jeito atrapalhado de conversar com ela. Ser babaca se trata de egoísmo, de deixar de lado a sua consideração por ela e de quanto as suas atitudes ou as suas palavras podem afetar de maneira negativa a vida dela.

Não trate com deslealdade alguém que abriu mão do seu orgulho para lhe dar um pouco de confiança. Porque cada relacionamento que se começa, seja namoro ou amizade, é um risco que se corre, logo, é um investimento. Porque, no fundo, nunca conhecemos as pessoas, mas fazemos questão de dar um voto de confiança para algumas.

Então você não precisa ser um babaca porque conseguiu se tornar algo para alguém. Não precisa magoar uma pessoa para se auto afirmar. Porque às vezes tirar o cadeado da porta é custoso. Aí quando, finalmente, ela decide abrir a porta novamente para alguém entrar, você se comporta como mais um.

Você pode até negar, mas se ela chorou por algo que você fez, você foi um babaca. Se ela se decepcionou com alguma atitude sua, você foi um babaca. Criar a condição de alguém se interessar por você e depois ignorar esta situação é agir como babaca. Enfim, babaca é quem brinca com os sentimentos dos outros.

Porque a babaquice nunca é exclusiva, ela sempre afeta a outra pessoa. Não fosse pouco, as cicatrizes deixadas por um babaca tornam a aproximação de novas pessoas mais difíceis. Será mais complicado para o próximo que quiser entrar na vida dela.


Por isso, não seja o babaca que a ilude. Aquele que um dia a ignora e no outro corre atrás. Não seja o babaca que a trata bem e lhe diz coisas bonitas apenas quando quer transar com ela e depois finge que ela é invisível.

Não seja o babaca que a trai. Aquele que fica se vangloriando das suas aventuras particulares para os amigos, enquanto ela fica em casa planejando o final de semana de vocês. Não escreva declarações hipócritas para ela no Facebook se na janela ao lado você está marcando encontros com alguma desconhecida qualquer. Não seja mais um cafajeste.

Não seja o babaca que a esconde. Aquele que não é capaz de levá-la para sair em lugares públicos ou de apresentá-la para os amigos. Seja o cara que tem orgulho de tê-la ao lado, perceba a sorte que a vida te deu por ela gostar de você. Acredite, muitos gostariam de estar no seu lugar.


Não se aproveite da boa vontade dela, nem faça pouco caso da confiança que ela depositou em você. Seja o cara que se importa, que liga para os sentimentos e as vontades dela. Não precisa ser o cara perfeito, ninguém está esperando por alguém assim. Apenas não seja o babaca que entra na vida dela para decepcioná-la.

Seja diferente, não seja mais um imbecil que deixou mais lágrimas que alegrias, mais decepções que orgulhos, mais cicatrizes que boas lembranças. Se você tem a intenção de entrar na vida dela, faça isso com dignidade. Seja o melhor cara da vida dela, mesmo que um dia acabe, mesmo que ela decida não ficar com você.

Porque ganhar e perder faz parte do jogo, mas ser babaca é uma opção.