7 Hábitos Que Não Nos Levam A Lugar Algum

Os hábitos, em grande parte das vezes, acabam por ser adquiridos de forma inconsciente. Você simplesmente vai mecanizando e já não se recorda por que pensa de determinado modo ou por que faz as coisas sempre da mesma forma. Você acaba por acreditar que essa é a única forma de pensar ou de viver que existe, tudo é tão óbvio para você que nem sequer para e questiona o que acontece.

Infelizmente, muitas das vezes adquirimos esses hábitos a partir de pessoas ou experiências negativas. Nos acostumamos a viver com uma nuvem negra sobre nós e, claro, a realidade acaba por nos dar razão. Porque quando procuramos alguma coisa, aumentamos as probabilidades de encontrá-la.

“O seu caráter é essencialmente a soma dos seus hábitos; é como você age habitualmente.” -Rick Warren

Da mesma forma que adquirimos hábitos de pensamento e de comportamento que não nos levam a lado nenhum, também é possível tomar consciência e construir novas referências. Não é assim tão difícil, e em contrapartida, pode melhorar bastante a sua qualidade de vida. Aqui estão sete desses hábitos que você deve erradicar para usufruir plenamente da sua existência.


Criticar, um dos hábitos mais nefastos

Muitas pessoas têm a tendência de fazer comentários negativos em relação a qualquer pessoa, situação ou realidade com que se deparam. É como um chip que se ativa automaticamente e que as leva a depreciar sem qualquer propósito definido.


A crítica é válida quando tem o objetivo de melhorar. Mas se ela é usada unicamente para encontrar o erro em tudo, sem objetivo além de destacar o negativo, você acaba por criar um ambiente pesado e, claro, fazendo com que os outros apenas vejam o seu lado negativo.

Esperar passivamente que “aconteça alguma coisa”

Isto ocorre quando a sua reação perante uma situação complicada não é a de pensar o que pode fazer para melhorá-la, mas sim esperar que ocorra algo externo que venha solucionar o seu problema. Você espera que chegue o amor, ou que lhe ofereçam um trabalho melhor, ou que algum médico lhe dê finalmente a receita contra as enxaquecas, ou qualquer outra coisa.

No fundo, você tem a fantasia de ser resgatado. Você olha para si próprio como alguém sem recursos para solucionar problemas e seguir novos caminhos. Com o hábito de esperar, você só consegue fazer com que os dias passem e perde um tempo valioso que nunca poderá recuperar.

Converter a queixa em uma forma de vida

Talvez, sem perceber, você tenha construído a ideia de que queixar-se é algo positivo. Erroneamente, você acredita que lamentar-se é uma forma de provar o valor dos seus esforços, ou de mostrar que passou por muitas dificuldades e tempos difíceis.

Talvez você esteja procurando uma reação nos outros, e então adquiriu o hábito de se queixar para ganhar admiração, aprovação ou solidariedade. Porém, na hora da verdade, acaba conseguindo exatamente o contrário. Trata-se de um padrão de comunicação nocivo, que satura as pessoas que o rodeiam.

Fingir que o assunto “não tem nada a ver com você”

A evasão é um hábito muito comum, especialmente entre os homens, mas também em muitas mulheres. Aparentemente você quer “se livrar do drama” da situação e não está nos seus planos se concentrar nos problemas, por mais graves que estes sejam. Você pode intitular isso como “ser despreocupado” e até se orgulhar disso.

A verdade é que não podemos fugir dos problemas reais da vida. Por mais que você corra, eles sempre o alcançam. Ao tentar ignorá-los, você apenas os alimenta e faz com que eles cresçam. Nenhum problema sério se resolve ao esconder a cabeça de baixo da terra, isso apenas complica ainda mais as coisas.


Consumir, consumir e consumir…

Tornar-se escravo do consumo é um hábito que, com toda a certeza, o conduz em direção à infelicidade. Você pode até acreditar que ter um super celular vai fazer com que você se sinta afortunado, e talvez até seja assim… por algumas horas. Depois, você cai na realidade e tem que colocar os olhos em outro capricho.

Investir o nosso bem-estar nos objetos é apenas uma maneira de projetar o vazio interior sobre eles. Todos nós gostamos de fazer compras e nos regozijar com algumas aquisições, mas quando isto se torna uma aposta na felicidade e se converte em um hábito, é porque tomamos o caminho errado. Só acabamos por fazer com que o vazio que sentimos fique ainda mais profundo.

Ter o hábito de ficar em casa

Quando nos sentimos mal tendemos a nos tornar passivos e a não querer sair de onde estamos. O normal é que sair desse estado demore uma tarde ou no máximo dois dias. Porém, quando você continua sempre a fazer o mesmo e isso se torna num hábito, é hora de pensar no que está acontecendo.

O problema em si não é o fato de se manter trancado. A verdadeira dificuldade é que, com essa forma de agir, você começa a construir um estilo de vida em que o que prevalece é o isolamento. O isolamento, por sua vez, alimenta um posição depressiva e a sensação de ser cada vez mais frágil e vulnerável.


Recusar a novidade e a mudança

Ter rotinas excessivamente rígidas é uma forma de autobloqueio. Se você faz sempre a mesma coisa, também é certo que os seus pensamentos, os seus sentimentos e as suas percepções se manterão invariáveis. É como se você dissecasse o que leva no seu interior.

As mudanças são sempre positivas, já que o tiram, de alguma forma, da sua zona de conforto. Isso o obriga a ativar o seu mundo interno para conseguir uma nova adaptação. E nessas condições, é provável que você veja ou experimente algo que te faça sentir vivo, que te mostre que há muitas atividades interessantes para além desse cubículo em que você se acostumou a viver.

O ALTO PREÇO DA INDEPENDÊNCIA DE UMA MULHER

O preço da independência de uma mulher varia conforme o local e o ano de nascimento. Mas uma coisa eu garanto: nunca é pequeno o valor que uma mulher paga para ser dona da própria vida.

A maioria dos homens nunca vai entender isso. Algumas mulheres distraídas também não. Mas quem sente isso na pele, vai. Ah, se vai.

Homens não entendem porque simplesmente não convivem com essa ameaça.

Eles sabem que, a partir do momento em que saírem da casa dos pais, são donos da própria vida. Eles não sentem que devam algo a alguém a partir disso.

Já as mulheres não. E não estou falando apenas do velho clichê de sentir-se dependente de um eventual marido. Estou falando de muitas outras coisas.

Do poder que toda a família segue exercendo sobre a vida de uma mulher adulta; dos olhares e frases atravessadas que seguimos recebendo de fiscais não autorizados a policiar nossas vidas, mas que mesmo assim o fazem: colegas, conhecidos, parentes distantes, pessoas que nunca vimos antes. É como se a vida do homem fosse vida privada e a vida da mulher fosse vida pública.

Tudo começou com as mulheres que decidiram não se casar. O preço? Um eterno rótulo de falhada, independentemente do fato de ser uma opção. Olhares de frustração vindos de todos os familiares.

A sensação de ser diariamente questionada se ela não era boa o bastante. Era assim em 1940 e segue sendo muito semelhante. Homem que não casa é bon vivant, mulher que não casa é perdedora.

Depois vieram as que não tiveram filhos. Estas pagam seu preço diariamente respondendo perguntas indiscretas, questionando se foi uma estranha decisão ou uma lamentável limitação física. E se disserem que foi por opção, o cheque dobra de valor.


Você vai ficar sozinha, seu marido vai se arrepender, você não sabe o que está fazendo, filhos são o verdadeiro sentido da vida. Homem que não tem filho é porque a vida não quis, mulher que não tem filho é porque é egoísta.

Na sequência, estão as que dedicam-se com afinco à própria carreira. Este preço disparou ultimamente. Centenas de dedos são apontados para o seu rosto: ambiciosa, workaholic, gananciosa.

Quem cuida dos filhos dela? Quem cuida do casamento dela? Onde ela pensa que vai chegar com tudo isso? Homem bem sucedido é homem de sucesso, mulher bem sucedida é mulher que sacrifica a família.

Já as mulheres que ganham muito dinheiro, são cobradas muito além dos seus tributos. Ouvem com frequência: você vai afastar os homens desse jeito; é melhor disfarçar para não parecer arrogante; por que você não se contenta com uma vida normal? Homem que ganha muito é porque merece, mulher que ganha muito é porque deu sorte.

As divorciadas, embora muito frequentes, seguem pagando um preço salgado que não muda desde a década de 60. O sentimento de decepção por parte dos parentes mais velhos. A descrença dos pais de que tudo possa acabar bem.

Os “amigos” dizendo que ela vai se arrepender, que ela nunca mais vai encontrar alguém tão legal quanto ele. Homem divorciado é homem corajoso, mulher divorciada é mulher sem juízo.

As mulheres que viajam sozinhas se arriscam. As que fazem qualquer projeto que não envolva os filhos são péssimas mães. As que têm um relacionamento sério mas optam por não casar estão sendo enroladas. As que nunca param de estudar estão atrasando a vida da família. As que ganham o mundo, perdem a própria vida pessoal. As acusações nunca terminam.


O preço de ser uma mulher independente é o de ter que viver parcialmente anestesiada, para aguentar o bombardeio diário acerca de cada uma das decisões que tomou na sua vida.

É ter que habituar-se aos olhares, às sobrancelhas arqueadas, às frases feitas e aos conselhos inúteis, ainda que muito bem intencionados. É preciso estar disposta todo santo dia. É preciso querer muito e conformar-se com o fato de ter que pagar valores altos para ter o simples direito de seguir com a própria vida.

DETESTA CARNAVAL? VEJA 10 COISAS QUE SÓ QUEM ODEIA A DATA ENTENDE

E aí, tudo pronto para o Carnaval? Já comprou as passagens para Salvador? E as fantasias? Em quais blocos pretende ir? E das escolas de samba, quem vai arrasar na avenida?

Pois é, quando o feriado se aproxima, essas e outras perguntas começam a pipocar sem parar. Se você é do tipo que adora a data, com certeza irá responder tudo com o maior entusiasmo.

Agora, quem não é muito fã, vai sentir bastante preguiça com tudo isso. Veja 10 coisas que só os haters de Carnaval entendem.

1 – Ok, os blocos até podem ser legais. Mas como é que a galera curte ficar no meio dessa multidão, sem espaço para se mexer e esbarrando em todo mundo toda hora?

2 – Outro fator que não contribui muito a favor do Carnaval é o clima. Como se já não bastasse aquele bando de pessoas juntas, ainda tem esse calor insuportável que deixa qualquer um de mau humor. Difícil lidar, né?

3 – As pessoas que não costumam beber, geralmente, já não têm muita paciência para para os bêbados de plantão. Mas no Carnaval a coisa fica tão intensa que até quem bebe, fica um pouco estressado com a galera que exagera.

4 – Se já é difícil andar de metrô, trem e ônibus em dias comuns, imagina quando está todo mundo pulando, cantando e bebendo. Pois é, mesmo nesse ambiente desconfortável, as pessoas conseguem arranjar motivo para fazer folia e você apenas não entende.


5 – É gente jogando lixo no chão, fazendo xixi em qualquer lugar, ruas fechadas, uma verdadeira confusão. Pra curtir o Carnaval é preciso estar disposto a encarar um perrengue.

6 – Depois de insistir nessa aventura chamada “Carnaval”, você percebe que não foi feito para esse negócio e decide ficar em casa. E, de repente, nota que não poderia estar em um lugar melhor.

7 – Gente, como é que você largou a sua cama para passar por todo aquele perrengue? A sensação é tão maravilhosa que promete a si mesmo nunca mais abandoná-la.


8 – Outro motivo para não sair de casa: nada como ficar à vontade, poder ir ao banheiro a hora que quiser e não enfrentar fila pra comer, né? Sério, sair de casa para quê?

9 – A partir disso você começa a aproveitar o tempo de feriado fazendo outras coisas, como, curtir aquele Netflix de sempre que nunca te abandona.

10 – Depois de algumas horas em casa você tem a certeza de que não gosta de Carnaval e definitivamente prefere ficar curtindo sua preguicinha.

CARNAVAL: QUANDO OS EXCESSOS ESCONDEM CARÊNCIAS

Verão, férias, carnaval. Uma grande parte dos brasileiros adora esta época do ano. Estamos acostumados com a frase: o ano começa após o carnaval.

É como se desde o período do natal até a passagem deste feriado estivéssemos em um outro mundo, vivendo uma outra realidade.

A verdade é que a permissividade toma lugar da responsabilidade e do comprometimento nesta época do ano.

É um período, pelo menos no Brasil, onde tudo pode desde que traga prazer. Porém, acompanhada da permissividade vem a impulsividade, capaz de fazer a pessoa não pensar antes de agir.

A impulsividade é uma característica comportamental que está muito presente nas festas de carnaval pois, é típico deste evento a busca por satisfação dos desejos e a procura constante de prazeres momentâneos. É como se tudo fosse permitido e nenhuma regra ou moral existissem.

Este é sem dúvidas o período do ano em que as fantasias saem literalmente do armário e começam a fazer parte de um mundo real. Não há limites para os desejos, o princípio seguido é: “sinto, logo ajo”. Não há filtros para a seleção de quais desejos podem ser satisfeitos de forma saudável, isso porque a crença que é fomentada pela cultura brasileira sugere que os itens obrigatórios no carnaval são os excessos.

Na verdade, neste evento, os excessos são considerados sinônimos de felicidade. E claro, quando existem excessos, existe por trás deles uma tendência comportamental baseada nas insatisfações pessoais que por sua vez acionam imediatamente a impulsividade para suprir as várias formas de carências. É fato que a impulsividade vai contra tudo aquilo que é ponderado, analisado, questionado, contra tudo aquilo que é portanto, saudável.

Pessoas com estes comportamentos vivem um ciclo na busca da satisfação por meios impróprios. Primeiramente a pessoa começa a entrar em contato com a sua realidade particular que lhe gera insatisfação, esse contato com a realidade insatisfatória causa um grande desconforto e a pessoa passa a buscar meios para suprir essa sensação, é aqui então que entram os excessos, seja com compras sem propósitos, inserção de bebidas alcoolicas e /ou trocas de parceiros.


Embora inicialmente esses comportamentos tragam sensação de alívio e bem estar, eles não proporcionam saciedade e é este o perigo dos excessos enquanto mecanismo de fuga das carências. Consequentemente surgirá o sentimento de frustração maior ainda fazendo com que esta pessoa permaneça neste ciclo na tentativa de aliviar os sintomas da sua insatisfação.

Assim, como consequência da impulsividade surge a irresponsabilidade, afinal, quando não há filtros para a distinção do que é permitido ou saudável, todos os atos são baseados e regidos pelo princípio do prazer.

Este princípio foi desenvolvido por Freud que considerava que todo indivíduo possui três estruturas psíquicas que orientam os seus atos: ID, EGO E SUPEREGO. Em resumo, o Id corresponde a estrutura psíquica que é norteada pelo prazer, logo, todas as pulsões não são controladas, elas são imediatamente sanadas, o prazer é quem manda. Já o superego possui como característica as normas, é ele quem censura, quem limita, estabelece regras, proibições e punições.

Finalmente o ego se caracteriza por representar o contato do indivíduo com a realidade, é através do ego que o indivíduo analisa se é preferível atender as pulsões do ID ou as ordens do Superego. No carnaval, a estrutura psíquica que entra em cena é sem dúvidas o ID, ou, o princípio do prazer.


Este princípio tem por característica, momentaneamente causar satisfação e picos de euforia, contudo, não sustenta esse estado por muito tempo, a tendência é quando em contato com a realidade, se frustrar e fugir das responsabilidades buscando obter prazer constantemente, como também, perceber as consequências dos atos impulsivos que muitas vezes trazem prejuízos significativos para toda a vida, constatando então que a vida não é um eterno carnaval.

Por isso é tão comum que algumas pessoas apresentem grande dificuldade de retornar das férias e de iniciar o ano após a quarta feira de cinzas. O contato com a realidade demarca um fechamento de um período extremamente prazeroso: férias, verão, praia, bebidas, múltiplas relações instáveis… E obriga o indivíduo a se adequar ao seu contexto real: horários a cumprir, rotina agitada, contas a pagar, problemas para enfrentar.

É importante salientar que todos estes comportamentos impulsivos podem trazer algum tipo de “ressaca moral” no final deste período de festa, uma vez que as pessoas são obrigadas a voltar a rotina, ao seu mundo real.

Outro fator importante e que pode surgir após este período de diversão é a culpa, pois o indivíduo pode vivenciar as consequências de suas atitudes impulsivas: problemas de saúde devido ao abuso de substâncias químicas, gravidez indesejada, excesso de contas a pagar, dívidas, rompimentos de relações…

Para sair deste ciclo de carência-insatisfações-excessos-frustrações-compulsões, é necessário o desenvolvimento de maturidade que é conquistada através do autoconhecimento. A psicoterapia é uma grande aliada para o aperfeiçoamento do ser humano, abrindo caminho para que este vivencie a próxima temporada com mais plenitude e responsabilidade sem precisar negar a sua realidade, e permitindo que o indivíduo utilize as fantasias somente enquanto adereço e não como alicerce da sua personalidade.

O QUE BLACK MIRROR FALA SOBRE A NOSSA MAIOR ESTUPIDEZ

O mundo anda pior? O mundo melhorou nos últimos tempos? Segundo estatísticas, jamais estivemos tão bem. Ainda assim, temos a sensação de que algo vai mal.

Mas se os números não mentem, deveríamos nos curvar diante deles e dar um jeito de superar essa sensação de que tem alguma coisa errada acontecendo? Ou há algo de útil a aprender quando ouvimos nossa voz interna, por mais incógnita que seja o dialeto em que fala?

O futuro descortinado por Black Mirror, a série britânica que se popularizou graças à Netflix, é um mundo magnífico. Graças a tecnologia, o ser humano é capaz de estender sua vida consciente em realidades virtuais onde tudo é empolgante e perfeito; criar minúsculos robôs que mantêm o equilíbrio ecológico; ampliar a comunicabilidade e interação humanas de formas sem precedentes; inventar mecanismos para registro de cada precioso momento de nossas vidas. Isso tudo e outras tantas maravilhas.

A sociedade retratada por Black Mirror poderia ser a antecâmara da utopia. No seriado, a humanidade poderia estar celebrando, em antecipação, a proximidade de uma era em que venceríamos com a tecnologia os entraves que atormentaram nossos antepassados por milênios. Fome, doença, velhice, miséria, mesmo a mortalidade: pela ciência, estaríamos prestes a derrotar nossos monstros.

Porém, não é isso o que ocorre. Em todos os episódios, os personagens estão cercados de milagres tecnológicos, mas levam vidas miseráveis.

Por que é assim? É porque Black Mirror na verdade não fala de tecnologia, mas de algo muito antigo e mesmo assim ainda pouco conhecido por nós. Pois a tecnologia apenas derrota os monstros externos, e há um monstro interno que jamais enfrentamos: A estupidez humana.

Quando se afirma que as coisas andam mal, que a humanidade nunca foi tão violenta e indiferente ao sofrimento alheio, alguém sempre argumenta que a humanidade sempre foi violenta e que também sempre houve miséria. No máximo, graças à tecnologia de hoje, as tragédias humanas têm maior visibilidade e chegam mais rápido ao nosso conhecimento.

E, justiça seja feita, essa opinião está certa, pois a história humana prova, à saciedade, o quão cruéis tendemos a ser uns com os outros desde nosso passado mais remoto.

Mas isso é apenas um lado da equação. A tecnologia não tem apenas um efeito passivo, de registro e divulgação. Ela não se limita a aumentar a visibilidade das desgraças humanas. A tecnologia, em determinado momento, passou não só a facilitar a manifestação de nosso lado mais violento e estúpido, como também a amplificar os seus efeitos nefastos.


Em 1986, o sociólogo alemão Ulrich Beck propôs entrarmos numa nova etapa da história. Essa nova etapa ele chamou de “sociedade de risco”.

Estaria ocorrendo, segundo Beck, uma ruptura tão grande entre a sociedade industrial do século XX quanto foi a ruptura com a sociedade feudal. A partir de nossa era, as inovações técnicas fariam com que os riscos a que estamos sujeitos tomassem proporções cada vez maiores, até o ponto em que as instituições sociais não poderiam mais nos proteger adequadamente.

Isso era resultado daquilo que Beck chamava de reflexividade: a modernização criada para tornar nossas vidas mais confortáveis multiplica e amplia, por outro lado, as formas de sofrermos. Um dos mais eloquentes exemplos seria o desastre de Chernobyl, em que a incompetência humana, inclusive política, deflagrou uma tragédia humana e ecológica sem precedentes.

Porém, essa reflexividade da tecnologia não aumenta apenas os riscos de acidentes monumentais. Ela também cria novas formas de causarmos mal uns aos outros e amplia o impacto de nossas mais tradicionais formas de violência.

Há certo consenso de que, em termos históricos e geopolíticos, o século em que vivemos começou com o ataque de 11 de Setembro ao World Trade Center. E não se trata apenas de uma identificação simbólica sobre o terror e o fundamentalismo.

Aquele ataque desencadeou a sequência de fatos (invasão do Iraque, nascimento do ISIS, atentados de fundamentalistas, ações terroristas de “lobos solitários”, crise na Síria, ondas migratórias na Europa, atritos entre a Rússia e a OTAN,…) que caracterizam nossa era.


E foi o atentado de 11 de Setembro que demonstrou o poder da tecnologia para facilitar e amplificar o terror. Os terroristas conseguiram organizar-se e comunicar-se com os mentores do atentado com facilidade. Graças à automatização das cabines de controle e aos simuladores de voo, nunca foi tão fácil para um leigo tomar breves lições e já ser capaz de conduzir um avião comercial na direção de um alvo.

Osama bin Laden podia, após o ataque, imediatamente falar ao mundo todo dentro de uma caverna oculta em uma região inexpugnável no Oriente Médio. Atualmente, a ação de lobos solitários e a divulgação de ideias extremistas é incrivelmente facilitada pela tecnologia.

Não se trata de ser neoludista e ver a tecnologia como origem de todos os males. De forma alguma: a tecnologia é tão neutra como uma faca, que pode cortar um pão ou cortar um pescoço. Ela é uma ferramenta que pode ser útil ou terrível, pois tudo depende da mão de quem a maneja. Esse é o ponto aqui.

O que Black Mirror faz é evidenciar que mesmo sob as melhores condições materiais, mesmo na prosperidade e diante de milagres tecnológicos, o ser humano prossegue tornando a sua vida e a vida dos outros um inferno. A sociedade de risco em que vivemos tem o mesmo efeito da série e deixa claro algo que sempre nos escapou enquanto espécie: a extensão e profundidade da estupidez humana.

Hannah Arendt afirmava que o mal era banal entre os seres humanos — a ponto de nós o praticarmos sem nem ao menos perceber. Mas nessa falta de percepção não há apenas cegueira ideológica ou fraqueza moral: há também a simples e pura falta de inteligência.

Um exemplo pode ilustrar com eloquência. Em 1938, a humanidade descobriu a fissão nuclear. Menos de uma década depois, em 1945, já havíamos detonado a primeira bomba atômica.

E bastou apenas algumas poucas décadas para que tivéssemos fabricado um arsenal nuclear capaz de destruir este planeta, o único planeta conhecido capaz de abrigar a vida, meia dúzia de vezes pelo menos. E, como se isso não bastasse, apontamos todas essas armas uns para os outros devido a uma disputa ideológica entre blocos econômicos.


Creio que antes, para o observador mais atento e frio da história humana, um fato já fosse evidente. Mas com a corrida nuclear do século XX, esse fato foi finalmente escarrado na nossa cara:

A humanidade não era só propensa à maldade, também incrivelmente estúpida, burra mesmo.

E sequer precisamos lembrar da corrida nuclear. Toda a história do século passado e as notícias do momento presente deixam claro que utilizamos uma tecnologia capaz de resolver nossos principais problemas e reduzir a dor humana para, ao contrário, aumentar a dor e criar formas de destruirmos não só nossa civilização, como também a vida de toda a Terra.

Ao longo de muito tempo, nós observamos os animais ao nosso redor e concluímos que, como inventamos a roda e fazíamos fogo, éramos uma espécie incrivelmente inteligente. Afinal, nosso único critério de comparação eram quadrúpedes que grunhiam.

Nós nos tínhamos em alta conta, e por milênios prosseguimos assim, fascinados por nossa destreza em construir castelos e atravessar oceanos. Mas quando a tecnologia se desenvolveu a ponto de interferir de forma decisiva em nossa vida, dando-nos poder para potencializar o resultado de nossas atitudes, ficou claro que somos um animal um bocado estúpido.

Sim, aprendemos alguns truques, temos alguma inventividade, mas somos não só incapazes de desmontar as armadilhas e prisões que criamos para nós mesmos, como utilizamos boa parte da nossa inventividade para aprimorar essas armadilhas e prisões.

Pense nos principais problemas humanos deste momento: miséria, guerras, terrorismo, genocídios, fuga de refugiados, poluição, hostilidades políticas, crises econômicas. Todos esses problemas, que fazem muitos de nós sofrerem e até mesmo perderem suas vidas, não têm uma causa externa ao ser humano. Todos foram criados por nós, e ainda existem por não termos inteligência suficiente para escapar das ciladas que nós próprios construímos.

“Precisamos admitir que a história humana é a história da estupidez”, disse Stephen Hawking numa palestra em Cambridge em 2016, quando ele tratou do terrível ou empolgante futuro da inteligência artificial.

É que a tecnologia deixa evidente a estupidez humana por outro caminho, distinta da sociedade de risco. Como já disse, até agora a humanidade só podia comparar-se com quadrúpedes, e por isso tinha em alta conta sua pouca inteligência.

Agora, começamos a antever o surgimento de máquinas capazes de desenvolver uma inteligência até mesmo superior à nossa (isso antes era objeto de piada, agora é assunto sério e debatido entre cientistas e especialistas), e só a concepção de que isso pode realmente ocorrer cria um contraste em que nossa desastrosa estupidez fica por fim evidente.

A humanidade sempre enfrentou graves e trágicos desafios, e quase sempre tentou resolvê-los buscando algum culpado, algum inimigo. Nunca nos ocorreu que nossa falta de inteligência era o principal entrave para resolvermos esses desafios. Pior ainda, nunca nos ocorreu que nossa estupidez é, ao menos em parte, a origem da maioria de nossos males, e que poderá ser a causa de nossa autodestruição.


Neste momento em que reconhecemos que a nossa estupidez é um dos nossos maiores (ao lado da banalidade do Mal identificada por Hannah Arendt) monstros internos, deveríamos declarar guerra a ela. E, reconhecendo isso, Hawking cogita se a tecnologia da inteligência artificial poderia nos ajudar nesse combate. Mas como gato escaldado, ele também teme que ela possa, como muitas tecnologias, apenas aprofundar o sofrimento humano.

A resposta é banalmente simples: se iremos utilizar as tecnologias futuras para criar a utopia ou a distopia depende de não sermos estúpidos agora. Precisamos iniciar essa batalha utilizando as ferramentas que temos agora à nossa disposição, para ampliar nossa consciência e lucidez.

E nem todas essas ferramentas são tecnológicas: muitas delas, como a meditação, estiveram à disposição por séculos. E mesmo as tecnológicas dependem de nossa determinação e bom senso: atualmente, a internet e as redes sociais parecem servir para nos separar e aprofundar hostilidades, e isso precisa mudar. Afinal, a internet pode ser o berço da consciência coletiva — mas isso é outra história.