As angústias e inquietações do adolescente

As angústias e inquietações do adolescente, e, em especial, a maneira como ele se relaciona com um ambiente fundamental em sua formação: a escola.

Filmado em três estados brasileiros com classes sociais distintas, Pro dia nascer feliz desenha um diário de observação do adolescente brasileiro.

Professores também expõem seu cotidiano profissional, ajudando a pintar um quadro completo das desigualdades e da violência no país a partir da realidade escolar.

Assista aqui:

Adolescência e Mentira: histórias de pescador ou falta de caráter?

Esta semana estava aguardando (infinitamente!) para ser atendida numa consulta e matava o tempo folheando uma revista feminina quando deparei-me com uma mãe que pedia socorro a um especialista, relatando que tem uma filha pré-adolescente que mente demais, segundo a mãe, a garota é compulsiva, mente por qualquer coisa.

A mãe relatava já ter passado por vários estágios da raiva à piedade, mas a situação só se agravava. Foi dura, bateu, gelou, castigou, privou de tudo que é prazeroso, fez chantagem emocional, elogiou, premiou e… nada, a menina continua mentindo, e mesmo quando é “desmascarada”, age como se tivesse sendo vítima da maior injustiça do mundo, dizendo que faz o que faz para ajudar os outros, para não magoar ninguém e que sofre com as atitudes injustas dos pais ou age como se nada tivesse acontecido, embora fique num monólogo apontando justificativas e injustiças.

Num determinado momento da queixa a mãe diz que a compara com o irmão mais novo que não mente. Os pais estão com medo dela se tornar uma criança de má índole, estão arrasados, não encontram uma solução,não sabem o que fazer. A mãe reforça que a filha é maravilhosa e o que a estraga é a mania de mentir.

Sente que a filha precisa de ajuda, conta que a garota é muito fechada e que por mais que tente, esta não se abre com ela. Termina afirmando que cuidar de filhos não é fácil!

Coincidentemente (Jung não acredita em coincidências, mas sim em sincronicidade, tipo Lei da Atração!) no mesmo dia uma colega me falou sobre o mesmo problema com o filho e sugeriu que eu escrevesse algo sobre o assunto. Bem, vou tentar!

Muitas são as questões que a mãe da revista traz. Podíamos fazer a psicanálise selvagem analisando uma série de coisas, mas vamos nos ater à questão da mentira na adolescência.

Aprendemos desde pequenos que mentir é errado. Informação dada não significa valor introjetado. Deste modo ouvir que mentir é errado e não mentir de modo algum ao longo da vida são ações distintas. Não é porque ouvimos que fazemos.

Para muitos pais perceber que o filho mente compulsivamente pode despertar um sentimento de ter fracassado na educação de valores que a família tentou passar para ele. Nem sempre isso é uma verdade. Nem tampouco é sempre mentira! Há casos e casos e cada um é um!

Nos educamos pelos exemplos, nossos valores são construídos com base nos valores e atitudes de nossa família e nos da sociedade em que vivemos.

A mentira está presente em nossas vidas. Muitas vezes a achamos “necessária”, logo perdoada, muitas vezes a condenamos, logo reprimimos.

Na sociedade moderna a mentira é tão frequente que já se banalizou. Encontramos mentirinhas e mentimos muitas vezes ao dia, em diferentes situações sociais. Fazemos um elogio mentiroso, damos desculpas esfarrapadas ou mentimos descaradamente por mil razões: medo das consequências negativas, insegurança, pressão social, ganhos ou patologicamente.

Quando crianças, mentimos para não sermos punidos. Na infância, até os cinco, seis anos a criança não consegue distinguir claramente a realidade da fantasia, a partir dos sete anos aproximadamente, ela já sabe o que é mentira e a usa em “beneficio próprio”.

Na adolescência mentimos para sermos aceitos e amados, para atender ao desejo de fazer o que queremos e a realidade de atender ao que esperam de nós. Mentir é estratégia comum entre os adolescentes para conseguir fazer coisas que sabem que não serão aprovadas pelos pais.

Crianças/adolescentes com superego rígido (censura) podem se tornar mentirosos compulsivos ao descobrirem que a mentira sacia a curiosidade dos pais ou os ajuda a serem aceitos e valorizados pelas pessoas, em especial por outras crianças/adolescentes.

Na vida adulta mentir é uma forma de se preservar, de não ter que assumir responsabilidades por algo que não deu certo.

Está presente em muitos mecanismos de defesa que usamos cotidianamente: na atuação (quando nos passamos por algo que não somos, mas que os outros (ou nós mesmos) gostariam que fossemos, na idealização (quando nos mostramos de forma idealizada, que não corresponde com a realidade), na intelectualização (quando usamos a inteligência para criar argumentos que justifiquem condutas que sabemos não serem condizentes com nossos valores, mas que lá no fundinho desejamos), na racionalização (quando fazemos “caquinha” e usamos argumentos lógicos para explicar o que fizemos, nos isentando da responsabilidade da escolha), por exemplo.

Ao mentir podemos ser “anjo” – mentir para agradar – ou “demo” mentir para poder receber algo em troca.

A mentira está presente em pessoas normais ou pessoas com problemas sérios como Neuroses e Psicoses. Nos estados neuróticos, a mentira surge devido a incapacidade de enfrentarmos desejos recalcados e que se encontram no inconsciente ou por problemas de baixa autoestima

Nos estados limite, chamados Borderline, a mentira revela a falta de barreiras externas que regulem o comportamento do indivíduo. Esta situação decorre geralmente de uma educação feitas por pais muito repressivos ou demasiadamente permissivos. Na Psicose a mentira está presente nos delírios.

O psicótico acredita piamente nos delírios por ele criados para fugir da realidade, do sofrimento que a realidade lhe impõe. O hábito de mentir compulsivamente pode ser também uma patologia conhecida por Mitomania.

Neste caso a mentira é como um vício, o mentiroso é dependente emocional da mentira, ele é incapaz de se controlar, quando vê a mentira já foi contada e para mantê-la mente mais e mais. Esta patologia causa muito sofrimento e a terapia é uma saída para enfrentar o problema.

Dentro de padrões de comportamento não patológicos a mentira pode ser considerada uma falha de caráter, entendendo caráter como “um conjunto de características e traços relativos à maneira de agir e de reagir de um indivíduo ou de um grupo”.

Se seu filho mente descaradamente e esta mentira prejudica a ele ou a outras pessoas você deve ficar atento(a). Mentir para sair com o namorado ou fazer um passeio em um lugar perigoso é diferente de roubar dinheiro da sua carteira. Uma coisa é testar limites, outra é transgredir lesando o outro.

Ao perceber esta situação os pais devem chamar o jovem à realidade, devem passar a acompanhá-lo bem de perto, se fazendo presentes de forma educadora e carinhosa, intervindo e orientando sempre. Mas cuidado com a manipulações e dissimulações, por isso confie, desconfiando! Mentir faz parte da adolescência, caracterizam uma necessidade de distanciamento e diferenciação na busca do encontro consigo mesmo.

Diante das mentirinhas recorrentes, avalie as relações interpessoais que há no seu âmbito familiar. Estabeleça o diálogo, mostrando ao adolescente que a mentira pode trazer consequências negativas, mas cuidado com o monólogo, pratica comum dos pais que dissertam sobre algo com seus filhos.

Observe se o que você ensina está coerente com o que você pratica. Você tem pedido a cumplicidade de seu filho para “pequenas mentirinhas”? Tem valorizado as espertezas de seu filho no hábito de inventar “mentirinhas brandas”? Você é um(a) educador(a) observador(a) ou um(a) intrometido(a), que suspeita e invade a privacidade do adolescente, minando o clima de confiança entre vocês?

Ai, meu Deus… Como identificar uma mentira?

Somos programados para dizer a verdade. Quando mentimos nosso corpo nos delata! Especialistas afirmam que ao mentir emitimos sinais não verbais da mentira que podem ser captados por um interlocutor mais atento.

Os sinais mais comuns em crianças, adolescentes e adultos pode estar no choro sem lágrimas ou que para de repente ao ser atendido, na colocação da mão na boca, no morder ou coçar a região labial, no desvio dos olhos, na dilatação das pupilas, nas pausas longas e frequentes no discurso, marcado por repetir a pergunta antes de responder, no sorriso curto, nervoso e inexpressivo, que some com rapidez, na falta de gesticulação ou nos gestos dissociados das palavras.

Há ainda uma outra faculdade que não deve ser esquecida nunca pelos pais: a intuição.

Ouça a sua sempre. E investigue e dialogue sempre.

Voltando à mãe da revista, ela está certa. Educar é trabalhoso! Requer orientação, limites e verdade. Acima de tudo seja coerente. Como dizem por aí, “palavras movem, exemplos arrastam!”

Choque de gerações: Você acredita nisso?

Recentemente fiz um curso e uma das unidades falava sobre as diferentes gerações que estão convivendo juntas no mercado de trabalho. As gerações Baby Boomers, X, Y e Z. Há também um interessante documentário no youtube (Diferença de valores e culturas entre gerações, reportagem especial da Globo News). Vale a pena assistir e tentar se localizar.

O documentário faz alusão às gerações Baby Boomer, X e Y. Em outras palavras fala sobre as pessoas nascidas na década de 40 a 60, das nascidas no final dos anos 60, início dos anos 70 e daqueles nascidos nos anos 90, mostrando as dificuldades e possibilidades que estas gerações enfretam nas relações profissionais. A geração Z não é citada no documentário, mas a título de curiosidade, é a geração dos nascidos no final dos anos 90, ou seja é geração cem por cento da Era Digital.

Interessante entender como o momento histórico do nascimento determina as atitudes e valores de toda uma geração.

Os Baby Boomers nasceram ao longo do período pós guerra, esta é uma geração que foi educada com valores necessários à reconstrução dos países envolvidos no conflito. Aqui no Brasil vivíamos o período da Ditadura Militar, o lema “Ordem e Progresso” vivido a todo o vapor é o lema desta geração. É uma geração focada na construção de vínculos profundos e duradouros, que valorizava a hieraquia e o esforço para a conquista pessoal.

A geração seguinte, Geração X, viveu as grandes mudanças na cultura de massa. Viu os Beatles, o Festival de Woodstock, o Brasil ser tricampeão mundial de futebol, o fim da Guerra do Vietnã, vivenciou a chegada da tecnologia em nossos lares e aprendeu uma dura lição com o surgimento da aids. É uma galera que vivenciou grandes acontecimentos da história recente da humanidade.

Em passado recente se transformou na geração “Cara Pintada”, que saiu às ruas para exigir o voto direto para presidente do Brasil e que derrubou do poder, pela primeira vez na história deste país, um presidente acusado de corrupção. Uma geração que viveu grandes crises econômicas e que aprendeu a poupar para ter numa eventual necessidade, que valoriza o mérito, que “abomina” a tecnologia e teme a inovação. Vivenciou muitas mudanças e valoriza a estabilidade.

A Geração Y nasceu com a intenet. É uma geração mais imediatista, quer tudo rápido, tudo para agora! Os jovens dessa geração são inovadores e, para nós mais quadradinhos, são tidos como voláteis e desleais, porque não se prendem às pessoas e lugares, são também desapegadas de valores como estabilidade no emprego, apreciando viver desafios. Sem a menor cerimônia abandonam tudo em nome de novas possibilidades. São totalmente digitais. Ao mesmo tempo conversam na internet, assistem televisão, ouvem música, respondem e-mail e ainda conseguem, por frases curtas e diretas, nos contar como foi o dia na escola/trabalho.

As crianças e adolescentes, nascidos a partir dos meados de 90, fazem parte da Geração Z. São muito parecidos com a Geração Y. Não consegue conceber a vida sem que estejam cercados por celulares, jogos eletrônicos e internet. Uma galera que tem pressa para tudo, que é extremamente ansiosa, sendo comum ouvirmos a queixa de que apresentam baixa capacidade de concentração e baixa tolerância à frustração.

Quando assisti ao vídeo e estudei o material do curso, me veio instantaneamente à cabeça os protestos que varreram o Brasil. Num primeiro momento associei as ondas de protestos aos vividos pela minha geração no tempo dos “Caras Pintadas”. Acho que não fui a única. Era comum conversar com meus contemporâneos e ver a empolgação pela situação. Claro, Freud explica, num lance de projeção, fizemos uma regressão e saímos às ruas para protestar.

Hoje me pergunto pelo que exatamente eu protestei nestes dias. Creio que fui porque minhas inscrições emocionais prazerosas do tempo de juventude, quando ao som de “Coração de Estudante”, me senti fazendo parte de um momento histórico, retornaram a toda! Fui reviver as emoções adolescentes. E as gerações mais jovens? O que foram fazer?

Conversando com um professor de Sociologia ele me disse que os protestos tem seu inegável valor histórico, nosso gigante país, há muito deitado em berço esplêndido fez menção de acordar, até acordou, mas como quase tudo que acontece politicamente neste país, fomos manipulados e o gigante voltou a cochilar!

As novas gerações agiram de acordo com sua natureza. Atenderam ao chamamento na rede mundial, aceitaram a inovação e o desafio e foram lá, viver esta farra, esta “have politica”. Poucos foram para protestar por mudanças políticas, a maioria foi porque era uma grande festa, um grande evento do Facebook!

As gerações mais “maduras” foram reviver a glória dos anos 80!

Claro que no meio disso tudo os engajados políticos foram lá realmente protestar!

Observando este episódio de nossa recente história, fiquei a pensar naquilo que tanto ouvia na época em que era adolescente sobre os conflitos das gerações. Todos nós vivemos isto. Minha mãe um dia deixou de ser minha heroína e passou a ser meio que ultrapassada… com certeza minha filha em algum momento da vida pensará (se é que já não pensa!) da mesma forma. Na sua vida isso também acontecerá, se ainda não aconteceu.

Cada geração é dotada da riqueza e da beleza de ser quem é! À geração que antecede fica a tarefa de educar e conter os arroubos próprios dos mais novos, mas fica também a possibilidade de se desarmar a prender com a geração que chega.

Com meus filhos e sobrinhos aprendo todos os dias e ensino todos os dias. Eles me ensinam a não temer o futuro e todas as parafernálias digitais que surgem diariamente. Eu também devo ensinar a cada um alguma coisa. Talvez eu ensine que devemos ser inovadores, sem jamais sermos irresponsáveis, que podemos buscar sempre o melhor, sem que para isso tenhamos que “pisar” nos outros… E você? Tem se permitido aprender com as novas gerações? E o que tem ensinado?.

Sabe, acredito muito nas palavras da música “Como nossos Pais”, docemente cantada pela Elis Regina. Em algum tempo ali no futuro, meus filhos serão uma versão melhorada do meu eu, porque hoje, com certeza e apesar de tudo, ainda sou a mesma e vivo (em muitos aspectos, numa versão melhorada) como minha mãe!

Adolescência, drogas e família

Hoje gostaria de refletir um pouquinho sobre a questão da droga na adolescência. Longe de mim, querer esgotar ou explicar sob apenas um ponto de vista esta questão que assola nossa sociedade. A entrada de alguém neste mundo ocorre por uma multiplicidade de fatores.

Ontem tive uma reunião de trabalho com vários educadores de escolas públicas e, ouvindo os gestores de diferentes escolas, observei que quase 100% dos alunos envolvidos com drogas são vítimas de um desamparo familiar que independe da classe social. Desamparo e drogas se fazem presentes independente da conta bancária dos pais!

Na Psicanálise a adição – ou dependência física ou psíquica – é classificada como uma Neurose Impulsiva.

As Neuroses Impulsivas são aqueles desequilíbrios emocionais cujos sintomas se caracterizam por atos impulsivos, ou seja, por ações prazerosas. O problema é que estas ações não são convencionais e podem prejudicar quem as realiza ou aos outros. São Neuroses Impulsivas: a cleptomania (pegar objetos), a piromania (colocar fogo), os vícios do jogo, dos tóxicos, andar sem destino…

Freud diz que dentro de nós vivem três seres: id, ego e superego. Grosseiramente podemos dizer que o id é nosso polo pulsional, é ele que manda os impulsos para o ego resolver os problemas que surgem diante das insatisfações da vida. Ele é irracional, regido pelo princípio do prazer. É só desejo!

Tudo que gravamos na parte inconsciente do nosso ser é de conhecimento do id. Na parte consciente está o Ego. Ele é a porção do id que foi educada. É regido pelo princípio da realidade. Recebe os impulsos do id, mas só pode atendê-los se o superego deixar! O superego é o juiz, o censor moral que premia, alerta e pune o ego, causando distonias emocionais (angústias, insônias, tristezas sem motivo aparente) e os sintomas neuróticos.

Diante das insatisfações do ego o id manda a ele os impulsos e aqueles proibidos pelo superego são deformados e geram os atos impulsivos com o objetivo de eliminar a tensão interna ameaçadora; são impulsos prazerosos que visam cessar o sofrimento, a dor interna que o indivíduo sente.

A busca pela droga caracteriza uma busca de segurança e apoio, a pessoa passa a depender deste componente para sentir-se alguém, ficando num primeiro momento depende emocional e, posteriormente dependente físico da substância tóxica, a ponto de anular todos os demais interesses da vida.

Os adictos são pessoas para as quais o efeito da droga tem significado específico de provedor de segurança. Não toleram a tensão, não suportam a dor, a frustração, a expectativa. A droga é uma oportunidade de fuga e seu efeito é algo tão gratificante que elimina o sofrimento e a frustração.

Passado o efeito da droga, o sofrimento e a frustração tornam-se ainda mais difíceis de suportar, induzindo novamente o aumento do uso da droga.

O que predispõe um jovem a ser “viciado” ou não é sua estrutura emocional. Jovens criados sem afeto, sem limites, com o mínimo de frustração são presas fáceis do tráfico.

A quem cabe educar o jovem para que ele não desabe diante das tempestades da vida? Nos dias de hoje vemos os pais preocupados em prover seus filhos de bens materiais e se esquecendo de desenvolver valores universais.

Em nome da culpa que desenvolvemos pelo abandono a que sujeitamos nossos filhos, damos a eles tudo que o dinheiro pode (muitas vezes não podemos!) comprar, dizemos “sim” para tudo, temos que ser os “pais amigos” e esquecemos-nos de sermos “pais educadores”, que educam pelos exemplos e pelas palavras.

Afirmamos amar incondicionalmente, mas esquecemos de amar educando. O psiquiatra e educador Içami Tiba afirma que “quem ama, educa”! Eu acredito que educar é muitas vezes dizer não! Quem educa para a vida, corre menos riscos de chorar por um filho “zumbi”, perdido no insano mundo das drogas.

Pensem nisso!

Realmente conhecemos nossos filhos?

No meu “ganha pão” muitas vezes ouço histórias que me fazem refletir sobre minha relação com meus filhos e vezes sem fim faço a mim mesma a pergunta “e se fosse comigo?”.

Nesta semana ouvi o relato de uma Professora Coordenadora, afirmando que em dez anos de carreira, nunca tinha vivido uma situação parecida com a que vivenciara na noite anterior.

Período noturno, alunos de Ensino Médio. Lá estava a Coordenadora no corredor, observando o retorno à aula após o período de intervalo, quando foi abordada por dois alunos, um rapazinho e sua amiga.

Conta ela, sem nenhuma nota de preconceito na voz, que ficou em dúvida se eram duas meninas ou um casal e que a dúvida persistiu até o momento em que perguntou o nome dos alunos. Resposta dada era um casal, um rapazinho e uma mocinha.

A responsável pela abordagem foi a garota. Ela disse à coordenadora que o amigo tinha um problema e precisava de ajuda, mas que estava com vergonha de falar. Então esta profissional solícita, acalmou os ânimos, acolheu o garoto, convidou-o à sua sala e esperou que o mesmo se abrisse com ela.

Passado o mal estar inicial o garoto disse que estava há dois dias com um sangramento anal e que não sabia o que fazer. A Coordenadora mobilizou nela toda empatia necessária ao momento, visto que, não obstante ser hoje comum jovens de 15 anos terem experiências homossexuais abertamente, elas ainda nos assustam, ainda nos causam algum mal estar, talvez porque numa transferência pensemos em todos os preconceitos e perigos a que estes jovens estão sujeitos.

Recobrado o equilíbrio a coordenadora pediu a ele que relatasse o que ocorrera que ocasionara o sangramento. O aluno contou com riqueza de detalhes.

Ele e seu parceiro, uma pessoa mais velha, haviam tido relações anais e depois disso o sangramento começou. Não fora a primeira relação, não fora violenta, Aparentemente nada que justificasse o sangramento. Com o consentimento do aluno, a professora de Biologia, que tem um bom relacionamento com os alunos foi chamada a orientar.

Ao perguntar se eles haviam tomado precauções, como o uso da camisinha, o rapaz respondeu que não, que eles são fiéis um ao outro e que dispensam o uso desta proteção. Ao perguntar se ele tinha certeza que o companheiro era “limpo”, ingenuamente ele disso que sim, que o mesmo toma banho sempre.

Refeita a pergunta quanto a ter certeza que o companheiro não possui nenhuma doença sexualmente transmissível, se já tivera outros parceiros antes dele, o rapaz não soube responder. A Equipe Escolar então encaminhou o menino para o Posto de Saúde com um relatório à Assistente Social.

Diante da gravidade dos fatos, a escola disse ao aluno que precisaria conversar com sua mãe e contar o que estava acontecendo. O aluno aceitou, mesmo porque seria a primeira vez que a mãe ficaria sabendo de sua vida sexual e de sua relação com outro homem.

A mãe atendeu na hora o chamado da escola e ficou muito surpresa com o que ouviu. Ela, apesar de ver que o filho “era um pouco mais delicado que o normal” (palavras da mãe), nunca pensou que ele fosse capaz de fazer as coisas relatadas. A mãe foi orientada a acompanhar de perto a ida ao médico e os resultados do exame.

Não houve gritos, nem choros, nem nenhuma reação emocional desmedida. Talvez, segundo a Coordenadora a mãe até já soubesse, mas não quisesse saber.

Depois desse relato encontrei a Professora Coordenadora e ele me disse que o aluno está se tratando de uma DST – Doença Sexualmente Transmissível e agora faz parte de um grupo de orientação do Posto de Saúde para sexualidade segura.

Fiquei pensando na onipotência da juventude. Esta é uma característica do jovem. Nada de ruim vai acontecer a ele, por isso os jovens se lançam a aventuras onde o bom senso muitas vezes fica esquecido.

Muitas vezes a necessidade de aceitação os faz aceitar as regras do jogo, mesmo que estas coloquem sua vida em risco. Além disso, tem também as idealizações que são aprendidas socialmente, embora seja “cafona” (termo tirado do fundo do baú!) todos nós introjetamos o sonho de viver um grande e idealizado amor!

Depois pensei nesta mãe. Será que algum dia ele olhou de verdade para este filho? Não conheço o rapaz, mas para a Professora Coordenadora ficar em dúvida sobre o sexo dele, é porque os traços físicos são mais femininos que masculinos… Aonde ele vai quando sai à noite? Quem são seus amigos? Onde moram? Como ele volta para casa? Ele tem horário para chegar?

Ser pai é uma tarefa trabalhosa! Encontrar o equilíbrio é algo que devemos exercitar sempre em nós mesmos, para tudo na vida, mas em especial para a tarefa de educar outro ser humano.

Ouvindo esta história parei para pensar: realmente conheço meus filhos? Olho para eles e os vejo como realmente são? Ou apenas vejo o que quero, o que desejo que eles sejam?

E você? Realmente conhece seu filho? Pense nisso.

Educação afetiva, você sabe dar?

Gostaria de conversar sobre um assunto “modernoso” (será?) na educação dos nossos filhos. Vamos falar um pouquinho sobre Educação Afetiva.

Segundo a psicóloga Marilda Lipp, Educação Afetiva “é um conjunto de práticas parentais que objetiva, acima de tudo a valorização do ser humano… (nela) os pais dão liberdade, mas sempre estão presentes para atuar, se for necessário”.

Em outras palavras é a forma como, no cotidiano da vida do adolescente, os pais reconhecem, valorizam e incentivam o florescimento do “lado bom” dos filhos, orientando-os de modo que possam fazer escolhas responsáveis e conscientes e, acima de tudo arcar com os resultados destas escolhas.

Pais que educam os filhos desta forma, não os protegem o tempo todo, não lhes dão tudo que querem, ao contrário, possuem a coragem de dizer “não”; deixam os filhos fazerem escolhas, orientando-os para possíveis consequências, estão vigilantes e alertas para o apoio necessário quando os filhos “erram” e valorização e estímulos quando acertam. Não se projetam nos filhos, não tentam suprir suas lacunas emocionais através da vida deles.

Se observarmos o mundo hoje, veremos que carecemos de educadores que promovam uma Educação Afetiva.

Na luta diária que é educar filhos, percebemos que ceder é geralmente a melhor estratégia, se você, pai/mãe, não quiser ganhar um chapéu pontudo preto, uma vassoura voadora e verrugas no nariz; você é vencido pela incansável capacidade que seu “reizinho mandão” tem de colocar o dedo na sua ferida, indo direto ao point da sua culpa.

Ah, filhos são seres altamente sagazes, observadores, manipuladores e cruéis quando querem algo! E sabem muito bem como conquistar o que desejam… aprenderam isso com quem mesmo?

Diante da culpa, todo e qualquer pai/mãe menos avisado e emocionalmente mais instável cede e o resultado disso vemos aos montes na mídia, nas ruas, nos shoppings.

Filhos de pais permissivos crescem e se tornam adultos ansiosos e com baixa tolerância à frustração, tornam-se depressivos, desenvolvem síndromes mil e são “pessoas metade” (aquelas que precisam receber provisão de segurança e reconhecimento constantemente e usam os outros para isso), altamente infelizes e sofrem e fazem sofrer.

O contrário disso também é um problema! Pais altamente autoritários, com mania de perfeição, geram adultos que têm medo da própria sombra, são inseguros, ansiosos, depressivos, apáticos diante da vida, também desenvolvem síndromes mil, também são “metades”, que sofrem e fazem sofrer.

Como ser um “pai/mãe afetivo(a) e ajudar seu filho adolescente a ser um adulto mais ajustado, mais equilibrado? Esta é uma tarefa trabalhosa, mas possível.

No livro “Adolescentes e seus dilemas”, cuja organização esteve a cargo da psicóloga Marilda Lipp, ela nos dá algumas dicas:

1) Entenda que a adolescência e toda sua montanha russa emocional um dia passarão. Embora hoje seus filhos pareçam rejeitar todos os valores familiares que você tenta lhe ensinar (pelos exemplos, mais que por palavras), passada a crise adolescente, eles serão incorporados e passarão a ser vivenciados;

2) Cuide da sua saúde emocional para não correr o risco de transferir e cobrar de seu adolescente sonhos e atitudes que são suas e não dele. Observe também onde você está descarregando seu stress… Lembre-se, os filhos aprendem pela observação, mais que pela audição;

3) Estabeleça o diálogo, ouvindo o que seu filho adolescente tem a dizer, mesmo que você não concorde. Ajude-o a olhar a situação por diferentes ângulos, dê a ele liberdade de escolha quando for possível. E não tenha medo de dizer não e impor limites quando for necessário. Faça isso sem julgamentos e condenações, estabeleça um juízo de razão, onde você faz um questionamento que promove a reflexão. Trabalhe em você a sua frustração de ser o “desmancha prazeres” e entenda que seu papel é o de educar e proteger, mesmo quando o filho diz não querer;

4) Aja com segurança. Converse com você mesmo e entenda seus motivos. Converse com seu filho e construa acordos e regras com a participação dele. E uma vez fechados os acordos, mantenha-os, independente das “alfinetadas” que você receberá na hora que precisar dizer “não”.

5) Proteja seu filho e, embora pareça polêmico e invasivo, é sua função com o protetor e educador, supervisionar o uso da internet. Temos sido testemunhas do que este mundo maravilhoso e ao mesmo tempo cruel pode fazer com os desavisados. Prevenir os comportamentos é melhor que puní-los!

6) Esteja inteiro no diálogo. Ouça com atenção, com respeito e cordialidade. Não julgue, não ofenda, não menospreze, não critique. Apresente argumentos que façam seu filho adolescente pensar nas questões sob outra ótica. Dê abertura, mesmo quando o ponto de vista dele o chocar, algumas vezes é só para testar você;

7) Pratique as Terapias do Abraço e do Elogio. Não custam nada e agradam muuuuito!;

8) Incentive seu filho adolescente a praticar esportes ou a ter outras atividades que o integrem a outros jovens. Mas não o force, respeite as escolhas dele.

9) Conheça quem são os amigos de seu filho adolescente e se não tiverem valores morais iguais aos de sua família, ajude-o a repensar essa amizade;

10) Mostre a seu filho adolescente o quanto a opinião dele é importante nas decisões familiares, isso fortalecerá o vínculo familiar e o fará sentir-se respeitado e integrado.

Em resumo, procure agir de acordo com a máxima cristã que nos ensina a tratar o outro como gostaríamos de ser tratados. Amor, atenção, proteção e respeito são quesitos fundamentais numa Educação Afetiva. Não custam caro, só dependem do seu querer.

Exercite isso! Seu filho e o mundo agradecerão, tenha certeza.

Adolescência

A adolescência é um período de transição da vida infantil para a fase adulta. Trata-se de um momento crítico do desenvolvimento, no qual – além das mudanças físicas definitivas – o indivíduo vai construir novos valores e vivenciar experiências afetivas e sociais que necessitam outros e recém adquiridos recursos psíquicos. A formação de uma identidade adulta e o enfrentamento de conflitos gerados pela perda da infância e o ingresso em uma nova etapa são aspectos centrais dessa fase. Também para os pais o momento é crucial. Reconhecer que os filhos cresceram e estão prontos (ou quase prontos) para seguir adiante não é um processo fácil. Sobre o tema, vale ler o ótimo artigo do psicanalista e membro da SBPSP, David Levisky.

Adolescência

Por David Levisky*

A adolescência é um fenômeno universal, presente desde o surgimento do homem simbólico. Trata-se de um período crítico do desenvolvimento humano por ocasião da passagem da vida infantil para a vida adulta. Ela decorre das transformações hormonais revolucionárias responsáveis pelo crescimento e manifestações da sexualidade adulta com o inicio da puberdade, que gera mudanças primárias e secundárias da sexualidade. As primárias, com o surgimento da menstruação – fruto da capacidade de ovulação e seu ciclo na menina e da ejaculação com a produção de espermatozoides no menino. As secundárias se caracterizam pela distribuição dos pelos, gorduras, seios, pênis, mudanças de voz, peso e estatura.

O fenômeno central da adolescência é a busca da identidade adulta. Nesse processo de transição há uma crise oriunda de conflitos gerados pelas perdas da vida infantil, do corpo infantil e dos pais da infância até a aquisição de novos objetos de amor, de múltiplas experiências afetivas, intelectuais e sociais. Renovação de valores, de ideais de si, da autoestima e de recursos para lidar com as realidades internas e externas e maior tolerância às frustrações fazem parte desse porvir. Vivem ambivalências e contradições e tentam integrá-las em um sentimento de si, para serem capazes de conter indecisões, dúvidas, incertezas que requerem tempo e experiência de vida na busca de maior autonomia.

Eles atravessam fases depressivas, impulsivas, explosivas, passivas, hiperativas, momentos de onipotência, de negação da realidade, de inconsequência e baixo teor de responsabilidade até que uma sucessão de experiências exitosas e negativas contribuem para a construção de recursos psíquicos para desenvolver uma percepção mais clara de suas possibilidades e limites. A configuração de uma boa autoestima é fator fundamental na elaboração e evolução da personalidade e da identidade. Necessitam incorporar em seu eu aspectos masculinos e femininos da personalidade; tarefa complexa que depende de fatores intrínsecos dos jovens e de suas relações com os pais e sociedade durante a vida.

O tempo de duração e término da adolescência dependem de fatores múltiplos e implicam requisitos impostos pela sociedade para considerar um indivíduo como adulto. Nas culturas indígenas, por exemplo, era necessário – uma vez atingida a maturidade reprodutora –, ser capaz de enfrentar os ritos de passagem que definiriam as condições de ser adulto para aquela sociedade e cultura como: saber caçar, pescar, cultivar, cozinhar, lutar, defender sua família e território.

Nas sociedades contemporâneas os ritos de passagem estão diluídos entre os múltiplos recursos a serem desenvolvidos para fazer parte da vida adulta. Não é suficiente alcançar a capacidade reprodutora e ter uma profissão. É necessário aprender a dirigir carro ou moto, passar no vestibular, aprender línguas, fazer mestrado e, se possível doutorado e pós-doc. Tudo isso faz com que o período de transição se alargue, podendo chegar tardiamente. Alguns atingirão a plena maturidade somente após os 35 anos, constituindo o que alguns autores chamam de “geração canguru”. São jovens que não querem e não precisam abandonar a casa dos pais para terem uma vida afetiva, social, profissional autônomas. Vivem uma independência relativa às suas conveniências. Conservam os privilégios da vida adolescente e querem usufruir das vantagens da vida adulta. O alargamento do tempo de vida dos pais tende a criar condições facilitadoras para a permanência dos filhos em casa. Pais e filhos podem formar um conluio inconsciente que protela a entrada dos filhos na plenitude da vida adulta.

Pode-se afirmar que o término da adolescência é variável e dependente de fatores psicológicos, sociais, econômicos, culturais, religiosos, políticos e históricos de cada sociedade dentro de sua cultura.

A adolescência é um período de transição sempre turbulento – crise da adolescência – tanto para os jovens quanto para as famílias. A turbulência dos jovens advém não só das transformações orgânicas, mas, também, dos processos de mudanças psicológicos, sociais, econômicos, políticos, religiosos e históricos que interferem na constituição do aparelho psíquico, da vida afetiva e social.

Ao se desvencilharem do corpo infantil, dos pais da infância e do seu próprio modo de funcionamento enquanto crianças necessitam assimilar novas experiências afetivas com a descoberta de novos objetos de gratificação amorosa e sexual, definição da identidade sexual, capacidades intelectuais e da vida em geral. Processos que os capacitam a lidar com recursos criativos para lidar com incertezas, dúvidas, frustrações e decisões ao enfrentarem novos desafios.

Durante essa fase de transição, há um enfraquecimento do ego, isto é, das funções que administram as relação do jovem com ele mesmo e com a vida exterior. Neste período o jovem se torna vulnerável à emergência de quadros comportamentais que lembram desvios (patologias), visto que ficam impulsivos, prepotentes, tendem a negar a realidade, não medem adequadamente as consequências de seus atos e são, por natureza, instáveis, insaciáveis e pouco responsáveis. A intensidade desses fenômenos se agrava quanto mais complexo e sofrido tiverem sido os primeiros anos de vida.

Com o enfraquecimento do ego – das capacidades de administrar os vários elementos psíquicos que o compõe – há uma tendência a que tais conflitos do passado interfiram na organização dos sentimentos, na forma de ser, sentir, pensar e agir. A adolescência é considerada como um segundo nascimento – uma oportunidade para reconfigurar e reordenar valores, formas de lidar com as angústias, projetos e recursos para alcançar formas de realização. A primeira oportunidade para o desenvolvimento adequado da atividade psíquica começa no início da vida e até antes mesmo da criança nascer, no imaginário dos pais.

Na adolescência, o jovem tem condições para adquirir novos valores e desenvolver a capacidade de ser continente de seus afetos, sonhos, desejos, fantasias, frustrações e realizações. São também capazes de reparar, refazer erros cometidos e escolhas inadequadas de caminhos. Para isso é fundamental que sua autoestima seja preservada e revitalizada. Sua inserção social é significativamente diferente quando eles se sentem úteis, valorizados e participativos da vida social.

Há aspectos na adolescência que se modificam tão rapidamente como a moda e o linguajar. Outros, se modificam lentamente como valores, ideais, filosofias de vida, modos de lidar com o sofrimento psíquico e formas de se defender ou de enfrentar situações. Há, ainda, mudanças tão lentas que parecem imutáveis, mas que se transformam no longuíssimo tempo como a elaboração do Édipo. A metabolização das relações triangulares entre filhos, (mãe) funções maternas e (pai) funções paternas tendem a ser muito lentas.

As famílias também passam por um grau de transtorno diante das necessidades de se desvencilharem do filho da infância até que possam reconhecer o desenvolvimento do filho(a) e incorporar que ele(a) não necessita mais dos cuidados dos pais da infância.

A delinquência na adolescência é reflexo de falhas precoces nas relações afetivas do início da vida e que emergem nos comportamentos inconscientes durante a crise da adolescência.

Uma sociedade na qual a desfaçatez e a corrupção são normas de convivência, elas servem de modelo de identificação para jovens em plena reestruturação de sua personalidade. A delinquência pode ser um grito de alerta para aqueles que a escutam como “eu existo, eu quero ser considerado, alguém me tirou esse direito e condição”. Nestes jovens a ferida da autoestima vem de longa data e se transforma em um modo de ser no mundo. Surge uma dose de esperança quando medidas psicosocioeducativas são tomadas com vistas à reinserção psicossocial.

Quando se vive num país carente de pai e mãe simbólicos, onde os elementos internos e externos reguladores da vida social são fracos ou ausentes, autoriza-se as várias formas de violência.

A democracia interna e social dependem da eterna vigilância. Entenda-se, da eterna consciência necessária e desejável para se alcançar o equilíbrio entre os elementos construtivos e destrutivos que estão sempre presentes em todos nós. É na adolescência que se pode ter vivências que facilitam o aprender com as experiências no intuito de simbolizar, sublimar e de modular os impulsos para a inserção no convívio psicossocial.

Onde há um adolescente é necessário que haja um adulto (pai, mãe, professor, tio, padrinho, amigo) mais experiente que o confronte no sentido de refletir e ponderar sobre seus atos impulsivos. É da existência do conflito que o jovem desenvolverá pontos internos de referência para analisar e modular suas ações e valores. O adolescente contribui para o desenvolvimento dos pais e da sociedade adulta por ser a parte mais ativa e renovadora da sociedade. Crescemos com as confrontações dos jovens que nos fazem ver e pensar diferentemente do que estamos acostumados ao introduzirem novas formas de ser, sentir, pensar e agir. Simetrias e assimetrias nas relações, limites entre público e privado, noções de liberdade versus responsabilidades estão presentes e colocam os jovens em confronto consigo mesmos, com seus pais e a sociedade da qual fazem parte. São energias que mobilizam e dão sentido ao viver criativo.

* David Levisky é psicanalista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e tem especialização nas áreas da Infância e da Adolescência. É PhD em História Social (USP).

Adolescência e Mentira: histórias de pescador ou falta de caráter?

adolescente-mentira-1377028744996_300x420Esta semana estava aguardando (infinitamente!) para ser atendida numa consulta e  matava o tempo folheando uma revista feminina quando deparei-me com uma mãe que pedia socorro a um especialista, relatando que tem uma filha pré-adolescente que mente demais, segundo a mãe, a garota é compulsiva, mente por qualquer coisa. A mãe relatava já ter passado por vários estágios da raiva à piedade, mas a situação só se agravava. Foi dura, bateu, gelou, castigou, privou de tudo que é prazeroso, fez chantagem emocional, elogiou, premiou e… nada, a menina continua mentindo, e mesmo quando é “desmascarada”, age como se tivesse sendo vítima da maior injustiça do mundo, dizendo que faz o que faz para ajudar os outros, para não magoar ninguém e que sofre com as atitudes injustas dos pais ou age como se nada tivesse acontecido, embora fique num monólogo apontando justificativas e injustiças. Num determinado momento da queixa a mãe diz que a compara com o irmão  mais novo que não mente. Os pais estão com medo dela se tornar uma criança de má índole, estão arrasados, não encontram uma solução,não sabem o que fazer. A mãe reforça que a filha é maravilhosa e o que a estraga é a mania de mentir. Sente que a filha precisa de ajuda, conta que a garota é muito fechada e que por mais que tente, esta não se abre com ela. Termina afirmando que cuidar de filhos não é fácil!

Coincidentemente (Jung não acredita em coincidências, mas sim em sincronicidade, tipo Lei da Atração!) no mesmo dia uma colega me falou sobre o mesmo problema com o filho e sugeriu que eu escrevesse algo sobre o assunto. Bem, vou tentar!

Muitas são as questões que a mãe da revista traz. Podíamos fazer a psicanálise selvagem analisando uma série de coisas, mas vamos nos ater à questão da mentira na adolescência.

Aprendemos desde pequenos que mentir é errado.  Informação dada não significa valor introjetado.  Deste modo ouvir que mentir é errado e não mentir de modo algum ao longo da vida são ações distintas. Não é porque ouvimos que fazemos.

Para muitos pais perceber que o filho mente compulsivamente pode despertar um sentimento de ter fracassado na educação de valores que a família tentou passar para ele. Nem sempre isso é uma verdade. Nem tampouco é sempre mentira! Há casos e casos e cada um é um!

Nos educamos pelos exemplos, nossos valores são construídos com base nos valores e atitudes de nossa família e nos da sociedade em que vivemos.

A mentira está presente em nossas vidas. Muitas vezes a achamos “necessária”, logo perdoada, muitas vezes a condenamos, logo reprimimos.

Na sociedade moderna a mentira é tão frequente que já se banalizou. Encontramos mentirinhas e mentimos muitas vezes ao dia, em diferentes situações sociais. Fazemos um elogio mentiroso, damos desculpas esfarrapadas ou mentimos descaradamente por mil razões: medo das consequências negativas, insegurança, pressão social, ganhos ou patologicamente.

Quando crianças, mentimos para não sermos punidos.  Na infância, até os cinco, seis anos a criança não consegue distinguir claramente a realidade da fantasia, a partir dos sete anos aproximadamente, ela já sabe o que é mentira e a usa em “beneficio próprio”.

Na adolescência mentimos para sermos aceitos e amados, para atender ao desejo de fazer o que queremos e a realidade de atender ao que esperam de nós. Mentir é estratégia comum entre os adolescentes para conseguir fazer coisas que sabem que não serão aprovadas pelos pais.

Crianças/adolescentes com superego rígido (censura) podem se tornar mentirosos compulsivos ao descobrirem que a mentira sacia a curiosidade dos pais ou os ajuda a serem aceitos e valorizados pelas pessoas, em especial por outras crianças/adolescentes

Na vida adulta mentir é uma forma de se preservar, de não ter que assumir responsabilidades por algo que não deu certo. Está presente em muitos mecanismos de defesa que usamos cotidianamente: na atuação (quando nos passamos por algo que não somos, mas que os outros (ou nós mesmos) gostariam que fossemos, na idealização (quando nos mostramos de forma idealizada, que não corresponde com a realidade), na intelectualização (quando usamos a inteligência para criar argumentos que justifiquem condutas que sabemos não serem condizentes com nossos valores, mas que lá no fundinho desejamos), na racionalização (quando fazemos “caquinha” e usamos argumentos lógicos para explicar o que fizemos, nos isentando da responsabilidade da escolha), por exemplo.Ao mentir podemos ser “anjo” – mentir para agradar  – ou “demo” mentir para poder receber algo em troca.

A mentira está presente em pessoas normais ou pessoas com problemas sérios como Neuroses e Psicoses. Nos estados neuróticos, a mentira surge devido a incapacidade de  enfrentarmos  desejos recalcados e que se encontram no  inconsciente ou por problemas de baixa autoestima Nos estados limite, chamados Borderline,  a mentira revela a  falta de barreiras externas que regulem o comportamento do indivíduo. Esta situação decorre geralmente de uma educação feitas por pais muito repressivos ou demasiadamente permissivos. Na Psicose a mentira está presente nos delírios. O psicótico acredita piamente nos delírios por ele criados para fugir da realidade, do sofrimento que a realidade lhe impõe. O hábito de mentir compulsivamente pode ser também uma patologia conhecida por Mitomania. Neste caso a mentira é como um vício, o mentiroso é dependente emocional da mentira, ele é incapaz de se controlar, quando vê a mentira já foi contada e para mantê-la mente mais e mais. Esta patologia causa muito sofrimento e a terapia é uma saída para enfrentar o problema.

Dentro de padrões de comportamento não patológicos a mentira pode ser considerada uma falha de caráter, entendendo  caráter como um conjunto de características e traços relativos à maneira de agir e de reagir de um indivíduo ou de um grupo”.

Se seu filho mente descaradamente e esta mentira prejudica a ele ou a outras pessoas você deve ficar atento(a). Mentir para sair com o namorado ou fazer um passeio em um lugar perigoso é diferente de roubar dinheiro da sua carteira. Uma coisa é testar limites, outra é transgredir lesando o outro. Ao perceber esta situação os pais devem chamar o jovem à realidade, devem passar a acompanhá-lo bem de perto, se fazendo presentes de forma educadora e carinhosa, intervindo e orientando sempre. Mas cuidado com a manipulações e dissimulações, por isso confie, desconfiando! Mentir faz parte da adolescência, caracterizam uma necessidade de distanciamento e diferenciação na busca do encontro consigo mesmo.

Diante das mentirinhas recorrentes, avalie as relações interpessoais que há no seu âmbito familiar. Estabeleça o diálogo, mostrando ao adolescente que a mentira pode trazer consequências negativas, mas cuidado com o monólogo, pratica comum dos pais que dissertam sobre algo com seus filhos. Observe se o que você ensina está coerente com o que você pratica. Você tem pedido a cumplicidade de seu filho para “pequenas mentirinhas”? Tem valorizado as espertezas de seu filho no hábito de inventar “mentirinhas brandas”? Você é um(a) educador(a) observador(a) ou um(a) intrometido(a), que suspeita e invade a privacidade do adolescente, minando o clima de confiança entre vocês?

Ai, meu Deus… Como identificar uma mentira?

Somos programados para dizer a verdade. Quando mentimos nosso corpo nos delata! Especialistas afirmam que ao mentir emitimos sinais não verbais da mentira que podem ser captados por um interlocutor mais atento. Os sinais mais comuns em crianças, adolescentes e adultos pode estar no choro sem lágrimas ou que para de repente ao ser atendido, na colocação da mão na boca, no morder ou coçar a região labial, no desvio dos olhos, na dilatação das pupilas, nas pausas longas e frequentes no discurso, marcado por repetir a pergunta antes de responder, no sorriso curto, nervoso e inexpressivo, que some com rapidez, na falta de gesticulação ou nos gestos dissociados das palavras.

Há ainda uma outra faculdade que não deve ser esquecida nunca pelos pais: a intuição.

Ouça a sua sempre. E investigue e dialogue sempre.

Voltando à mãe da revista, ela está certa. Educar é trabalhoso! Requer orientação, limites e verdade. Acima de tudo seja coerente. Como dizem por aí, “palavras movem, exemplos arrastam”!

INFORMAÇÃO OU CONHECIMENTO? A SEXUALIDADE ADOLESCENTE NA ERA DA INFORMAÇÃO

Pesquisando sobre o que escrever nesta semana, deparei-me com uma página na internet onde os jovens fazem perguntas abertas sobre qualquer assunto. A página que mais me chamou atenção foi a que continha perguntas relacionadas ao sexo. Eram mais de 180 páginas e cada uma tinha 20 questões!

Fiquei a pensar: nunca nossa sociedade teve tanta facilidade na busca de informação sobre qualquer assunto, mas percebo que na contramão dessa busca fácil está a dificuldade das pessoas terem conhecimento sobre o que buscam.

A quantidade de questionamentos deixa clara que os jovens, embora tenham a informação à mão, muitas vezes não conseguem transformá-la em conhecimento. Falha a família, falha a escola… falham as instituições.

Dos muitos questionamentos selecionei um, que me chamou atenção pela segurança aparente e pelo “grito de socorro” implícito.

O rapaz contava que havia feito sexo com a namorada no dia do questionamento. Tinha certeza que tudo estava bem, mas uma pulguinha atormentava sua tranquilidade. Vamos ao questionamento:

“Fiz sexo com minha namorada duas vezes. Na primeira, o esperma estava todo no reservatório, a camisinha não furou nem nada. Na segunda, ela teve o orgasmo, e a gente continuou normalmente pra eu ter também, só que a camisinha tava muito seca e tava doendo para ambos, então eu tirei e minha namorada fez sexo oral pra eu terminar. Depois mais tarde a gente ficou se esfregando, eu fiquei colocando a cabeça do pênis na calcinha, esfregando. Tenho praticamente certeza que não entrou nem um pouco, mas nessas esfregadas eu devo ter passado um pouco do pênis na entrada da vagina dela e etc (mas isso foi tipo um tempão depois das duas transas). Gente, eu tô com 99% tranquilo que não deu nada, mas mesmo assim queria confirmações e suas opiniões para ficar mais tranquilo. Ela estava fértil quando transamos e fizemos tudo que eu descrevi, mas como disse, foi tudo mais que de boa. Só confirmem pra mim: não há praticamente nenhum risco de gravidez, né? Praticamente nulo…?”

Preocupei-me mais quando vi a resposta dos outros jovens. A maioria afirmava que era impossível a garota estar grávida, só se fosse de outro!

Não sou médica, nem da área médica… mas na vida  conheci algumas garotas que engravidaram exatamente assim.

Independente da questão Médica, o que me chamou a atenção é o despreparo da moçada para viver sua sexualidade de forma segura.

O que observo, sem a intenção de generalizar, é que educação sexual dos nossos jovens, embora tenhamos tantos pais também jovens e aparentemente liberais, ainda é cercada de tabus e segredos.

Precisamos rever isso com urgência. Sexo é algo natural e deve ser vivido com plenitude, com segurança, com afetividade.

Quando falo em afetividade, não quero falar de sentimento de afeto, mas de um conceito mais amplo que na Psicanálise significa ver o outro com os olhos da alma, com a plenitude dos sentidos, estando inteiro naquele momento e naquela relação, cuidando, respeitando e se doando ao outro, na intensidade  e na igualdade que queremos receber.

Pais, precisamos melhorar o diálogo com nossos filhos. Precisamos entendê-los como seres biológicos, que possuem desejos, inicialmente mais físicos do que emocionais, mas nem por isso vamos deixar de educá-los emocionalmente.

Sim, emoção se educa! E isso se faz com bons exemplos, com diálogo aberto, com proximidade e afetividade em seu sentindo mais amplo.

Se continuarmos fingindo que nossos jovens filhos são assexuados, correremos o risco de vê-los correndo sérios riscos… físicos e emocionais!

Pensem nisso. Se você tem reservas em conversar com seu filho sobre sexo, busque entender o que acontece com você… porquê o medo, a vergonha e a resistência? Tente entender suas emoções e o que as motiva. Tente também se lembrar de seus sentimentos quando começou a viver sua sexualidade. E se preciso for, busque ajuda para superar seus conflitos e ajudar seu filho a viver com segurança mais esta fase do desenvolvimento humano! Com certeza eles não dirão… mas no fundo, agradecerão.

Carnaval e Rolezinho… que país é esse?

roleEstamos a poucos dias de uma das festas mais populares do nosso país. O Carnaval é um evento nacional. Multidões se espremendo, pulando, dançando… se divertindo. Liberando o Superego numa boa, afinal “Carnaval é hoje só “ e para ser “feliz e se dar bem” tudo pode!

Tanto brilho, tanta alegria, tanta liberdade… Quanta gente espremida no mesmo espaço.

Gente espremida, cantando, pulando, se divertindo? Carnaval ou Rolezinho?

Hoje, aproveitando os festejos carnavalescos quero falar um pouquinho dessa situação que assombrou os grandes shoppings paulistas recentemente. Em dezembro de 2013 jovens da periferia de São Paulo invadiram o Shopping Metrô Itaquera e o Shopping Guarulhos, causando medo e uma grande confusão. Lojistas se apavoraram, seguranças se atrapalharam e a repressão comeu solta! Não deu outra, o fenômeno se espalhou com a ajuda da internet e virou um pandemônio que fez até a presidente do país entrar em ação.

Tempos modernos!

Os rolezinhos são o resultado de uma “justiça social injusta”, que faz com que os jovens, tão incentivados ao consumo, queiram também um lugar ao sol!

Certo, os convites que bombaram no facebook foram um convite ao pânico das autoridades e dos preconceituosos do país. Após o susto do primeiro rolezinho,foi possível ver páginas e mais páginas do “face” com dizeres rebeldes que convidavam outros jovens a “subir a escada rolante que desce”, “apertar todos os botões do elevador”, “entrar no cinema pela porta de saída”, fazer “guerra de comida”!

Ir ao shopping e “meter bronca” era o passeio ideal e traduzia a insatisfação dos adolescentes da periferia paulista com a falta de uma política de cultura e lazer de qualidade nos bairros focada nesta faixa etária.

Como sempre São Paulo foi a “locomotiva da história”, mas muito provavelmente não foi, nem é a única unidade federativa a ter este tipo de problema. Se puxarmos mais pela memória, lembraremos de episódios como os arrastões nas praias carioca em anos passados.

Muito bem, somos pela ordem e progresso… não queremos a instauração da desordem! Mas… quando lembro do mundo e de alguns movimentos que marcaram a história da humanidade, vejo que eles, guardadas as devidas transformações sociais e tecnológicas, tiveram a atuação maciça de adolescentes! Muitos dos quais hoje condenam e reprimem os rolezinhos.

Que é isso minha gente? Eu tenho um nome para isso: hipocrisia!

Somos uma sociedade hipócrita que anuncia que o Brasil é o país do futuro (ou já foi), mas que quer que os jovens estranhos da perifeira – como se só adolescentes pobres fossem “estranhos”, como se só jovens da periferia participassem deste fenômeno, como se a capacidade de fazer algo impensado fosse só de jovens advindos das camadas populares – permaneçam longe dos nossos olhos e não invadam “nossa”praia… “nosso” shopping,  nossas vidas!

Como mãe e como adulta também condeno a anarquia e a necessidade de impor medo ao se organizarem para a ida em bandos aos shoppings, mas como ser humano, entendo perfeitamente, porque nos idos anos de adolescência, também já busquei um bando e fiz  besteiras apoiadas por ele! Também já quis ter meu lugar ao sol para poder consumir tudo aquilo que as jovens de famílias mais abastadas tinham! Eu também achava que era tendo que eu seria… vista, amada, reconhecida!

Na minha memória seletiva, tudo que eu fiz de errado não foi errado (será?),  lutei com as armas que minha geração tinha e no meu entendimento não fui desordeira, não estraguei nada e…Meu Deus! Quanto cresci fazendo besteirinhas! Me senti a “mais mais”! Mas se perguntassem aos adultos desta época se o que fazíamos era certo, com certeza eles diriam que era uma verdadeira baderna!

Como foi bom para a minha autoestima oscilante “badernar”, quebrar limites, estabelecer novos limites, ser apoiada por um grupo tão infantil e “perdido” quanto eu! Todas as besteiras que minha mãe jamais poderia saber que eu fazia me ajudaram a ser a pessoa que sou hoje, para o bem e para o mal! Transgredir era o máximo! A gente se sentia grande! E isso nos fez crescer, aprender, escolher.

Ouvindo depoimentos de alguns destes jovens, não vejo muita diferença na motivação que existe entre eles e a que existia em minha geração… e se dermos uma busca no passado, nas grandes “rebeliões da juventude”, que marcaram uma época, veremos que ainda somos os mesmos e buscamos a mesma coisa: todo jovem (todo ser humano!) que ser alguém, quer se amado, valorizado, aceito e testa seus limites para crescer, muitas vezes com dor.

Alguns dirão, mas hoje são mais violentos! Será? Pelo que me lembro na minha juventude também existia violência, talvez com uma divulgação menor.

Portanto, atire a primeira pedra aquele que nunca se juntou a outros iguais para exercitar o poder de ser alguém em construção fazendo “besteira”.

Embora a cultura e a sociedade possam dizer que não… na minha cabecinha, Carnaval bem poderia ser chamado de rolezinho… porém regado a muuuuiiiita luxúria e com a permissão da nossa censura!

Me contem… nestas circunstâncias não liberamos o jovem reacionário que um dia fomos?

Nada errado nessa situação. O que precisamos é parar de dar aos jovens falsas lições de morais. Educação se faz com palavras, mas se constrói com exemplos!

Pense nisso e ótimo feriado para você!