Certas palavras machucam mais do que um tapa na cara

Talvez nunca consigamos nos conter nos momentos de raiva, calando-nos para não magoar com ofensas agressivas que machucam no fundo da alma. Por mais que tentemos, jamais conseguiremos verbalizar racionalmente o que sentimos nos momentos em que temos tudo dentro de nós, menos alguma coisa boa. Porque raiva verbalizada muitas vezes fere mais do que a violência física.


Talvez porque engulamos demais e por muito tempo o que sentimos, porque não temos coragem de expor nossos pensamentos na hora adequada, ou porque temos dificuldade de dizer não, por medo de desagradar, acabamos acumulando um monte de contrariedade aqui dentro. Então, quando somos dominados pela raiva, isso tudo acaba saindo de forma distorcida, visto que carregado de rancor demorado.

Muitos dizem que é nessas horas que conseguimos ser verdadeiros e dizer o que temos e o que somos realmente. No entanto, mesmo que exista alguma sinceridade nas ofensas, é de se duvidar que possamos ser tão frios a ponto de magoar quem quer que seja, de forma agressiva, só para desabafar.


Todo mundo tem o direito de falar o que pensa, mas o respeito não poderá se afastar disso tudo, ou se quebram laços afetivos, muitas vezes de forma imperdoável.

Geralmente, quem esbraveja e vocifera violência verbal nos momentos de destempero acaba até nem se lembrando direito do que disse, embaralhado que estava sob o calor do momento. Porém, quem ouve, quem é atingido, quem é agredido jamais se esquecerá do que veio ao seu encontro, machucando fundo seus sentimentos. Sempre ficará no ar aquela dúvida quanto à veracidade das palavras ouvidas.

É preciso exercitar a fuga aos momentos de raiva, tentando ficar sozinho, calado e distante nesses momentos, para não ferir ou ferir-se. Caso já se tenha falado mais do que deveria, de forma violenta e dolorida, nunca será demais o pedido de desculpas, se sincero, verdadeiro. Vale muito, também, tentarmos nos colocar no lugar do outro, entendendo o que ele sentiu ouvindo o que dissemos.


Sim, a sinceridade é uma característica positiva, que pode nos salvar e nos libertar, desde que não tenhamos que ferir ninguém com ela, desde que ela seja parte integrante de nossa vida e não uma válvula de escape que é acionada somente quando estamos de saco cheio. Porque ninguém permanece igual após o confronto com o pior de si e do outro – e todos podemos perder, e muito, por isso.

Exposição demais para pouco sentimento…

Existem coisas que nunca vou entender. Uma delas são esses relacionamentos em redes sociais que tentam provar, a qualquer custo, que são mais felizes que qualquer casal de filme romântico da sessão da tarde.

Esses que possuem mil curtidas nas fotos, mas que não tem dez minutos de conversas sem brigas.

Desses relacionamentos que a sociedade julga perfeito, mas que a aparência é mais importante que o sentimento. Não há conversas, nem abraços, nem nada….mas fotos…ah, há!

A pergunta é: para quê? Até que ponto alguém é capaz de sacrificar a própria felicidade para parecer feliz para pessoas que nem conhece?


Não conheço um relacionamento que tenha dado certo, exposto em rede social e o motivo não é dificil de entender: todo sentimento nobre deve ser guardado como uma jóia, não precisa ser exposto, mas precisa ser cuidado e o amor é assim. Não há necessidade de exposição.

Invista o tempo construindo sua história em vez de tentar reescrever um conto de fadas. Os livros já estão cheios deles, não precisam de mais um.

A verdade é que quem, realmente, é feliz não tem tempo para postar fotos de meia em meia hora, tão pouco mostrar fotos de jantares apaixonados ou viagens internacionais.

Quem ama de verdade vive o sentimento. Pouco importa o lugar, a distância ou as fotos. A prioridade é dada à pessoa amada e não à plateia.

O medo das pessoas em ficarem sozinhas faz com permaneçam em relacionamentos vazios, sem que percebam que estão “sozinhos acompanhados”, há muito tempo, e nem se deram conta disso.

Não permita que o tempo passe e você perceba, no auge da maturidade, que foi covarde suficiente para deixar de viver o verdadeiro. Permita-se viver o “sem” por um tempo, para viver o “com quem ” para a vida toda.

Organização é um meio, e não o fim

Depois de algum tempo refletindo um pouco sobre tudo, depois que terminei de escrever meu livro onde conto como a faxina e a organização me tiraram da morte e me trouxeram à vida, entrei em um processo muito profundo de reflexão que me consumiu muita energia.

Mas porquê se a vida é tão boa e o essencial é tão simples?

Acredito que minha missão na mídia não seja mais levar soluções para a casa das pessoas, ainda que isso me faça muito feliz e continuarei compartilhando os tesouros escondidos.

A organização é libertadora. Ela cura, salva, facilita, mas ela pode ser traiçoeira também. É isso mesmo! Ela pode escravizar, deprimir e frustrar.


Depois de 15 anos organizando lares, aprendi que nada nessa vida é estático. A organização traz mais liberdade sim e isso é inegável, aumenta a qualidade do tempo sim, traz mais saúde sim, traz autoconhecimento sim! Mas ela não é fundamental, porque a organização é um meio, e não o fim.

Muitas vezes a gente se confunde: vou me organizar e agora vou sentar e esperar os benefícios, e isso é um engano, uma mentira. As fatalidades da vida acontecem, doenças, desequilíbrios financeiros, perdas, ganhos, enfim, as surpresas da vida. Isso desorganiza tudo o que tão meticulosamente organizamos, desestrutura tudo.

Vou te contar um segredo… Depois de anos organizando casas, ensinando e vivendo, posso te dizer que não existem 10 passos, nem 15 nem 50 passos para se organizar. Existe sim o viver cada dia!

Fazer agora o que tenho energia e entusiasmo para fazer, porque não sei se amanhã terei um pilar da casa internado com uma doença ou precisarei ser esse pilar. Não sei se ficarei grávida, não sei se perderei alguém da família… do futuro, nada sabemos! Sei de agora, sei também que posso fazer do agora um momento muito agradável para o futuro, porém sem esperar nada dele.


A organização é um meio de ser feliz sim, é uma saída sim, mas não a forma fundamental e eu não invisto mais todas as minhas fichas nela. Sabe porquê?

A vida passou rápido demais e eu perdi tempo demais limpando janelas que ainda permanecem sujas.

Eu não acreditava que nossa cabeça mudava depois dos 40 e tomei na tarraqueta. Me enganei.


Muda e muito! Agora, por exemplo, estou vendo bolacha do Leo em cima do sofá toda demolida. Vou limpar sim, mas depois que eu escrever esse texto, depois que eu tomar um suco que me espera e depois que eu tomar um banho bem demorado. Aí sim vou limpar a sujeira! Porque se o fim chegar, vai me encontrar com o estômago cheio e cheirosa e o meu pequeno sabendo que o ato dele foi somente um descuido, mas não foi motivo de desentendimento e nem de intolerância.

E isso tem valido a pena na minha vida. A organização vai continuar sendo minha chave mestra, mas ela no lugar dela e eu no meu. Porque tudo anda correndo demais e estamos perdendo a chance de olhar pela janelas e ver a beleza da paisagem.

PARE DE ESTENDER DISCUSSÃO INÚTIL. VOCÊ NÃO ACHOU SEU TEMPO NO LIXO

Saia da frente do touro, do meio da rua, da alça de mira, da linha de tiro. Discutir com quem comprou a verdade é desperdício de tempo. E você não achou seu tempo no lixo.

Aqui entre nós, tem coisa que não tem jeito. Quanto mais a gente explica, mais difícil fica. Deixe estar.

Não dê ouvidos a gente cretina. Não responda, não retruque. Ignore. Faça como se estivesse no zoológico: não alimente os animais.

Tem gente demais por aí jogando sujo, mentindo, esperneando pra fazer valer sua vontade mesquinha.

Quanto mais a gente discute com um palerma, mais engorda a idiotice do mundo. E o mundo não suporta mais tanto idiota.

Bater de frente para quê? Desvie! Respire fundo, siga em frente. Repita consigo: “eu tenho mais o que fazer”. Então vá e faça!

A alegria de todo canalha é a tristeza alheia. E jogar fora o seu tempo por nada é triste! Não faça isso.


Proteja-se. Preserve-se. Ignore. Passe longe de uma discussão inútil. Cuidar de si mesmo ainda é um bom jeito de amar o próximo.

SER UM ETERNO RECLAMÃO PODE FAZER BEM, MAS É PRECISO AGIR

Por que é que a gente reclama tanto? Bem, dirão alguns muitos estudiosos, a insatisfação é inerente aos seres humanos. Verdade. Uma daquelas verdades absolutas, não há o que discordar, portanto.

Mas vamos além, vamos fazer uma reflexão um pouco mais profunda. Se somos eternos insatisfeitos, isso não deveria ser bom? Falo no sentido de evoluir em todos os sentidos.

Afinal, se eu ou você estivermos insatisfeitos com algo que criamos, isso deve ser positivo no sentido de consertarmos, melhorarmos, quem sabe até, em casos mais extremos, refazermos o que foi feito.

Evidentemente que muitos insatisfeitos fazem exatamente isso. Transformam o objeto de suas criações e o melhoram. Mas e o resto? E aqueles que estão insatisfeitos e nada fazem? Sabe de quem estou falando? Isso, acertou, dos que usam a vida como um balcão de reclamações. Cá entre nós, todo mundo é, em alguma medida, assim, não?

Mas não podemos ser injustos. Sabemos que muitos de nós tentam, ao menos, fazer isso cada vez menos. Todos deveríamos reclamar menos e agir mais.

Essa insatisfação ruim, digamos assim, essa que estou falando que nos paralisa ao invés de nos movimentar, anda tentando se alastrar. Parece uma epidemia de involução.

É claro que é disso que se trata. Vamos fazer um exercício: Olhe para seu passado e nem precisa ir muito longe. Já que estamos no começo do ano, que tal dar uma espiada no seu ano de 2016?

Como você se comportou nesse sentido aí que estou propondo nesse texto: Você reclamou e agiu ou só reclamou e apontou o dedo aos supostos culpados?

Uma ex professora de Psicologia, uma psicanalista de mão cheia, certa vez ensinou aos alunos algo que hoje em dia todo mundo sabe, ou deveria saber: Quando a gente aponta um dedo, há três apontados para nós.


Foi mesmo uma aula cruel. Sei lá, a carapuça serviu como uma luva… ah, você me entendeu.

Brincadeiras à parte, voltando à sua reflexão, ou melhor, nossa, seja sincera, como você agiu?

A pergunta é necessária porque se você reclamou mais e agiu menos, sabe o que deverá fazer para que em dezembro de 2017 não passe pelo mesmo “perrengue existencial”. Agora, se você agiu mais do que reclamou, repita a dose esse ano e, parabéns, você está no caminho certo.

Não é esse nosso maior objetivo na vida? De acertar? Descartemos aquela bobagem de certo ou errado em relação à sociedade, todo mundo aqui tem bom senso para seguir regras de convívio. Nós sabemos muito bem quando uma coisa ou atitude é certa ou errada para nós, para nosso íntimo, para nossa alma.

E não podemos deixar de correr atrás do certo nesse sentido, buscar o que nos faz bem, buscar o que nos alivia a dor e, por que não dizer, buscar o que fará com que as angústias sejam diminuídas, senão, eliminadas.

Não dá mais para ficar sentando no sofá da sala se lamuriando ou culpando esse ou aquele pelas suas frustrações. Sim, sabemos, muitas vezes a culpa não é nossa mesmo, aliás, não usemos mais a palavra culpa, vamos dar preferência à palavra e ao conceito de responsabilidade e não culpa.

Temos que aceitar que muitas vezes as conspirações cósmicas não permitem que a gente consiga aquilo que quer. Mas há uma coisa que aprendi nesses tantos anos de uma vida bastante intensa, frase que cunhei quando escrevi meu segundo livro, há onze anos:

“A felicidade não está na conquista, ela está na busca”.


É quando estamos buscando nossos objetivos que nos sentimos plenamente felizes. Sendo assim, ficar estagnado reclamando ajuda em que mesmo?

FILHOS DE DESEMPREGADOS SÃO MAIS FRÁGEIS PSICOLOGICAMENTE

Os jovens que vivem com pais desempregados revelam maiores fragilidades ao nível do bem-estar psicológico e têm piores expectativas educacionais, sendo que as meninas são mais vulneráveis a esta situação, revela um estudo sobre crise econômica, desemprego e família.

O trabalho centrou-se no impacto da recessão econômica, em particular do desemprego, na estrutura familiar e na saúde mental e bem-estar de adultos desempregados e dos adolescentes que vivem com pais desempregados.

Entre os principais resultados do estudo, ressalta o fato de os jovens que vivem com pais desempregados, quando comparados com os que vivem com pais empregados, relatarem significativamente piores resultados ao nível do bem-estar psicológico e de expectativas educacionais, “percebendo as repercussões da crise econômica de forma mais intensa”.

As pessoas desempregadas e os seus familiares constituem um grupo da população mais afetado pelas consequências da recessão econômica, tais como dívidas, já que os adultos desempregados têm uma “alta prevalência de sofrimento psicológico e de insatisfação com a vida”.

Estes fatores foram particularmente notórios em mulheres desempregadas, idosos, pessoas com baixa escolaridade, solteiros, pais e mulheres cujos parceiros não tinham emprego.

“A pior saúde mental foi também mais prevalente nos adultos desempregados com menor capacidade em estruturar o seu tempo e naqueles com maior privação financeira”, acrescenta o estudo.

Além da “diminuição substancial” das despesas do agregado familiar, o desemprego foi também responsável por alterações no relacionamento familiar (mais atrito e parentalidade mais rigorosa), bem como alterações no bem-estar psicológico dos pais e dos filhos (maior preocupação, irritabilidade, raiva e tristeza).

O estudo salienta, contudo, que “a qualidade das relações familiares parece moderar a associação entre o desemprego parental e o bem-estar psicológico dos jovens”.


Ou seja, as relações familiares – bem como a capacidade financeira e a estruturação do tempo – são apontadas como “fatores modificáveis” e, por isso, potencialmente moderadores desta relação entre bem-estar psicológico e desemprego parental, desde que sejam alvo de intervenções que as transformem positivamente.

Nesse sentido, o estudo defende intervenções urgentes para proteger adultos e jovens durante esta “recessão econômica histórica” e para diminuir as desigualdades na saúde e as despesas sociais.

“A identificação destes fatores modificáveis associados ao bem-estar dos adultos, família e filhos no contexto de desemprego é essencial, sobretudo porque enfrentamos uma recessão econômica histórica, e porque as intervenções para proteger adultos e jovens durante este período em particular, são urgentemente necessárias”, refere.

Além de poderem diminuir as desigualdades na saúde e as despesas sociais para o país, estas intervenções poderão maximizar as oportunidades de vida, assumindo “um papel fundamental para alcançar uma população mais saudável e produtiva”.

porque ‘sempre’ seria pedir muito

Às vezes, e digo às vezes porque ‘sempre’ seria pedir muito, deveríamos dar trégua aos cansaços pendurando nossa individualidade cheia de si no cabide, nossa independência de nariz empinado no mancebo, para nos aconchegarmos no sofá das vulnerabilidades.

Engana-se aquele que pensa ser isso um engano. Sem vulnerabilidade o amor não acontece, sem abertura o encanto não se apresenta, sem disposição o milagre não é revelado.

Via de regra o amor toca a campainha quando distraídos não esperamos visita. Mania a nossa de nunca nos encontrarmos em casa, pela agenda cheia de compromissos a confirmar nossas certezas.

Armados e de pé atrás, exigimos que o futuro amor preencha infinitos requisitos – ou nós os dele – exatamente para mantê-lo distante de nós, evitando que tenhamos que já lidar com a insegurança de nos machucarmos uma vez mais como sempre fazemos. Aconteça ele no agora, nem ele nem nós estaremos prontos para sermos felizes.

Quanto há para despedirmos antes de arriscarmos o risco de darmos certo? Garantimos então que nada dê, para que amanhã e somente lá estejamos mais bem preparados.

Adiamos a vida com condições, esperando que o amor nos aconteça no final da tarde dum outono de céu parcialmente encoberto. Prendemo-nos nas previsões do improvável, descartando os prováveis.

Eis o óbvio:ao nos concentrarmos numa direção, deixamos de enxergar as outras e a vida acontecendo ao redor. Estratégia pura de boicote! Aí o amor poderá esbarrar e pedir desculpas, sentar ao nosso lado e oferecer chiclete, nos parar na calçada e pedir informações.


Não daremos ouvidos, não responderemos à gentileza. E tudo porque temos encontro marcado com a procura, não com o encontro. Mais do que esperar o amor chegar, deveríamos antes acreditar na possibilidade que o amor possa vir, inesperadamente, ainda que abra a porta de serviço e nos flagre nus na sala de estar.

É exatamente por estarmos nus que o amor decidirá ficar.

A FELICIDADE DE ISABELA

Acordei cedinho e fui dar uma volta pelo condomínio. Vi que não tinha ninguém na piscina, resolvi voltar para casa, colocar um biquíni e pegar um solzinho. Hoje não vou trabalhar, vantagens de ser profissional liberal (me dei folga).

E então eu estava lá deitada em uma espreguiçadeira quando elas chegaram. Uma menina pequena, com dois lacinhos cor de rosa na cabeça, chinelinhos combinando e uma boia em cada braço, biquíni azul, correndo e logo atrás, uma senhora de cabelos brancos, que tentava (sem sucesso) alcançá-la.

Resolvi entrar na piscina. Elas entraram também. Vieram para perto de mim. A pequena bem sorridente me olhando. Perguntei: “qual o teu nome?” Ela respondeu “Isabela”. Falei que era bonito. Ela riu. Perguntei quantos anos tinha, ela mostrou três dedinhos e começamos a conversar.

Isabela perguntou quantos anos eu tenho, pedi para ela adivinhar e ela disse “doze”. Fiquei toda faceira. Quem não ficaria? Isabela já conhece várias cores (tanto em inglês quanto em português) e fez questão de mostrar: “pode perguntar, tia!” E eu perguntei todas as cores que vi em volta. Ela sabe mesmo.

E me disse que está na creche, que gosta muito de lá “porque tem amiguinhos” e que a “tia” Cida é muito legal. Na sala dela estudam o Bernardo, a Sofia, a Helena e o Enzo, mas o Enzo “é namorado dela e não da Sofia”. Neste momento a avó nos interrompeu, para dizer que o “namorado” dela é o chinelo.

Rimos muito eu e a pequena Isabela. Resolvi “pegar no pé dela” e perguntar se o pai sabe que ela tem um namorado. Isabela disse que não tem pai. Neste momento fiquei tão constrangida, então a avó sorriu e explicou.

O pai da pequenina morreu 13 dias antes dela nascer. Foi um acidente de carro. Ela veio morar com as duas para filha poder trabalhar. Fica com a menina de manhã e à tarde a leva para creche.


Eu só ouvi. Continuei falando com minha nova amiguinha mais um pouco e pensando: coitada da mãe desta menina. Viúva treze dias antes do parto, criando a pequena com a ajuda da avó.

E olhando para filha dela jamais se poderia imaginar, tão esperta, tão saudável, tão visivelmente feliz… Como tem gente que passa trabalho neste mundo. E é só conversar um pouco com qualquer pessoa para ouvir uma história triste, um drama.

Nem tudo é perfeito como aparenta ser em redes sociais, mas todos os problemas podem ser superados. Com amor.

SAIBA SE VOCÊ PODE SER CONSIDERADA UMA MULHER ALFA

Ser uma mulher alfa significa ser inspiradora, imponente e tantas outras coisas. Inclusive, mulheres alfa se comportam de outra maneira, bem diferente das outras pessoas que não possuem esse tipo de personalidade.

Você sabe se é uma mulher alfa? Veja as características abaixo. Se a maioria condizer com sua personalidade, então sim, você é. Se não for, repare em suas amigas, colegas, mãe, tias e outras mulheres que convivem com você e descubra se alguma delas é uma mulher alfa!

Ela respeita regras necessárias e condutas com educação, mas sabe impor seu pensamento, suas opiniões e suas vontades. Luta pelo que acha correto e não aceita desrespeito.

Ela consegue se expressar muito bem, seja da forma que for, porque é confiante e segura de si. Justamente por ser alguém muito confiante e confiável, a mulher alfa costuma liderar outras pessoas. Seja no trabalho, na família, ou outras situações, sua personalidade forte impõe respeito e liderança.

Também costuma inspirar outras pessoas, afinal, sempre se mostra muito forte, não se desespera com os momentos de adversidade – ao contrário, a mulher alfa é aquela pessoa que irá acalmar as outras e pensará em alternativas viáveis para solucionar o problema, seja ele qual for.

Ela é absolutamente honesta, respeita os demais e, por isso, é respeitada. Em função dessa junção de características, tem bom relacionamento com praticamente todas as pessoas que tem convívio.

A mulher alfa sabe ser realista e racional ao mesmo tempo em que sonha alto para continuar crescendo e prosperando na vida. Ela é equilibrada, inteligente e perspicaz. Sabe que a única pessoa que precisa competir é ela mesma, justamente para que seu crescimento seja contínuo.

Também sabe diferenciar muito bem as coisas, pessoas e sentimentos que ela precisa ou não dar valor. Por exemplo: ela não muda seu estilo ou personalidade por outras pessoas. Ela é do jeito que sua essência pede para ser.


É uma ótima amiga e muito companheira. Ajuda as pessoas que ama de todas as formas que pode e tenta ao máximo mostrar o valor que cada um tem para ela e para o mundo.

Mas, apesar de ajudar os outros e a expressar seu amor, a mulher alfa sabe ser feliz sozinha e não tem medo de não estar em relações amorosas, por exemplo. Ela entende que as relações complementam a felicidade, mas não podem ser o único motivo do sorriso de alguém.

A mulher alfa não tem medo de cair, porque sabe que cada queda é um aprendizado para você se levantar mais forte, atento e sábio. Tanto é verdade que não há medo de correr riscos.

Não há tempo para ter medo, há tempo apenas para viver e conquistar. Além disso, caso algo não dê certo, quedas não a distanciariam de seus objetivos, que são claros e estão sempre presentes em sua mente.

Mas, mesmo sabendo o que quer, a mulher alfa é humilde para admitir que não sabe de tudo e que pode aprender muito se souber ouvir e observar.

Com tantas características e aspectos fortes em sua personalidade, normalmente, a mulher alfa é sempre o foco dos demais, seja para falar dela, ou se inspirar nela, ou apenas observá-la.


A mulher alfa se sobressai perante seus amigos e, por que não dizer, perante a sociedade. Ela exerce liderança, seja profissional ou em qualquer outro âmbito da vida. É inspiradora e vence desafios, é respeitada e respeita os outros, é tolerante e sensível, racional, não deixa de ser quem é por ninguém, aprende com o passado, vive o presente, mas foca no futuro.

SERÁ PRECISO ABANDONAR A SUA IDENTIDADE PARA SER MÃE?

Quando os planos da maternidade começam as mulheres, e no melhor dos casos os casais (seja qual for a composição do casal), começam a pensar em todas as responsabilidades, fazem planos, estudam mudanças corporais, se estruturam financeiramente, decidem parto, escolhem médico e decoração.

Mas uma pergunta que, por vezes, negligenciamos diz respeito ä nossa – mulheres – identidade. Quando embarcamos na maternidade, é preciso “abandonar” a nossa identidade para assumir a identidade “mãe”?

Essa pergunta me acompanhou durante um jantar na casa de amigos, durante meu café da manhã no dia seguinte e, se eu for mesmo ser sincera, durante os últimos meses. Após ter lido sobre depressão pós parto e o medo da perda da identidade e espaço social por parte das mulheres que escolhem ser mães, e sendo eu uma delas, foi impossível ignorar o assunto. Afinal, o papel que se perde é escolha das protagonistas dessa história ou uma imposição social?

Meu objetivo com esse texto não é dicotomizar opiniões e nem tampouco imprimir um perfil “certo” ou “errado” de ser mãe. Minha necessidade de diálogo parte da vontade de trazer para o consciente o quanto sofremos de influências em um perfil valorizado de maternidade pela nossa comunidade.

Na medida em que conversamos sobre isso, acho que começamos a flertar com as nossas possibilidades e nos dar o direito ao prazer.

Olhando para tantas mulheres ao meu redor que escolheram ser mães, identifico várias versões: As que escolheram abandonar suas carreiras, aquelas que as preservaram, as que decidiram ser mães solteiras, outras que estão em parceria e muitas que começaram em parceria e continuaram “solo”.


Enquanto falamos de escolhas eu me sinto confortável, mas o que me trouxe para a escrita foi o desconforto do que não está no hall de escolhas possíveis. Explico: Sinto que ao nos tornarmos mães, nossas comunidades fazem de nós seres sagrados e imaculados. Segundo certos padrões, “mães” são aqueles seres que não bebem bebidas alcoólicas ou se encontram com amigas no bar.

Mães não se descabelam no show de qualquer coisa que decidiram ir, flertam no bar com um cara quando solteiras ou tem uma noite de prazer maravilhosa. Mães não têm tempo para nada: Não conseguem assistir filme, não conseguem se arrumar, não passeiam sozinhas ou tomam café da tarde na padaria preferida enquanto leem. Qual parceria falta para que na maternidade haja espaço para isso?

Já ouvi várias vezes que há uma “chave” que muda todas as suas prioridades e acredito nisso. Há um amor que surge na maternidade maior do que qualquer explicação possa ser possível. Mas eu vi/vejo mulheres odiarem a maternidade, sofrerem em silêncio com a depressão pós parto, rejeitarem os filhos e se arrependerem porque abandonaram “quem eram”. Quem escolheu isso por nós?

Não subestimo e acredito que haja algo divino na possibilidade de trazer ao mundo um novo ser. Do seu corpo inteiro se alterar para atender as necessidades de sua fertilidade. Somos nós, mulheres, que vivemos oscilações hormonais e sangramos todo mês para manter a continuidade da espécie no seu curso. Há algo de divino em ser tomada por um amor profundo, e o desconhecido de parir. Há algo de divino em parir.


Mas não podemos negar que coisas que não queremos que mudem acabam mudando. Quantas de nós tentou retomar a carreira depois da licença maternidade (no tempo que nós decidimos que atendia melhor as nossas necessidades e de nossos filhos) e teve muita dificuldade?

Quantos relacionamentos não acabaram porque não tínhamos tempo de investir no nosso prazer com o outro e/ou o outro também não entendia as pressões que vivíamos? E mais ainda: O outro podia ir! Nós tínhamos que ficar. Quanto da nossa auto estima não abrimos mão?

Hoje consigo encontrar mulheres que se fizeram essas perguntas e, tornando-se conscientes de todas essas questões, agiram. Poderia citar tantas inspirações (vocês receberão mensagens de admiração e entenderão).

São mulheres que vão abrindo caminho para pensarmos novas maternidades. Um lugar de amor, de dedicação, de divino, mas apenas um dos papéis assumidos pelo nosso “eu”, pela nossa identidade. Outras escolheram a maternidade como eixo central de suas vidas e são felizes com essa escolha.

Há tantas questões para serem exploradas ainda nessa conversa. Há um equilíbrio tênue entre não negligenciar as necessidades dessa vida que surge de nós e mantermos nossa identidade.

Quando falo sobre termos espaço para assumirmos nossas identidades, não estou falando de não nos responsabilizarmos por um bebê. Estou falando sobre termos escolhas, termos rede de apoio, podermos transitar em outros papéis.

Há ainda a pergunta: “Quanto de responsabilidade projetamos em nossos filhos quando dizemos ä eles e ao mundo que largamos tudo por eles e que eles são nossa vida?”. Mais: “Nossa vida são outras vidas que terão suas vidas e irão embora?”.

O que acontece então quando nossos filhos vão embora? Será que estamos deixando que eles amadureçam e vão embora?

É possível uma maternidade em que eu preservo meus prazeres, minha identidade e as delícias de ser quem sou?