Posso fazer o curso?

NÃO SOU PSICÓLOGO, PSIQUIATRA OU MÉDICO. MESMO ASSIM, POSSO FAZER O CURSO?

Sim, qualquer pessoa com uma graduação completa pode se matricular no curso e estudar psicanálise, este será reconhecido com um analista leigo, aquele que não é da área médica, mas que possui conhecimentos psicanalíticos.

Roudinesco retratou a condição atual da psicanálise: “A psicanálise passou a ser praticada não apenas por médicos e psiquiatras, mas por psicoterapeutas formados em psicologia. Depois de ter sido engolida pela psiquiatria, ela corria o risco de ser tragada pela psicologia e confundida com diferentes psicoterapias. Por isso, os psicanalistas reafirmaram vigorosamente a existência de suas próprias instituições, as únicas capazes de definir os critérios da formação psicanalítica”.

O que é curso livre?

Curso Livre significa não existe a obrigatoriedade de: carga horária, disciplinas, tempo de duração, e diploma ou certificado anterior.

Existe no Congresso Nacional há anos um projeto de lei para regulamentar os cursos livres no MEC, mas não existe consenso, pois há diferentes métodos, currículos e material didático; tornando-se difícil criar um padrão pelo MEC.

Por esse fato, nenhum curso livre tem vínculo nem reconhecimento pelo MEC/CAPES, eles têm validade legal para diversos fins, porém não podem ser convalidados, validados ou chancelados por escolas reconhecidas por essas instituições, além disso, todas as escolas de curso livre são proibida de oferecer graduações como OFICIAIS reconhecidos pelo MEC/CAPES e, nem emitir diplomas como SUPERIOR. 

O que faz um psicanalista

O psicanalista é um profissional com formação especializada na área da psicanálise, um método terapêutico cujo principal mentor foi Sigmund Freud. Na psicanálise existe um grande enfoque no papel e na compreensão do inconsciente.

São várias as tarefas de um psicanalista. Eis alguns exemplos:

  • Observar, investigar e analisar os processos psíquicos;
  • Interpretar as “mensagens” inconscientes transmitidas na escolha de palavras, na associação livre de ideias e nas próprias ações do paciente;
  • Facilitar o autoconhecimento;
  • Ajudar a lidar com conflitos internos e angústias;
  • Conduzir o paciente no tratamento das psicopatologias.

O psicanalista possui uma função diferente da do psicólogo, ou até da função do psiquiatra, embora haja uma certa complementaridade entre elas. Isto faz com que muitos psicólogos e psiquiatras venham a adquirir formação no campo da psicanálise.

Qual a diferença entre Psicólogo e Psicanalista?

Afinal, o que faz a diferença entre o Psicólogo, o Psicanalista e o Psiquiatra?

Uma dúvida extremamente comum envolve a diferenciação entre os profissionais que trabalham com o psíquico. Poucas pessoas têm certeza do que distingue os nomes psicanalista, psicólogo, psiquiatra ou psicoterapeuta; e por vezes ainda outros mais endossam a confusão.

Aparentemente, o psiquiatra é o profissional que as pessoas têm mais facilidade para diferenciar dos demais. A psiquiatria, sendo uma especialização da medicina, tenta delimitar os problemas do paciente a partir de uma perspectiva médica, orgânica, por isso, tem a prerrogativa de prescrever drogas para o tratamento dos sintomas. Acaba sendo mais raro, porém, alguns psiquiatras também oferecem psicoterapia, que é por regra, o trabalho que um psicólogo pode oferecer.

Atuar como um psicoterapeuta, acaba sendo uma descrição para uma prática comum ao psicólogo e ao psiquiatra. Será um psicoterapeuta, todo profissional que ofereça uma terapia que se baseie num entendimento sobre o funcionamento psicológico do paciente. Existe uma variedade enorme de psicologias que dão fundamento a esta prática. Muitas delas são derivadas da psicanálise, outras se aproximam da fisiologia, ou emergiram de propostas filosóficas, e variam muito em sua forma, mas todas conservam em comum um aspecto: toda psicologia possui uma maneira particular de descrever o que é o homem, (ou a mente, ou o sujeito psicológico, à seu gosto). Por isso, cada uma tem uma visão de mundo e de homem própria.

Quanto ao que é o psicanalista, ou simplesmente “analista”, poderíamos sintetizar sua descrição em um ponto básico do qual todos os outros são consequência: O psicanalista é o único clínico que trabalha considerando a presença e ação do Inconsciente. E alguém poderia se perguntar: “Mas como assim só a psicanálise aceita que o inconsciente existe se eu já ouvi psicólogos dizendo que fazemos coisas inconscientemente?”. Trata-se de que algumas psicologias podem considerar que as pessoas tenham pensamentos que não estão acessíveis à sua consciência, mas nenhuma se dedica a trabalhar estas questões ou as forças que fazem com que uma ideia permaneça inconsciente. O trabalho com essas forças, chamadas de recalque ou repressão, constitui o ofício do psicanalista.

Quando no fim do séc XIX Freud abandonou sua carreira de neurologista para inventar a psicanálise, a ocupação de psicólogo ainda não existia. Isso se manteve até meados dos anos 70, quando quase todos psicanalistas eram psiquiatras que optaram por mudar seus métodos, e os primeiros cursos de psicologia começaram a surgir em nosso país. Atualmente no Brasil, a maioria dos psicanalistas primeiro se graduou psicólogo em uma faculdade de psicologia para depois começar a estudar a psicanálise.

A seguir, temos um vídeo do psicanalista paulistano Jorge Forbes, falando um pouco sobre a diferença entre esses profissionais e apresentando uma opinião interessante sobre o trabalho do psicanalista:

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Ao terminar o curso, posso clinicar como PSICANALISTA?

SIM. A profissão como PSICANALISTA em nosso pais é LIVRE e qualquer pessoa que possua uma formação, em caráter livre, em psicanálise pode clinicar e trabalhar legalmente com a psicanálise. O que existem são pressões morais e não legais de alguns profissionais da área da saúde, principalmente médicos e psicólogos, que tentam impedir o trabalho profissional do PSICANALISTA, mas isto é somente algo de cunho político. Porque legalmente nada pode ser feito contra o exercício da PSICANÁLISE no Brasil.

VALIDADE E REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO

No Brasil, a atividade psicanalítica não é regulamentada, ou seja, não possui curso de graduação autorizado pelo MEC nem Conselho Regulamentador da Profissão.

De modo que sua formação caracteriza-se por ser independente, de caráter livre e profissionalizante, sendo os seus profissionais formados por Sociedades Psicanalíticas e/ou Analistas Didatas.

Apesar de manter interfaces com várias profissões pela utilização de conhecimentos científicos e filosóficos comuns a diversas áreas do conhecimento, acaba sendo em algum momento tratada como área de especialização de alguns profissionais como por exemplo os Psicólogos, todavia não se limita a especialidade de nenhuma delas, constituindo-se em uma atividade autônoma e independente, podendo o profissional ser Psicanalista, mesmo não sendo Médico ou Psicólogo.

Sobre isto o Conselho Federal de Medicina no Processo-Consulta CFM n° 4.048/97 deixa claro que: “A titulação médico-psicanalista não tem amparo legal, não sendo portanto permitida a sua utilização.” mostrando assim que a Psicanálise é uma atividade totalmente distinta da Medicina.

Do mesmo modo que o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, em resposta ao Processo-Consulta n.º 13.518/90 informa que “O Conselho Regional de Medicina tem como atribuição a observância do Código de Ética Médica pelo médico no exercício da profissão, porém, a título de esclarecimento informamos ao consulente que a “psicanálise” é uma modalidade de tratamento psicológico usada por médico ou profissional de outra área, com formação psicanalítica, portanto, não sendo atribuição específica do médico.”

Em resposta a Carta 39/00 de 30/06/2000 o Conselho Regional de Psicologia do Estado de São Paulo diz: “Em resposta a sua solicitação, informamos que: A Psicanálise é uma modalidade de atendimento terapêutico, que é exercida por profissionais psicólogos, psiquiatras e outros que recebem formação específica das Sociedades de Psicanálise ou cursos de especialização neste sentido. Como atividade autônoma não é profissão regulamentada. O Conselho Regional de Psicologia tem competência para fiscalizar o exercício profissional do psicólogo, incluindo-se no caso a prática da psicanálise. Se o profissional que se diz psicanalista não é psicólogo registrado no CRP-SP não temos competência para exercer a fiscalização. Caberia no caso, investigar junto ao CRM ou mesmo junto à Sociedade de Psicanálise, qual o vínculo ou a formação do profissional referido.”

Após todo exposto acima, fica claro que a atividade Profissional do Psicanalista, não só no Brasil, mas em praticamente todo o mundo, é uma atividade vinculada às Sociedades Psicanalíticas e sua formação passada “artesanalmente” pelas clássicas Escolas/Sociedades de Psicanálise.

A atividade profissional do Psicanalista é lícita e reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego Brasileiro sob a CBO (CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA DE OCUPAÇÕES) número: 2515-50.

Ao reconhecimento da Psicanálise no Brasil também podemos acrescentar o Parecer n.º 159/2000 do Ministério Público Federal e da Procuradoria da República do Distrito Federal e o Aviso n.º 257/57, de 06/06/1957, do Ministério da Saúde, este último como marco histórico.

Em matéria de Direito, o exercício da Psicanálise no Brasil é garantido pela Lei Máxima de nosso País, a Constituição Federal, que, em seu Título II, artigo 5º, incisos II e XIII, deixa claro que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; e… é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer.”

Importa salientar que o fato de a Psicanálise não possuir regulamentação não minimiza os rígidos padrões éticos e acadêmicos exigidos para a formação do Psicanalista, muito pelo contrário, um profissional para ser reconhecido como Psicanalista deve possuir não apenas vasto conhecimento teórico, técnico e prático do tema, adquirido em Escola ou Sociedade Psicanalítica idônea, como também e principalmente deve possuir boa formação e educação, conduta moral ilibada, caráter íntegro e atitudes éticas.

O papel desta Ordem é exatamente o de zelar pela qualidade da formação dos profissionais Psicanalistas no Brasil, reunindo em seu hall de membros aqueles que sejam dignos de serem chamados Psicanalistas.